ESPAÇO ABERTO
Segurança em Londrina
Igarassu Landucci Louzada
Londrina tem sido palco de um número absurdo de crimes desde pequenos furtos até assassinatos. O que agrava a situação é o fato de constatarmos que a maioria das vítimas são adolescentes (grande maioria de menores) que, envolvidos com criminosos, principalmente traficantes, são assassinados ou levados a assumir a autoria de crimes cometidos por elementos maiores e capazes.
Durante minha gestão como presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), nos anos de 1986-1987 e parte de 1988, com o intuito de colaborarmos com a segurança da cidade, instituímos naquela entidade, um fundo de apoio às polícias Militar e Civil. Os recursos advinham de contribuição espontânea de comerciantes e industriais e tinha um caixa separado do caixa geral da Acil, cujo gestor dos recursos era o vice-presidente Alberto Rapchan, que me sucedeu na presidência da entidade.
Conseguimos apoiar as polícias na recuperação de viaturas, inclusive com recondicionamento de motores, reformas em geral, compra de pneus e combustível e, ainda, manter o caixa com saldo positivo pois, quando transferi o cargo de presidente ao Alberto, o fundo era superávitario. É importante frisar que as contribuições eram opcionais, pois, o comércio e a indústria Londrinense entenderam a finalidade do movimento e o apoiou.
Baseado nessa experiência bem sucedida, sugiro que a Acil retome a iniciativa e convoque as demais entidades de classes, sindicatos, clubes de serviço, associações de bairro, ONGs e todos os segmentos organizados para uma campanha no sentido de emprestar-se o apoio financeiro que os órgãos de segurança necessitam pois, sabemos todos que o pessoal, o equipamento e as verbas que o Governo disponibiliza são insuficientes e, quando disponibilizados, percorrem um processo burocrático que faz com que se perca o melhor momento para a ação.
Se obtivermos, agora, o êxito que obtivemos naquela ocasião, acredito que poderemos todos, espontaneamente, colaborar com os órgãos de segurança, sem onerarmos, se não, os que se dispuserem a colaborar. Ainda, poder-se-ia convocar as cidades circunvizinhas a integrarem essa cruzada, uma vez que os resultados certamente espraiarão, beneficiando-as. Não podemos mais criticar, ainda que com razão, sem oferecermos sugestões que poderão resultar, mesmo que seja o início de ação que nos leve a resultados positivos.
Sugiro, ainda que se faça um estudo, visando-se criar uma associação de entidades que, agrupadas possam de forma mais adequada e legal, atender as necessidades das Polícias. Essa associação poderá, inclusive fazer parte de uma ou mais entidades, ou as entidades fazerem parte da associação, que elegeriam um conselho gestor, com prazo determinado de, no máximo 3 anos, o que ensejaria uma rotatividade salutar e democrática da administração da associação. Façamos o que nos é possível e esperemos que o poder público complemente!
IGARASSU LANDUCCI LOUZADA é ex-presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina e ex-presidente do Sincoval
Inveja
Edson Heringer
Lá pela década de 80, cujo ano me escapa da mente, lá longe, num país bem distante, curti um sentimento que não faz parte do meu modo de ser: a inveja. Penso que todos deveriam estar bem e até, se possível, a população deveria ser rica em todos os sentidos.
Em visita de rotina, que normalmente ocorre no comércio internacional, estava em contato com importadores e, entre eles, um que tinha uma indústria com características que se aproximavam da nossa aqui em Londrina. A de lá tinha na época, mais ou menos, a mesma área ou mesmo número de funcionários e a mesma produção, só perdia para a nossa em produtividade e produtos muito semelhantes. Entretanto, um porém me chamava a atenção: um pátio de estacionamento que abrigava cerca de mil carros dos funcionários enquanto a fábrica estava em funcionamento.
Em contato com o diretor da indústria, expus minha admiração por ter seus funcionários motorizados, e que no Brasil tinha mais ou menos 1% dos funcionários com condição de possuir veículos. Como os faturamentos estavam próximos, o dirigente de lá perguntou quanto pagávamos de imposto por mês e, transformando em dólares, informei o valor aproximado. Ele me garantiu que pagava apenas um terço daquele valor e ainda me premiou com uma observação: ''Seu governo deve arrecadar menos do que o meu, porque esta diferença vai para os trabalhadores que gastam a seguir gerando uma corrente contínua de novos tributos''.
Foi nesse momento que, pela primeira e única vez, senti inveja de uma situação como essa, pensando nos mais de mil parceiros que mantinham nossa fábrica viva.
Naquele ano, os exportadores brasileiros foram premiados com uma bomba: o dólar foi ajustado em cerca de 40% e a inflação interna ultrapassou os 80%.
É por causa dessa e de muitas outras que a indústria nacional vai sucumbindo. Aqui, produzir significa ser escravo do governo.
Há aqui no Brasil uma sensação de impotência relativa às bravatas dos governos que não ajuda, mas atrapalha muito. Independentemente da produtividade, de repente se quebra o nariz e a cara diante de medidas de políticas econômicas inconsequentes, tipo aftosa.
EDSON HERINGER é empresário em Londrina





