ESPAÇO ABERTO
Cirurgia para aumentar o pênis
Moacir Costa
Apesar de muitos homens se mostrarem insatisfeitos com o tamanho do seu pênis, raramente comentam isso com suas parceiras e jamais com os amigos. A contrário, preferem muitas vezes contar vantagens e proezas sexuais. Nós, médicos, no consultório, sabemos que essa queixa vem sempre carregada de angústia e baixa estima. Essa preocupação com o tamanho do pênis ou do documento para certos pais, começa cedo quando o menino se mostra medroso e pouco confrontador (na sua maioria com pai ausente) e passa a ser mais acentuada na puberdade quando o relógio biológico provoca mudanças significativas no corpo.
As comparações e gozações com os colegas no vestiário da escola ou do clube e mais tarde nos banheiros públicos são inevitáveis e motivos de vergonha. Como vivemos num mundo onde o desempenho e a performance estão sendo sempre avaliados, buscam-se ou inventam-se soluções para todas as insatisfações; com o pênis não poderia ser diferente. É importante lembrar que o tamanho do pênis flácido é bastante variável (5 a 15 cm) e nos estados de preocupação se mostra menor e retraído devido ao aumento da adrenalina circulante no homem ansioso.
Por outro lado, é bom lembrar que um pênis de 10 cm em ereção pode ser mais estimulante e propiciar orgasmos mais intensos que um pênis maior, de 18 cm ou 20 cm, em virtude da habilidade e maneira de tocar e excitar a parceira. As soluções mágicas estão sempre à disposição nos classificados de jornais e revistas. Infelizmente, o homem insatisfeito acredita que o seu insucesso com as mulheres ou a sua falta de destaque na vida social e profissional está relacionada em parte a sua insegurança com seu pênis e não vacila em buscar uma solução milagrosa como a proposta de uma cirurgia para aumentar em 1 cm ou 2 cm o seu pênis. É uma cirurgia experimental sem base científica.
Uma das cirurgias realizadas por alguns profissionais, remove a gordura da região pubiana para abaixar a inserção do escroto e deixar o pênis mais exposto, melhorando a aparência e não o tamanho. A outra cirurgia, corta o ligamento suspensor (sustenta o pênis), trazendo-o mais para frente e para baixo aumentando-o em 2 cm. Os riscos são inúmeros, inclusive com chance de redução da sensibilidade peniana e comprometimento da potência.
Na realidade, o que falta nesses homens não são centímetros a mais de pênis, mas sim uma boa dose de autoconfiança, ousadia e maior sensibilidade para descobrir os caminhos que tornam a mulher sexualmente mais feliz. Evite fazer do seu pênis uma arma, a vítima pode ser você.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo e mantém um serviço gratuito de esclarecimento de dúvidas sobre sexo pelo 0800-770-6543. Mais informações pelo site: www.projetoamarbem.com.brtarde, que a decisÂo final sÈbre o assunto apenas ser adotada depois da reuniÂo prevista para hoje. ReforÔando tal informaÔÂo, transpirou no Palcio das Laranjeiras que o Ato Complementar nº 7, que definir o problema, ser anunciado apenas na terça-feira.
Patrimônio histórico em cinzas
Humberto Yamaki
Incêndio destrói casa no Centro... A casa menor que sobrou será demolida pela CMTU para doação a um projeto social para reaproveitamento do material, noticiaram os jornais no final da semana passada. Dois aspectos merecem ser ressaltados. O primeiro é sobre o valor da edificação destruída. O conjunto de casas da família Inagaki era um dos raros exemplares bem conservados de arquitetura de madeira construída em Londrina pelo mestre carpinteiro Matsunaga e equipe nos anos 50. Sua fachada com telhado em estilo nipônico, os ornamentos e detalhes de forte carga simbólica além do jardim eclético, refletiam um momento de reafirmação de técnicas construtivas e identidades.
Na realidade, a casa de cor ocre na esquina da Avenida Brasil com a Rua Espírito Santo, agonizava há algum tempo. Fechada durante anos, veio sofrendo atos de vandalismo e invasões que se intensificaram nos últimos meses. Resultou em processo de rápida deterioração que culminou no incêndio. É um clássico exemplo de casa fechada, depredação, invasão e finalmente destruição. Expõe a fragilidade e dificuldade na preservação do acervo de construções de madeira na região.
Outro aspecto importante a ser considerado é a demolição da casa que sobreviveu às chamas para reaproveitamento do material. Apesar de saber da importância de atendimento aos projetos sociais, não podemos deixar de manifestar preocupação na destruição do patrimônio arquitetônico para transformá-lo em um monte de tábuas e tijolos. Preocupação com o não-reconhecimento da técnica construtiva aplicada, da cultura arquitetônica, do chamado patrimônio imaterial. Por se tratar de assunto de certa especificidade, é importante a criação de mecanismos de consulta entre a CMTU e a Diretoria de Patrimônio Histórico. A demolição como medida última.
Havia na proposta do Plano Diretor de Preservação do Patrimônio Cultural de Londrina (2003), a indicação da necessidade de se criar um Banco de Madeira. Um estoque estratégico de peças de demolição, principalmente peroba e outras espécies nobres, para reutilização na manutenção e preservação do acervo de construções históricas e significativas de madeira. Hoje, passando pela esquina da Brasil, o que se vê é um terreno vazio. Pessoas mais sensíveis notarão que alguma coisa falta naquele local. Patrimônio é assim, muitas vezes percebe-se o real valor somente com o seu desaparecimento. É urgente a necessidade de aprovação da Lei de Preservação do Patrimônio Cultural de Londrina e dos mecanismos complementares.
HUMBERTO YAMAKI é docente do mestrado em Geografia, Meio Ambiente e Desenvolvimento na Universidade Estadual de Londrina
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