ESPAÇO ABERTO
Venda da Sercomtel
Sebastião Bueno dos Santos
Vereadores de Londrina querem revogar plebiscito para entregar a Sercomtel à iniciativa privada sob a alegação de que referida empresa só tem prejuízos. Significa dizer, em outras palavras, que os agentes públicos atualmente na direção não mostraram competência. Cabe frisar, porém, que a Sercomtel, até pouco tempo atrás, sempre foi considerada empresa de vanguarda e a mais avançada e moderna do país em telecomunicações. Como então, de uma hora para outra, ficou sucateada e incapacitada de acompanhar a concorrência? Cumpre lembrar que, com a criação da generosa Anatel (outro cabide de emprego), em todo o país os serviços de telecomunicações foram os que mais reajustes tiveram acima da inflação nos últimos 5 anos.
Qual a causa dessa incapacidade então? Não seria talvez o empreguismo do PT, acomodando e colocando os companheiros que não conseguiram ser eleitos ou reeleitos no último pleito em altos cargos diretivos sem a devida e comprovada competência? Não seria o inchaço do corpo de funcionários, sem concurso, somente para acomodar os companheiros, como diz o presidente? Não seria os desmandos, contratações irregulares e superfaturadas sem concorrência, por exemplo?
Lembro aos companheiros que a primeira coisa que os dirigentes da iniciativa privada farão, após a aquisição da empresa (com financiamento do governo federal, para ser pago em 30 ou 50 anos, com o produto da arrecadação dos próprios serviços fornecidos à população) será colocar todos aqueles que não tiverem estabilidade na rua da amargura, sem dó nem piedade, pois, o capitalismo não conhece essa palavra. A segunda, será lutar com todas as forças para aumentar o preço dos serviços fornecidos, propondo projetos de leis de seu interesse aos legisladores, nem que seja necessário ajudar campanhas para reeleição de alguns colaboradores de última hora.
E, muito provavelmente (a história já nos mostrou isso no Brasil), a terceira coisa será usar a empresa por uns 10 ou 15 anos, sugar todo o seu sangue, não investir nenhum centavo em melhorias e equipamentos e devolver a empresa ao município completamente sucateada e ultrapassada tecnicamente, aí sim, incapaz de acompanhar a concorrência, sendo necessária a injeção de alguns milhões de dólares por parte do poder público para modernizar, reequipar e modernizar a empresa. Então, senhores dirigentes petistas, qual será o verdadeiro interesse por trás da venda da Sercomtel? Para onde irá o dinheiro da venda? Não terá o mesmo destino daqueles 100 milhões da venda das ações da Sercomtel para a Copel? Lembro que a Sercomtel trata-se de uma empresa pública e, caso venha a ser vendida, a minha parte eu quero à vista e em dinheiro.
SEBASTIÃO BUENO DOS SANTOS é advogado em Londrina
Penetrar no santuário interior
Walmor Macarini
O homem inclinou-se demais, não por reverência mas pela atração das coisas terrenas que ele pudesse tocar com os pés e agarrar com as mãos. Assim, raízes foram se criando, como as de uma árvore que tem vida mas não pode mover-se e subir além de si mesma, porque aprisionada à terra. Há muitas e muitas pessoas que estão enraizadas, como árvores. Ocorre que se aqui vivemos, nossa essência primordial não é desta dimensão. Os olhos espirituais dessa imensa legião de seres, embora religiosos, estão fechados como os de um bebê quando nasce.
O que ocorre é que essas pessoas ainda não alcançaram o nível de percepção da majestosa realidade que são, e sobre isto as religiões especificamente as do mundo ocidental lhes ensinaram pouco ou quase nada. Natural que tudo chegará a seu tempo, mas o mundo passa por uma transição que estava prevista para os tempos de agora e os que não caminharem depressa ficarão para trás e terão, eventualmente, de retomar o processo. Elas não poderão atrapalhar o progresso dos que vieram caminhando mais velozes. E há que dar lugar a novas raças cósmicas que vêm chegando.
O homem é um ser planetário enquanto envolto na densidade carnal, e deve viver intensamente as coisas deste planeta onde temporariamente habita, mas seu reino não é deste mundo. Quando Jesus disse isso, referia-se a ele e a todos os seres da Terra. Contudo, mesmo estando aqui, o ser humano pode realizar coisas que extrapolam a tridimensionalidade em que se encontra. O portal que permite ultrapassar essa barreira é sutil, mas as pessoas não têm desejado saber como essa transposição ocorre. Preferem que o seu pregador decida por elas.
Ignoram que compõem a majestade da suprema luz; que são uma porção de Deus e, em sua individualidade, o compõem. O homem tem sido displicente em seus pensamentos e atitudes, e embora ore e louve, não penetra em seu próprio santuário interior, onde está o Reino e onde estão todas as respostas. Se ele não o faz, fica apenas com as vozes que lhe chegam de fora e não ouve a voz de sua próprio supraconsciência, significando a voz do mestre que existe dentro dele. Quando se prostra em meditação e escuta o sussurro da alma, transcende e liberta-se, frente à frente com a verdade.
Voltar-se para dentro de si mesmo é localizar o caminho para o retorno à origem primeira o Éden, que não é um lugar mas um estado de consciência. Se Jesus disse que o Reino está dentro de nós e que deveríamos buscá-lo, certamente estava dizendo uma verdade. Isto está escrito, mas quem lê sem entender prefere situar o Reino lá no alto, onde supostamente um alguém divino fará por nós. Assim, deixamos de galgar as escadarias de nosso próprio ser e não descobrimos que Deus está ali, tão próximo.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina
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