Fé, razão e modernidade

Clodomiro José Bannwart Júnior
  O espetáculo do futebol direciona olhares atentos para a Alemanha e os nossos, particularmente, para a taça do hexa. Sede da suntuosa festa dos craques da bola, a Alemanha tem a oportunidade de mostrar seu alto padrão de desenvolvimento. No plano cultural, há muito destaca-se com proeminentes nomes registrados na história do pensamento. Atualmente, dois filhos seus ocupam lugar de relevo: o filósofo Jürgen Habermas e o cardeal Ratzinger, atual Papa Bento XVI. A convivência com o nacional-socialismo e a vinculação compulsória à organização da juventude hitlerista marcaram aspectos comuns da biografia de ambos. Foram também testemunhas da Segunda Guerra Mundial e da amplitude dos danos morais provocados pelo nazismo.
  Habermas viu na vitória dos aliados, em 1945, a possibilidade de emancipação moral e passou a integrar uma geração que apostaria no estabelecimento do Estado de Direito como medida preventiva contra qualquer recaída na barbárie. Vinculado à Teoria Crítica percebeu que a razão, mantida na modernidade, orquestrava o sistema capitalista e o desenvolvimento técnico-científico, por meio de uma estrutura oculta de poder e dominação. A razão instrumentalizada havia se reduzido à mera indicadora de estratégias para a sobrevivência do capital e para a reprodução da tecnologia, sem alcançar a emancipação do homem. Seu diagnóstico: a razão moderna está em crise, devendo a mesma ser curada com o antídoto da própria razão.
  Ratzinger, por sua vez, enxergou no cristianismo do catolicismo romano um porto seguro capaz de direcionar os tempos vindouros e reorientar o pleno sentido da existência humana. Imunizado pela religião, foi durante anos o guardião da fé, a qual acredita ser o bálsamo para aliviar os males da modernidade.
  Desde os primórdios do cristianismo, fé e razão constituíram-se em pilares fundamentais de nossa visão ocidental de mundo. Não menos importante, neste início de século, é destacar a posição de Habermas e Ratzinger que assinalam a esperança de resgatar a importância dessas duas dimensões para o ser humano. Porém, a persistência da esperança sobrevem à consciência de que vivemos tempos marcados por uma fé descafeinada e por uma racionalidade que há muito deixou de refletir a si mesma.
  Cabe perguntar: como razão e fé podem gerir as incertezas e os problemas que se avolumam na modernidade? É possível que a razão e a fé deixem de ser conhecimentos, muitas vezes, cegos do próprio absolutismo, e passem a caminhar juntas em direção à verdade libertadora? Isto talvez seja possível quando a razão despir o seu caráter calculador e recuperar o potencial crítico e reflexivo, e, igualmente, quando a fé compreender que a verdade não é dogmática nem totalitária. Por sinal, a mensagem do Papa para 2006 traz, nesse sentido, um tema otimista: ‘‘Na verdade, a paz’’.
CLODOMIRO JOSÉ BANNWART JÚNIOR é professor do departamento de Filosofia da Universidade Estadual de Londrina


Somos todos estudantes e sempre aprendendo

Fábio Feitosa Afonso da Silva e
Alline Mikaela Pereira
  É tão rara a vida e tão difícil entender por que ela se vai tão facilmente. A juventude é tão bela e tão efêmera, muitas vezes vamos embora tão cedo, muito antes de compreender as coisas simples da vida, antes de compreender a falta que fazemos para aqueles que nos amam, antes mesmo de compreender o que é o amor.
  A nossa casa desabou, a tristeza nos cala, pois hoje somos em menor número. Contudo, devemos alimentar nossa alma para que o caminho de nossa vida seja trilhado de forma que os obstáculos sejam ultrapassados com fé. Todos nós somos estudantes apredendo a viver.
  O que devemos dizer aos que ficaram? Aqueles que nunca serão os mesmos. E quais as lamentações e as respostas que poderão substituir a dor de uma vida perdida?
  Saber que uma vida se perdeu e outras tantas estiveram ameaçadas por pouco, é angustiante e doloroso saber que a tristeza chegou ao coração de muitos. Que somente o tempo e a certeza de que uma nova estrela brilha no céu pode curar.
  Todas as palavras não podem trazer a simples companhia daquele que se foi ou mesmo tirar o tempo de angústia que muitos sentiram, mas gostaríamos de manifestar através delas nossos sentimentos.
  Não podemos garantir o amanhã sem que o nosso hoje se realize com harmonia e serenidade. Que o nosso guia para o futuro seja a esperança e a fé de que não são todos os bons que morrem jovens.
  Desejamos a todos força não apenas nesse momento, mas em todos os minutos. Crises como esta, infelizmente, ocorrem, mas é preciso fortalecer nossos sonhos. Que nossa meta seja um mundo novo para que nossos descendentes sintam orgulho de nossos esforços. Precisamos caminhar de mãos dadas. ‘‘É pelo sonho que vivemos, é pelo sonho que lutamos’’ (Movimento Estudantil Atairu).
FÁBIO FEITOSA AFONSO DA SILVA é estudante de Direito, coordenador do Movimento Estudantil Atairu (companheiros de viagem) e coordenador de Comunicação do Diretório Central dos Estudantes da UEL e ALLINE MIKAELA PEREIRA é estudante de Pedagogia e coordenadora do Movimento Estudantil Atairu

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