Insegurança: financeira e sexual

Moacir Costa
  A crise econômica, a inadimplência, a falta de dinheiro para pagar as contas no final do mês, a preocupação em comprar alimentos e remédios mais baratos, enfim uma infinidade de itens que devem ser administrados no dia-a-dia da maioria da população brasileira, acaba comprometendo a saúde e o bem-estar.
  É crescente o número de pessoas que procuram os consultórios médicos, angustiadas com o aumento da sua pressão arterial, apesar de não terem nem 45 anos e ainda outros sintomas, como pânico, problemas gastro-intestinais, enxaquecas intermináveis, distúrbios que muitas vezes não apresentam um fator ou lesão orgânica. É o estado emocional, carregado de incertezas e medos que desestabiliza o equilíbrio psicológico, tornando as pessoas mais tristes e deprimidas.
  A vida afetiva, o companheirismo, a amizade ficam abalados nesses períodos estressantes. As mágoas e ressentimentos, até então superados, são reativados e voltam a comprometer a vida a dois, e a sexualidade deixa de ser um ponto de apoio e prazer passando a ser uma fonte de frustração. Os desentendimentos aumentam, a agressividade e a violência estão cada vez mais presentes no cotidiano das pessoas.
  A ausência de desejo e outros distúrbios sexuais passam a ser queixas constantes nos consultórios contribuindo para um número crescente de casais infelizes e insatisfeitos.
  Uma boa conversa, se mostrar atencioso(a) com o(a) parceiro(a) é uma forma do casal, independente da idade, encontrar meios ou estratégias para reformular planos e projetos de vida.
  Cuidar da saúde preventivamente, evitar as drogas, começando por álcool, cigarro, tranqüilizantes e reservar um horário para exercícios e valorizar mais o lazer é uma forma de contribuir para uma melhora da qualidade de vida. Isso aumenta a admiração, estimula o contato físico e a sexualidade é reavivada nos dias atuais, com ajuda médica e psicológica e quando necessário associado a medicamento que pelo seu efeito prolongado (36 hs) permite aos homens inseguros a retomada da confiança sexual que beneficia positivamente o relacionamento amoroso.
  Nos momentos de crise financeira, a boa parceria, a solidariedade, a amizade sincera, e o amor são os melhores ingredientes para enfrentar essas crises que podem ser mais facilmente superadas e dessa maneira contribuir para uma melhor sintonização com o lado positivo da vida.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo e mantém um serviço gratuito de esclarecimento de dúvidas sobre sexo pelo 0800-770-6543. Mais informações no site: www.projetoamarbem.com.br


A Amazônia e a sexualidade do brasileiro

Márcio Dantas de Menezes
  Em um só ano, de agosto de 2003 a agosto de 2004, o Brasil perdeu 26.130 km2 de floresta amazônica, uma área superior ao Estado de Sergipe (21.863 km2) e quase do tamanho do Estado de Alagoas (29.107 km2), conforme divulgou recentemente o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o Inpe.
  Na prática, 1,3 bilhão de árvores foram derrubadas e 46,5 milhões de aves e 1,5 milhão de primatas foram afetados, segundo uma estimativa feita por pesquisadores brasileiros e publicada na revista do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP). Com essa avaliação, os cientistas autores do estudo mostram que, por trás dos anúncios oficiais de índices e planos contra a ação dos desmatadores, existe um impacto na biodiversidade e na disponibilidade de recursos naturais difícil de ser recuperado.
  Calcula-se que perdemos, no curto tempo de um ano, de 1,17 bilhão a 1,43 bilhão de árvores, que foram cortadas e queimadas e, se colocadas lado a lado, dariam mais de três voltas ao redor da Terra. O mesmo cálculo internacionalmente aceito dá como certo que o desmatamento afetou a vida de 43 a 50 milhões de aves e de 914 mil a 2,1 milhões de primatas.
  A solução é aparentemente simples, mas difícil de ser posta em prática: desmatamento zero e aproveitamento sustentável do território, conforme proposta apresentada pelo Museu Goeldi há alguns anos, mas para que essa proposta seja viabilizada seria necessário um grande pacto entre governos da região amazônica, o governo federal e o setor produtivo. Não é preciso derrubar mais árvores. O aproveitamento de solos degradados pelo desmatamento já integra projetos na região amazônica, entre eles o da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em parceria com o Incra - Instituto Brasileiro de Colonização e Reforma Agrária.
   O que falta é ‘‘vontade política’’, como se costuma dizer no jargão partidário. A mesma ‘‘vontade política’’ que faça o governo autorizar a produção de um genérico a preço baixo para os Viagras, Levitras e Cialis, democratizando as relações sexuais e colocando-as ao alcance dos portadores de disfunção erétil de baixa renda.
  A preservação da Amazônia, assim como do Pantanal e da Mata Atlântica, é vital para a saúde do planeta que iremos deixar para as futuras gerações, assim como dar condições de todos podermos exercer uma vida sexual plena e gratificante é igualmente importante para a sociedade como um todo. ‘‘Sexo para todos’’ é uma bandeira, a nosso ver, tão importante quanto uma postura ecológica correta.
MÁRCIO DANTAS DE MENEZES é cirurgião vascular em Londrina, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Sexual e conselheiro consultivo da Sociedade Brasileira de Estética Médica (Regional São Paulo)


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