ESPAÇO ABERTO
Prazer sem hora marcada
Moacir Costa
Os homens são, sim, muito preocupados com seu desempenho sexual. Querem agradar a parceira, esforçam-se para que ela tenha orgasmo e morrem de medo de não dar conta do recado. Aliás, o maior temor masculino é falhar na hora H. Embora muitas mulheres reclamem da pressa dos homens na cama, eles dão sinais de que querem melhorar suas performances eróticas. Esses dados, provenientes de uma recente pesquisa do Instituto Datafolha, mostram que a sexualidade é um tema vital para o público masculino. Segundo o estudo, no qual foram entrevistados 1.063 homens e 1.018 mulheres de várias capitais brasileiras, os gaúchos são os que mais se preocupam em não falhar na cama. Os cariocas estão em segundo lugar.
Um outro dado da pesquisa aponta que 59% dos homens não conversam com seus médicos sobre sua vida sexual. É uma informação preocupante, porque o impacto das dificuldades sexuais pode ser devastador para a auto-estima da maioria (cerca de 55%) dos casais. Esse distanciamento afetivo alimenta mágoas e rancores e facilita o aumento de brigas na vida a dois. O namoro, logicamente, acaba. E não há sexo sem namoro, beijo e carinho. É importante lembrar que a disfunção erétil, a popular impotência, acomete também homens jovens (10%), mas se agrava, a partir dos 45 anos, por causa dos desencontros da vida conjugal, incertezas profissionais e surgimento de doenças como diabete, hipertensão arterial, alcoolismo e depressão, entre outros males.
Uma luz no fim do túnel é um dado da pesquisa do Datafolha: segundo o estudo, 70% dos casais que usam medicamentos para a disfunção erétil estão satisfeitos com sua vida sexual. O primeiro deles, o Viagra, surgiu há oito anos e revolucionou o mercado. Em seguida, surgiu o Levitra - ambos garantem uma ação média de cinco horas. Mais recentemente veio o Cialis, que tem um tempo de ação bem mais prolongado (36 horas), permitindo que o sexo seja praticado sem ansiedade e rapidez, num clima de descontração, espontaneidade e prazer.
Nesta última semana, a revista Veja publicou que o concorridíssimo mercado de medicamentos para impotência foi palco de uma virada inédita nesse início de ano. Pela primeira vez desde que foi lançado, há 8 anos, o Viagra perdeu a liderança. Em janeiro o Cialis atingiu 42% desse mercado, contra 41% do ex-número 1. Esse tipo de medicamento caiu tanto no gosto do brasileiro que ocupa o primeiro (com o Cialis) e o terceiro lugar (com o Viagra) no ranking dos remédios mais vendidos do país. Em segundo lugar está o Dorflex, dois medicamentos antiimpotência e um analgésico: não deixa de ser uma pequena amostra dos problemas que afligem o brasileiro.
MOACIR COSTA MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo e mantém um serviço gratuito de esclarecimento de dúvidas sobre sexo pelo 0800-770-6543. Mais informações pelo site: www.projetoamarbem.com.br
A prostituição e a moral
Aguinaldo Pavão
Moralmente não percebo um argumento consistente para que o poder político proíba a ação de alguém a não ser que este alguém esteja impedindo a liberdade de outrem. Com base nesse princípio, não há qualquer fundamento racional em que se possa apoiar a censura moral à prostituição.
Argumentos morais que apelam para idéias tais como: O sexo é uma dádiva de Deus e somente deve ser praticado dentro do casamento, são argumentos frágeis. São frágeis porque: 1) vivemos num mundo secular, muitas pessoas não acreditam que o sexo é uma dádiva de Deus e o poder político não pode representar uma visão religiosa particular, 2) é frágil, pois o sexo praticado fora do casamento não envolve necessariamente traição (uma pessoa solteira e sem nenhum compromisso amoroso não estará traindo ninguém) e, portanto, não implica desonestidade moral, 3) é frágil, pois mesmo que haja traição entre parceiros sexuais, esse é um problema da vida privada do casal, não é um problema da sociedade ou do Estado, 4) é frágil, enfim, pois cabe ao indivíduo decidir se quer praticar sexo dentro ou fora do casamento, não cabendo ao Estado decidir isso.
Dizem que a prostituição envolve o tratamento do corpo como uma mercadoria, o que feriria a dignidade do ser humano. Mas isso não procede. Uma mulher ou um homem não pode ser impedido de fazer o que quiser com o seu corpo, a não ser que ele utilize seu corpo para coagir e ferir a liberdade de outros corpos. Assim sendo, penso que devemos considerar a prostituição como um negócio como outro qualquer. Entendo, pois, que a prostituição mereça ser encarada como uma profissão entre outras. Ademais, falando com rigor, a prostituta sequer vende seu corpo. Ela não troca uma parte de sua constituição física por dinheiro. O que ela faz é cobrar pela prestação de um serviço. Não compreendo como alguém possa dizer que, ao se prostituir, a mulher ofereça mercantilmente sua dignidade. Não, ela não negocia sua dignidade moral. Ela estaria agredindo sua dignidade moral se permitisse a restrição de sua liberdade como ser humano. Mas não é isso que ela faz.
É preciso evidentemente que sejam fixados alguns limites: a idade mínima deve ser 18 anos. E há uma razão muito simples para isso. Considera-se, certamente a partir de um ponto de vista pragmático e convencional, que menores ainda não são pessoas plenamente responsáveis por seus atos, o que significa que não podem responder plenamente por suas decisões, pois ainda não exercem em sua plenitude a autonomia moral. E ainda por coerência ao princípio da liberdade individual, a meu ver tanto faz se a prostituta deseja trabalhar por conta própria ou se pretende trabalhar em algum estabelecimento, que nesse caso deveria obter licenciamento para funcionar. São dignas de menção as palavras de Von Mises: Um homem livre deve ser capaz de suportar que seu concidadão aja e viva de modo diferente de sua própria concepção de vida. Precisa livrar-se do hábito de chamar a polícia quando algo não lhe agrada (Liberalismo, p. 56).
AGUINALDO PAVÃO é professor no departamento de Filosofia Universidade Estadual de Londrina
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