A ação cristã em tempos de crise

Stuart Martin Hook
  O anúncio deste século jovem já é que o mundo está em crise. Somos bombardeados constantemente pela mídia, pelos jornais e televisão, com notícias de crise política, crise econômica, crises sociais, a crise ecológica. As áreas são tão diversas quanto às teses sobre as suas causas, mas a mensagem é a mesma: crise. As nossas vidas são cercadas, como também intimamente ligadas, com os problemas do mundo. Gostamos de pensar (e deveríamos ser) que os seres humanos são o poder dominante do mundo. Contudo, qualquer observação indica o contrário, já perdemos o controle. Ninguém sabe, com certeza, onde este caminho nosso, de loucura e confusão, está nos levando.
  Sendo um país de maioria cristã, a nossa ótica deveria ter a luta contra a morte como uma luta para a vida, um renascimento. Somos tentados a pensar que estamos vivenciando uma doença final antes da morte, mas, talvez, com um pouco de esperança, é apenas a agonia de um novo nascimento.
  Apesar de nossos desejos serem míopes e imprecisos, a crise mundial, nacional e local não é apenas política ou econômica. É mais profunda do que isso, é espiritual. É a crise espiritual dos homens e das mulheres. Nós simplificamos demais as coisas. Queremos culpar a política de tal partido ou nação, tal classe social, os sistemas e ideologias, etc. Queremos uma cobaia, alguém para culpar e direcionar a nossa raiva, ódio e ressentimentos. Todavia, isso, em vez de curar a situação, simplesmente alimenta o conflito. Essa atitude de querer culpar o outro leva a cada dia, o ser humano, um pouco mais longe de uma possível solução, a alienação da verdade espiritual que reside em todos nós.
  O cristianismo tem chegado a um momento crucial na história, pois agora, mais do que nunca, ele precisa ser dinâmico e não estático. O cristão é chamado a levar a sério os seus deveres espirituais, superar a crise e agir. Ele precisa falar menos da sua religião e vivê-la integralmente. Ativismo em todas as áreas da sociedade é necessário. O amor e a vida que prosperam no abraço de Cristo precisam ser vistos, por exemplo, na ecoespiritualidade, na prática da política, na formação das nossas crianças nas escolas. Enfim, é preciso uma missão verdadeiramente integral. Há, sim, momentos para falar, mas o que temos agora em nossas mãos é a obrigação de agir num gesto que diga mil vezes mais que palavras.
  Temos atingido um ponto de escolha de tamanho gigante. Ou continuamos em nossa loucura e desespero de crise espiritual para a destruição total, ou confiamos a nossa lealdade na verdade que está em Cristo que, com maturidade e cooperação, levará ao nascimento de um novo mundo, cuja base é a unidade e paz. Sobre este ponto - o futuro da humanidade e do mundo - a eficácia da ação cristã será decisiva.
STUART MARTIN HOOK é natural da Inglaterra e aluno do curso de mestrado na Faculdade Teológica Sul-Americana em Londrina


Sexo, nudez, nudismo, espiritualidade

Walmor Macarini
  Quem lê este título deve imaginar que sou especialista nessas coisas. Nada disso. Mas posso garantir que sexo tem a ver com afinidade. Entro nestes assuntos porque falou-se bastante de sexo por estes dias, neste Jornal. No caso dos homens, a graça é encontrar a mulher que lhe cause arrepios. Vale, ao inverso, para as mulheres. Se tal acontecer, teremos reencontrado a pedra rolante com a qual estávamos predestinados, mas não significando que será, obrigatoriamente, para a vida inteira. Tem a ver com histórias cármicas.
  Sexo não tem nada de diabólico, porque é de Deus. É preciso entendê-lo e praticá-lo como um ato de plena comunhão, com o fogo divino que o rege e com o par. É algo sagrado em nossas vidas, um momento de prece, de sublimação, um abrir do portal para os arcanos. Os anjos protegem a entrada dos ambientes onde praticamos o sexo com elevada sublimidade. A energia que move a vida move também o sexo. Amor, o que é amor? Não é apego, não é paixão. É ligação com esse campo de força e com tudo o que nele vibra, é amálgama.
  As divindades remotas que habitaram a Terra praticavam o sexo tântrico, mas este assunto é vasto e demanda muita conversa. Resumindo, é um momento de conexão com a eternidade. Não é o sexo banalizado mas o sexo de intenso enlevo, como nos momentos de meditação e contemplação. É um caminho no rumo de alcançar a supraconsciência. O sexo é uma força viva e não podemos lutar contra ela.
  Tântrico ou não, é um ato de grande ativação de forças, que devem ser sentidas, desfrutadas e que podem ser canalizadas mentalmente para boas causas – como a cura de um mal, próprio ou de alguém, ou a cura de um mal social. O sexo tântrico transcende o sexo usual. É como ingressar num estado de plenitude, é tocar o eterno, é chegar a um êxtase divino. Se não houver afinidade entre os parceiros, melhor é não fazer sexo. E afinidade não deve ser compreendida como atração física momentânea.
  Já a nudez, feminina ou masculina, é perigosa. Provoca o desejo, mas pode ser também contemplada com olhar estético e reverente. A nudez é criação divina. Talvez um ardil da Providência para que se povoasse o mundo. E nudismo – agora que se fala em criar praias desse gênero, no Paraná – é algo indescritível. Já convivi, como experimento, em praias exclusivas de nudismo, em meio a dezenas de vovós, seus filhos e netos, irmãos, parentes, amigos. Gente de mente sadia.
  Estar ali, converte-se num estado de plena liberdade e de igualdade. Não se sente o tempo – até porque não se usa nem relógio. Pela ausência de referenciais, como roupas e adereços, todos se parecem idênticos. Talvez ali resida a verdadeira vivência do respeito e da fraternidade. Sexo, nudez, nudismo, espiritualidade, tudo depende de integrar-se plenamente a cada uma dessas coisas, sem banalização mas em atitude de celebração.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina


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