ESPAÇO ABERTO
Atenção especial aos idosos
Osvaldo Cardoso Ribeiro
As autoridades governantes aliadas à sociedade precisam envidar esforços em projetos para melhorar a qualidade de vida dos idosos. Londrina abraça uma população superior a 40 mil cidadãos que já ultrapassaram a faixa dos 60 anos e fazem jus a especial atenção. O geriatra londrinense Marcos Cabrera, em recente palestra na UEL, disse que ''a natureza nos reserva o direito de viver muito bem até morrer''. Para um viver bem é preciso que haja a colaboração de todos organismos da sociedade. Ações sociais são lembradas.
Em 7 de abril de 1948 surgiu a Organização Mundial da Saúde (OMS) com idéias promissoras objetivando qualidade de vida. Nasceu o ''Dia Mundial da Saúde'' e anualmente a data é celebrada e se busca a conscientização dando ênfase à importância dos efeitos benéficos dos cuidados com a saúde humana. Segundo os profissionais da Medicina, a maior causa de doenças cardiovasculares, diabetes e obesidade é a falta de atividade física. A própria Organização Mundial da Saúde estima que os sedentários causam mais de 2 milhões de mortes anuais.
Um terço dos cânceres pode ser prevenido ao adotar uma alimentação saudável, manter um peso normal e fazer atividades físicas regulares no decorrer da vida. Fala-se muito na terceira idade e até usam-na para fins políticos conduzindo espertalhões voluntários ao poder e esses aposentados são iludidos através dos facilitados empréstimos que os conduzem à triste realidade dos explorados pelo capitalismo. Isso é certo?
É triste saber que as estatísticas mostram que 80% das cardiopatias coronárias prematuras deve-se à falta de exercícios físicos. A inatividade associada a uma alimentação inadequada e ao tabagismo abrevia a vida. A atividade física reduz os índices de violência entre os jovens e favorece estilos e vida em que dificilmente estão presentes o tabagismo e o consumo de drogas ilícitas.
Além disso, entre pessoas de idade mais avançada diminui a sensação de isolamento e de solidão, melhorando inclusive a agilidade física e mental. Já que quase nada é feito pelas autoridades em benefício dos idosos, que sejam bem-vindas as atividades físicas como instrumento fundamental de promoção da saúde e melhoria da qualidade de vida. Caminhem pelo Igapó, perto de suas casas, aonde puder, só não fiquem parados diante da tevê e acomodados na cama ou no sofá. Mexam-se, exercício é remédio.
Autoridades dêem atenção aos idosos criando não apenas ''bailinhos'' e palestras ''teóricas'', mas programa sério que ajude a terceira idade em vários aspectos de sua vida. Devemos discutir e buscar soluções reais para que a terceira idade tenha qualidade de vida. A velhice é um chegar de cada um de nós, inevitavelmente há de vir. Unamo-nos para um futuro melhor e mais feliz!
OSVALDO CARDOSO RIBEIRO é professor e jornalista em Londrina
Combater a poluição
Reinaldo Mathias Ferreira
Para colaborar ainda mais com os lucros do sistema financeiro, o governo decidiu permitir que os aposentados e pensionistas fizessem empréstimos com parcelas descontadas na folha de pagamentos. Não há risco de perda para os credores, mas os minguados saldos a receber, antes insuficientes para a maioria, tornar-se-ão ainda menores. O custo desses empréstimos é ''atrativo'': mais ou menos o dobro do que pagariam esses credores pelo mesmo dinheiro aplicado em caderneta de poupança, por exemplo.
Contando com a atrativa facilidade, proliferaram Brasil afora as financeiras e com elas os apelos mais variados para atrair a possível vítima para a armadilha: emporcalham as cidades com anúncios pregados em postes, paredes e placas, atezanam os passantes para fazê-los pegar um papelucho que muitas vezes vai entupir os bueiros, abordam para convencer a fazer um cartão.
Nesse embalo, também as lojas assediam as pessoas para que gastem ali essa ''dinheirama''. Na verdade, estão também vendendo dinheiro porque o preço à vista é igual ao parcelado, evidentemente com os juros embutidos. Caem os incautos na arapuca de financeiras e lojas. Não por falta de aviso dos que entendem de fato de economia.
Inevitável, porém, para cautos e incautos é a poluição sonora que causam, contratando especialistas em fazer barulho para divulgar seus produtos numa ''ladainha'' massacrante. É preciso ganhar ''no grito'', e o sossego pública que se dane. Na verdade é a contrapropaganda porque irrita e afugenta os possíveis fregueses.
A professora Maria Elisa Oliveira Picanço, da Universidade de Fortaleza, depois de medições de ruídos alerta: ''Segundo a Norma NBR 10152 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), os níveis de ruído não deveriam ultrapassar 50db (NPS), permanecendo abaixo da voz humana, que é de 60db em intensidade normal''.
Os níveis de ruídos estão estabelecidos tanto na Constituição como nos Códigos de Posturas dos Municípios, mas as infrações são constantes porque a fiscalização se faz por amostragem ou por denúncia. Esta nem sempre atendida pela fiscalização.
Para minimizar o problema ao menos da poluição sonora, seria interessante que as licenças (ou alvarás) para quem se proponha a fazer anúncios ruidosos estivessem condicionadas à obrigação de ser exposto um decibelímetro ao lado da fonte, de modo que a própria população pudesse verificar e denunciar com mais certeza o nível do ruído. Um decibelímetro custa em torno de R$ 800,00. Belo castigo para o bolso de quem tem abusado impunemente de nossa paciência.
REINALDO MATHIAS FERREIRA é escritor e professor em Londrina





