ESPAÇO ABERTO
Contra cotas para professores
Aguinaldo Pavão
Foi divulgado na imprensa que a Universidade do Mato Grosso decidiu reservar 5% de suas vagas para candidatos a professores declarados pardos ou negros. A meu ver, essa decisão é tremendamente equivocada. Embora o Ministério da Educação tenha simpatias com tal idéia, torço para que ela não se espalhe para o país. Temo muito que isso possa chegar bem perto de nós, aqui em Londrina. Seria uma lástima. Por que sou contra as cotas para professores? Primeiro, sou contra cotas em geral. Os meus ouvidos precisam de muita argumentação para dar algum crédito à idéia de cotas, ainda que pontuais. Naturalmente, sou contra também cotas para alunos negros na universidade. O ponto é muito simples: trata-se de preconceito racial contra os brancos. Os brancos ou quem não cair sob a proteção das cotas serão injustamente prejudicados em seus interesses.
Suponhamos um professor branco se prepara para um concurso. Ele não dispõe de cotas. Seu concorrente negro dispõe. É justa essa disparidade? Pergunto: qual culpa pode ser atribuída ao indivíduo X de cor branca? Porque, quer queiramos ou não, ele está sendo punido. Lembremos que os defensores das cotas falam em dívida histórica e social. Mas como aferir que determinado indivíduo branco participou e, portanto, cabe a ele uma espécie de imputação legal, das práticas discriminatórias do passado? O fato de alguém pertencer ao grupo dos que têm cor branca não o torna, por si só, culpado de nada. Portanto, ele não tem dívida a pagar simplesmente por ser branco. Se no passado ele ou sua família agiram de modo preconceituoso e obtiveram benefícios a partir dessa prática intencional, então caberia discutir o pagamento de uma dívida que ele tem. Se um indivíduo branco, bem como sua família, nunca praticou discriminação racial, nunca foi beneficiado por suas ações discriminatórias, por que ele tem de pagar alguma dívida?
Imaginemos agora as universidades selecionando professores não mais por critério de qualidade acadêmica, mas levando em conta, em vez de currículos e provas públicas, a cor do candidato. Não é simplesmente mais razoável pensarmos que, para um professor ingressar numa universidade, ele deve demonstrar competência intelectual, portanto, demonstrar mérito por qualidades outras que a cor de sua pele? É espantoso que alguém possa pensar diferente. Mas estamos aqui, nesse vale de lágrimas, nesse mundo sublunar onde muitas coisas se afiguram fantásticas.
É interessante notar que essa conversa de cotas é levantada, sobretudo pela chamada esquerda que, quando o tema é, por exemplo, criminalidade, grita que o problema deve ser tratado a partir de suas causas e não de seus efeitos. Eles parecem não perceber que as cotas significam justamente atacar os efeitos, não as causas. A qualidade do ensino básico e médio - vários estudos mostram isso - é miserável. Então que se invista aí. Estão preocupados com exclusão, mas a universidade não é o lugar para resolver isso. Universidade existe para formar elites, formadas a partir do mérito, do saber, uma elite intelectual, nem plutocrática nem baseada na cor da epiderme.
AGUINALDO PAVÃO é professor de Filosofia na Universidade Estadual de Londrina
Justiça gratuita: a fidelidade do advogado
Silvia Santana de Oliveira
Você confiaria em um advogado que diz estar defendendo-o por dinheiro, pura e simplesmente? A sua causa, na ótica dele, é só belo cifrão? Pois deveríamos pensar muito a esse respeito. E a respeito disso, podemos ver extirpados e decadentes o valor do ser humano, e a ética profissional? Os tempos são difíceis, mas não a ponto de reduzir o ser humano a nada.
Tenho sentido na pele a falta imprescindível e indiscutível do verdadeiro profissional do Direito. Daquele que abraça a sua causa até por orgulho de sua profissão, de ver alguém sendo denfendido e saindo vitorioso porque você o defendeu.
É como se o médico se recusasse a operar o advogado porque este não poderia pagar a cirurgia, e desse dependesse a sua própria vida. E, logo eu, que escolhi ser uma profissional de Direito.
Por isso, acho mais que louvável a atitude de algumas universidades que mantêm escritórios de assistência jurídica gratuita. Como exemplo, cito a Faccar, de Rolândia, onde tantas vezes ouvi críticas de um ou outro profissional com longa bagagem de profissão, mas que nada mais faz do que criticar o serviço de quem, com grande mérito, vem defendendo quem tanto precisa, mas não tem recursos.
Lembrando que a Bíblia diz que: Tudo que o homem planta isso ele também ceifará! Humanidade, solidariedade e respeito nunca são demais. Pelo contrário: faz falta e muito nesse sistema medíocre e mesquinho que estamos vivendo.
Aos profissionais que ainda acreditam que o ser humano está acima de qualquer valor, meus sinceros parabéns, e creio que vocês são dignos da profissão que escolheram. E, a vocês que acreditam que só são clientes aqueles que pagam (e caro), espero que nunca caiam nas mãos de um profissional que pensem como vocês.
Essa profissão é digna de ser bem remunerada, mas às vezes precisamos ser um pouco Robin Hood e saber quando, e de quem tirar. É sábio e digno, afinal é dignidade do ser humano o ideal das leis que tanto estudamos.
SILVIA SANTANA DE OLIVEIRA é estudante de Direito da Faccar de Rolândia
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