ESPAÇO ABERTO
Raiz de peroba na história de Londrina
Ninger Marena
Entre a esquina das ruas Espírito Santo e Brasil, sobrevivia um raro exemplar de uma casa feita em madeira de lei construída entre os anos de 1945-46 pelo pioneiro Kinji Imagaki, popularmente conhecido nessa época como José japonês. A casa sobreviveu nos últimos 60 anos a todas transformações acontecidas ao seu redor e na própria cidade, como os espigões que lhe roubavam o sol e o asfalto que lhe conferia um agradável ar pioneiro na condição de um marco nas transformações do quadro urbano de Londrina desde sua fundação em 1929.
Desabitada há algum tempo, nesta entrada de 2006 um misterioso incêndio decretou o seu triste final. No rescaldo do que restou descobriu-se entre seus alicerces um toco de uma peroba gigantesca com raízes profundas à qual na impossibilidade de arrancá-la, decidiu o pioneiro Imagaki deixá-la ali no já distante 1946, utilizando-o nos alicerces de sua moradia. Oculta pelas vigas, caibros, tábuas, eis que, reaparece ela, 60 anos depois na condição de o último dos moicanos petrificada pela ação do tempo e pelo trabalho dos minerais que um dia sustentaram essa forma de vida.
Em uma análise perfunctória, constatou-se em um primeiro momento que teria mais do que 110 anos, o que pôs perplexo o engenheiro João Alberto Verçosa, diretor de operações da CMTU, vislumbrando seu valor histórico. Era mais velha do que a própria cidade para a qual laborava. Refeitos do primeiro impacto, observou-se que na verdade sua vida, cessada ex-abrupto em 1946, teria se iniciado há mais de duzentos anos quando dominava toda esta região uma exuberante floresta tropical constituída de árvores nobres e centenárias.
Apesar de hoje morta, petrificada, o que restou desse majestoso vegetal faz-nos parar, chorar e refletir na irracionalidade do homem que nunca soube conviver com os seus contrários e mais ainda com a natureza. Em 1929 haveria centenas de milhares de perobas centenárias em toda a região de onde surgiria Londrina e com ela mais de 100 novos municípios paranaenses. Em 2006 tem-se apenas uma raiz como triste recordação da exuberância da floresta tropical que aqui existia. Durante mais de 200 anos esteve ela ali antes que surgissem as ruas Espírito Santo e Brasil. Ou antes que alguém pensasse na existência de uma cidade chamada Londrina.
Viu uma a uma suas companheiras desaparecerem e, por fim, até ela sentiu em si o amargo serrote do homem cujas marcas, 60 anos depois, é possível verificar no que restou de seu formidável tronco. Contando-nos de seu sofrimento e de seus anos de agonia sem sol ou chuva condenada a uma morte lenta. E mais de 200 anos depois, esse seu monumental vestígio foi removido na manhã de 23 de janeiro para o Campus da UEL. Último reduto das centenárias perobas que um dia existiram em toda a região. Depositada nos jardins do Restaurante Universitário ao lado de outras árvores jovens permitirá às novas gerações comparar o que temos hoje e o que se perdeu irremediavelmente. A crueldade do misterioso incêndio na residência do pioneiro Imagaki revelou-nos uma outra face da crueldade humana no formidável desrespeito à natureza. Restando-nos dela não mais do que uma gigantesca raiz do que um dia foi um exuberante vegetal.
NINGER MARENA é museólogo na Universidade Estadual de Londrina
Lula e as mamonas assassinas
Claudio Marques da Silva
Está provado. O presidente Lula é sim candidato à reeleição, caso contrário não teria tentado envenenar nosso governador com mamonas. A Abin deve ter passado informações equivocadas a Lula de que o governador ainda postulava subir a rampa do Palácio do Planalto. Guarde as mamonas para Garotinho, o candidato que é a garantia do retrocesso. Se Garotinho subir a rampa do Palácio Deus me livre , a classe média descerá a rampa da pobreza. Ele é o Hugo Chávez do Brasil.
Voltando à Abin, não sei o que ocorre com aquele órgão. O ex-diretor era um delegado de polícia brilhante, cruzou os portões da tal agência e... emburreceu repentinamente. No seu primeiro discurso defendeu a reeleição de Lula. Era um louco. O diretor atual, na falta do que fazer, dedicou horas a compor um hino e depois substituiu o antigo símbolo da agência por um carcará. Um jumento seria o ideal, isto sim seria um banho de autenticidade.
Lula até hoje afirma que não sabia da existência do mensalão. Acredito. Com um serviço de informações destes, fico admirado que Lula saiba onde fica o gabinete presidencial. A oposição não cogita o impeachment do presidente, mas já que ele, dentre 180 milhões de brasileiros, afirma ser o mais ético de todos deveria renunciar. O problema é que o vice José Alencar não é recomendável e o presidente da Câmara, o comunista subserviente Aldo Rebelo, não inspira confiança. Em um de seus projetos defendeu que 31 de outubro fosse declarado dia nacional do Saci.
Entre Lula que não acredita na existência do mensalão e Rebelo que acredita no Saci, não sei qual é pior. Neste caso, é melhor que Lula permaneça jogando pelada, comendo churrasco e tomando cachaça na Granja do Torto até o último dia de seu mandato. José Dirceu, depois de proferir palestras em Caracas refugiou-se em Cuba. Bob, seu fiel escudeiro deve estar morrendo de ciúmes de Fidel Castro. Passarinhos de mesma cor gostam de voar juntos, idiotas também. Esta é a única explicação para a atração existente entre José Dirceu, Fidel Castro e Hugo Chávez.
Margareth Tatcher afirmou com muita propriedade que a democracia não é a garantia de que os melhores governarão, mas a garantia de que os piores não governarão para sempre. Neste caso, adeus Lula, mas antes não se esqueça de servir mamona ao Garotinho e a todos os envolvidos no mensalão.
CLAUDIO MARQUES DA SILVA é delegado de polícia da Comarca de Nova Fátima (PR)
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