UEL: fatalidade e coragem
Vania Beatriz Rodrigues Castiglioni

Fundada em 1971, a Universidade Estadual de Londrina (UEL) sempre foi um orgulho para quem é pé-vermelho e também para todos os que a conhecem mais de perto. Eu mesma cheguei no Norte do Paraná vinda do Espírito Santo, em 1987, para ser docente do departamento do Agronomia da UEL e nunca mais deixei de amar esta terra. O período de vida acadêmica na UEL deixou saudades pela ampla produção científica que vivenciei, pelas amizades conquistadas e pela estimulante convivência com os jovens estudantes. Como sempre tive maior vinculação com a atividade de pesquisa, acabei saindo da UEL para trabalhar na Embrapa. Mas não deixo de admirar essa instituição de ensino, que está entre as melhores do País.
A UEL desempenha papel decisivo no desenvolvimento de toda a região próxima a Londrina e destaca-se na prestação de excelentes serviços de saúde, em várias ações de extensão à comunidade, na pesquisa e no ensino de qualidade para a formação de profissionais para o mercado de trabalho. Por isso, defendo que a UEL merece todo o respeito da sociedade londrinense, especialmente frente às adversidades. O acidente ocorrido no XXVI Congresso Brasileiro de Zoologia (CBZ) foi uma fatalidade, que deixa não só a UEL de luto, mas todos os londrinenses. Conhecendo os gestores e muitos profissionais que trabalham nessa grande instituição, posso imaginar a tristeza que sentem pelo lamentável imprevisto no prédio do CESA. A Embrapa também promove inúmeros eventos e, por isso, nossas equipes de trabalho colocaram-se no lugar dos organizadores e também puderam dimensionar sua consternação.
Como gestora de uma empresa pública, conheço bem os enormes esforços que diariamente são feitos para manter promissora uma instituição do porte da UEL. Se a universidade - como inúmeras outras organizações - enfrenta problemas estruturais em suas dependências, é hora de cada um desempenhar seu papel e prestar socorro a essa instituição, que representa tanto para Londrina. Sei que anos de profícuo trabalho não aliviam as consequências dos poucos minutos necessários a uma tragédia. Por todos esses motivos, solidarizo-me com toda a comunidade da UEL, especialmente com a reitora Lygia Pupatto que providenciou as investigações necessárias, vem acompanhando pessoalmente todas as providências em andamento e se acometeu de profundo pesar pelos falecimentos e pelos ferimentos em vários outros participantes do evento. Ao professor José Lopes, presidente do XXVI CBZ, também devemos nosso apoio e nossos cumprimentos, pois sabemos do entusiasmo com que coordenou uma equipe incumbida de organizar um evento daquela magnitude (cerca de 3.600 participantes).
Londrina e a UEL foram cenários do triste acidente. Mas temos certeza de que a coragem dos organizadores e dos gestores em prosseguir com a programação técnica do evento e suportar com altivez e transparência todas as consequências do triste fato demonstram o respeito por todos os participantes e o amor pela instituição e por aqueles que dela se orgulham.
VANIA BEATRIZ RODRIGUES CASTIGLIONI é chefe-geral da Embrapa Soja em Londrina

'Luz Para Todos' no Sul
Milton Mendes

O Programa Luz Para Todos é o maior programa de inclusão energética do planeta. Desde que foi implantado, vem conseguindo reduzir o absurdo número de 12 milhões de pessoas sem energia elétrica no Brasil. A meta do Governo Lula é que, até 2008, cada brasileiro tenha energia elétrica em sua casa. Na região Sul, a Eletrosul é a coordenadora do LPT, organizando em torno do programa, além dos recursos federais, governos estaduais, concessionárias de energia elétrica e cooperativas de eletrificação rural.
Nos estados de atuação da Eletrosul (Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso do Sul) o Programa já atendeu cerca de 50 mil domicílios, chegando a um total de 248 mil pessoas. É importante destacar que todos os trabalhos de instalação, inclusive o kit com tomada e bocal de luz, são, pela primeira vez na história do Brasil, gratuitos. Por isso, não surpreende o reconhecimento de milhões de pessoas mundo afora e no Brasil por este programa e o respeito que vem obtendo o Governo Lula.
O resultado do Programa Luz Para Todos é a redução do êxodo rural e o movimento inverso. Hoje, muitos estão voltando para o campo porque vêem perspectiva no meio rural, principalmente através da eletrificação.
Porque levar energia elétrica a uma propriedade rural não é apenas possibilitar que o agricultor e sua família disponham de maior conforto e melhor qualidade de vida, ou tenham acesso aos bens materiais como TV, rádio e máquina de lavar, mas oferecer a oportunidade de investimento e aumento da produção. Quando a luz é instalada, o passo seguinte é pensar em adquirir um freezer para armazenar ou melhorar a conservação dos produtos. Para otimizar a chegada da energia elétrica, o governo federal está organizando ações integradas, coordenando várias instituições federais para que possam juntas implementar políticas que gerem trabalho e renda ao agricultor depois que ele recebe a eletrificação rural. A Eletrosul se orgulha em participar do Programa Luz Para Todos e das ações integradas e de contribuir para o crescimento do Brasil.
MILTON MENDES é presidente da Eletrosul Centrais Elétricas S.A.

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