FHC candidatíssimo

José Eduardo de Andrade Vieira
‘‘Quem não te conhece que te compre’’, diz um velho adágio popular.
  Tenho acompanhado à distância a movimentação orquestrada por FHC em torno das candidaturas de Alckmin e Serra e, de vez em quando, seu sobrevôo para as Minas Gerais do Aecinho a fim de sondar as intenções do mineiro. As incursões de FHC são assim, como quem quer pôr um pouco de molho na salada.
  Todo encontro, em São Paulo, entre a cúpula do PSDB, e os pretensos candidatos tem acontecido sob a batuta do ardiloso FHC, por sua iniciativa e providências. Ele precisa estar no comando do encaminhamento da candidatura a Presidente. Não porque queira influir e colaborar no processo, mas sim e, principalmente, porque quer ser o candidato da conciliação partidária.
  José Serra tentou e quase conseguiu tornar sua candidatura irreversível ao obter o apoio do prefeito do Rio e pré-candidato do PFL a Presidente, sr. César Maia. Faltou-lhe perspicácia ao imaginar que conseguiria obter esse apoio sem prévio consentimento da cúpula do PFL, ou seja, Marco Maciel e Jorge Bornhausen. Serra deixou entre os líderes do PFL a impressão de querer passá-los para trás, apresentando um fato consumado. Agora terá grande dificuldade em obter esse apoio. Serra também não pode esquecer que o empenho de FHC em sua candidatura a Presidente deixou muito a desejar. Mas isto também se explica na ambição de FHC: é que FHC preferia a vitória de Lula, de quem imaginava ser mais fácil ganhar uma eleição, já pensando em sua própria futura candidatura.
  Fernando Henrique, assim como Lula, desfruta do poder como se estivesse no paraíso. Não estão e nunca estiveram preocupados em resolver os grandes problemas nacionais. O que os move é pura e simplesmente a ambição pelo poder, suas vantagens pessoais e a pompa da liturgia do cargo.
  Alckmin não tem grande trânsito nas hostess pefelense, não é um articulador experiente e, ao que parece, não tem ninguém em condições de trabalhar essa coligação para ele. Já FHC, nessa área, conta com larga experiência.
  E o PFL, que até agora se encontra sem candidato próprio, será a grande cartada do sr. Fernando Henrique pois lhe será fácil obter esse apoio. Cacifado, não será difícil obter a renúncia dos pré-candidatos atuais. Na hora ‘‘H’’ surge como o candidato da conciliação e da união do partido. Para grande alegria de Lula, que não deseja outra coisa que não seja sua própria reeleição. Lula acredita que será muito mais fácil ganhar de FHC - no que não está muito errado - do que de qualquer outro candidato.
JOSÉ EDUARDO DE ANDRADE VIEIRA foi ministro da Indústria, do Comércio e do Turismo no governo Itamar Franco e ministro da Agricultura, Abastecimento e Reforma Agrária no governo Fernando Henrique Cardoso



Mulheres são mais felizes que os homens?

Moacir Costa
  A mulher moderna pensa muito em trabalho e pouco em sexo? A cada dia, essa pergunta torna-se mais constante, na medida em que a participação da mulher em todos os setores da sociedade tem crescido bastante, deixando uma boa parcela dos homens perplexos e inseguros. Essa geração pós-feminismo está vivendo uma fase de entusiasmo e deslumbramento com a possibilidade de seguir uma carreira, crescer profissionalmente e fazer sucesso. Isso é tudo o que a mulher sempre sonhou, porque até então constituía uma área exclusivamente de domínio masculino.
  É, portanto, natural que a mulher se sinta envaidecida de poder competir com os homens. Hoje, ela não quer somente ‘‘ocupar seu tempo’’ ou apenas ‘‘ganhar seu dinheirinho’’, mas também ser valorizada socialmente como uma profissional capaz de vencer e destacar-se em todos os setores existentes na sociedade. Para muitas mulheres, essa nova posição tem exigido uma dedicação quase exclusiva à vida profissional, restando pouco tempo para namorar e viver um grande amor. Isso acaba provocando muita angústia, pois é difícil para a mulher abandonar o ideal romântico de formar um ninho, um vínculo e construir uma vida com alguém.
  Para o homem, esse desprendimento é mais fácil, pois ele foi educado para dar prioridade ao sucesso profissional, deixando para segundo plano o casamento, a vida a dois, a família. Já a mulher que hoje está na faixa dos 30 anos precisa lutar muito para se firmar profissionalmente e tornar-se independente, tendo de deixar para mais tarde a maternidade. Por isso, nos dias atuais é comum o casamento ocorrer cada vez mais tarde, após os 30 anos.
  De fato, um dos problemas que a mulher moderna precisa resolver é quanto à sua disponibilidade de ter ou não filhos. Para encarar esse conflito, ela precisa ter a seu lado um homem que a ajude a manter o equilíbrio entre o lado profissional e a vida pessoal e afetiva. Talvez ela precise também de uma psicoterapia que a prepare para equacionar melhor os problemas, livrando-se das culpas e permitindo uma relação mais positiva com a maternidade. A situação fica complicada quando a mulher tem um companheiro machista e inseguro, incapaz de valorizar e aplaudir seu sucesso. Quando ela tem uma remuneração maior que a dele, os atritos aumentam ainda mais e, inevitavelmente, acabam afetando de forma perigosa o relacionamento afetivo e sexual.
  Esse crescimento profissional e afetivo é fruto de muitas lutas e sofrimento, e deve ser motivo de orgulho e admiração, inclusive dos homens. Afinal de contas, é por esse caminho que muitas mulheres demonstram maior vocação para a felicidade, e isso facilita a formação de parcerias, a superação de dificuldades e uma vida com maior prazer.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo e mantém um serviço gratuito de esclarecimento de dúvidas sobre sexo pelo 0800-770-6543. Mais informações pelo site: www.projetoamarbem.com.br

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