Verão: alegria, prazer e responsabilidade
Moacir Costa

Com a chegada do verão, é natural que as pessoas se mostrem mais zelosas e exigentes com o corpo. Algumas mais obsessivas demonstram descaso e desinteresse por tudo aquilo que diz respeito aos sentimentos e a vida afetiva; o que importa é o corpo. Ele tem que estar no ''shape'' certo para ser uma fonte interminável de atração e desejo.
Ao ligar a TV, as imagens que predominam são as manifestações festivas com muita dança, num clima de alegria e de sedução constante, nas piscinas dos clubes e principalmente nas praias do imenso litoral brasileiro.
A associação de calor, música, sol e Carnaval estimula o desejo e até os mais tímidos e introvertidos viajam através das fantasias. Sem dúvida alguma, as pessoas fazem mais amor no verão, quando a sensualidade fica à flor da pele diante da exposição maior da nudez.
Por outro lado, é fundamental não esquecer que nesse período de férias e de muita folia infelizmente ocorre um aumento considerável das doenças sexualmente transmissíveis. E também das jovens que se tornam ''mães carnavalescas'', pela euforia e inconsequência de poucos minutos de sexo.
O excesso de bebedeira misturado aos energizantes e às outras drogas, além de comprometer a saúde e a vida afetiva, aumenta a violência e as mortes por acidentes de trânsito. Para piorar esse cenário, esses fatores estressantes associados ao álcool e outras drogas aumentam o insucesso sexual; homens falhando na cama e mulheres frustradas e infelizes.
É fundamental que os casais, independentemente de sua idade, saibam que esse insucesso passageiro não é preocupante. A boa conversa ainda é o melhor remédio, mas caso o problema ainda persista, procure o seu médico, porque atualmente já existe medicamento para que os homens retomem a confiança sexual perdida. A longa duração do seu efeito (até 36 horas) permite que a sexualidade seja vivida de forma mais espontânea e prazerosa, sem pressão do tempo, beneficiando a qualidade do relacionamento amoroso.
Verão é sinônimo de alegria e prazer. Aproveitem para se divertir, dançar, namorar, ficar, beijar... Mas não se esqueçam de que liberdade e bem-estar devem estar sempre associados à saúde e à responsabilidade. É tempo de se divertir e prevenir!
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo e mantém um serviço gratuito de esclarecimento de dúvidas sobre sexo pelo 0800-770-6543. Mais informações pelo site: www.projetoamarbem.com.br

Redução de danos
Ana Célia Almeida

As políticas de redução de danos, foram implantadas em Londrina, desde de 2000, através da distribuição de kits (material descartável) de proteção ao usuário de drogas, álcool e DST, respeitando a liberdade de escolha de quem faz uso de drogas. A redução de danos diz ser uma medida segura e humanizante para o usuário e o dependente químico, para que se faça o uso com responsabilidade, com moderação e não abusivo de substâncias psicoativas, sejam drogas lícitas e ilícitas, causando menos danos ao organismo, segundo a cartilha.
Considero uma ilusão, uma forma de mascarar os sintomas dos dependentes químicos. É uma medida paliativa e não-preventiva. Mostra que em nosso país não se realiza um trabalho eficaz e educativo de prevenção ao uso de drogas e bebidas alcoólicas. Devemos combater o mal pela raiz para eliminar a causa do problema. É difícil imaginar que um dependente químico tenha condições psíquicas para fazer escolhas, que sejam menos prejudiciais à sua saúde. Toda droga ou bebida alcoólica, altera o estado de consciência independentemente do tipo de substância ou quantidade que se usa.
Na prática, não existe redução de danos, pois todo dano é prejudicial e nocivo. Toda causa tem um efeito e consequências que trazem reações ou sequelas ao organismo. Todos sabemos dos malefícios que as drogas e o álcool causam aos usuários e dependentes; bem como para a família, desorganizando, desestruturando e destruindo a sociedade como um todo. Em muitos casos de violência cometida, acidentes, homicídios, roubos, suicídios e outros transtornos, existe um ser humano que faz uso de substâncias psicoativas.
Não existe o uso de drogas ou bebida alcoólica sem causar danos, pois cada pessoa tem metabolismos diferentes e que reagem de formas variáveis de acordo com a química ingerida, alterando os neurotransmissores e as condições físicas e psíquicas de cada um. Na cartilha de redução de danos, diz que para cada tipo de droga existem os efeitos, riscos e as medidas para se reduzir os sintomas. É indicado até os pontos mais seguros e perigosos para quem faz uso de cocaína injetável e anabolizantes. É pouco provável que um dependente químico vá se preocupar em ler e se informar antes de usar a droga e tomar medidas menos prejudiciais à saúde.
O usuário ou dependente de drogas e álcool sofre de uma doença biopsicossocial, afeta o corpo, a mente e o ambiente. Ele apresenta vazio emocional e espiritual, portanto, busca preencher estes vazios com uso de drogas cada vez mais potentes, causando maior dependência, aumentando o grau de tolerância podendo levar à overdose e até à morte. O adicto é um escravo que depende da droga ou álcool. Para obter a cura é preciso acordar o escravo adormecido e mostrar a liberdade, despertando o potencial e as virtudes, para que ele possa enxergar uma nova realidade, um mundo melhor de se viver.
ANA CÉLIA ALMEIDA psicóloga em Londrina

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