O que os municípios esperam de 2006

Luiz Sorvos
  O levantamento divulgado pelo Ibam (Instituto Brasileiro de Administração Municipal) sobre a distribuição dos recursos entre a União, os Estados e os Municípios – publicado pela Folha – joga um balde de água fria sobre as cabeças dos críticos dos prefeitos paranaenses.
  Incontestáveis, os dados – extraídos da Portaria nº 458/2005, da Secretaria do Tesouro Nacional – confirmam o que a Associação dos Municípios do Paraná vem afirmando com insistência há vários anos: mesmo com o aumento do FPM (Fundo de Participação dos Municípios), continua havendo uma brutal desproporção entre o aumento de receita e de despesas das prefeituras. Além disso, também vem ocorrendo uma forte concentração de recursos nos cofres da União.
  Vamos aos números. De acordo com o Ibam, o crescimento acumulado do FPM de 2000 a 2005 ficou bem abaixo da inflação e dos reajustes do salário-mínimo. Basta dizer que, de maio de 2000 a abril de 2005, o FPM cresceu 90,47%%, o salário mínimo aumentou 91,12% e a inflação do IGP/FGV, 91,11%. E as perdas se agravam ainda mais de 2002 a 2005. Neste período, o FPM aumentou 36,26%, o salário-mínimo 44,44% e a inflação do IGP/FGV, 52,07%.
  É verdade que, considerando o caso do Paraná, o FPM – principal fonte de receita de 70% das cidades paranaenses – aumentou 25% em 2005 na comparação com 2004, passando de R$ 1,43 bilhão para R$ 1,79 bilhão. Mas isto pouco representa em termos financeiros, na comparação com os aumentos de despesas que ocorreram no mesmo período.
  É fundamental explicar claramente ao leitor o que isto significa. Na prática, esta desproporção entre o que os municípios recebem e o que gastam se traduz em uma brutal dificuldade dos prefeitos de fazer investimentos nos municípios, inclusive no setor social e nas áreas que influenciam diretamente a vida dos cidadãos. Os recursos que os municípios recebem mal não suficientes para cobrir a folha de pagamento das prefeituras e as despesas correntes – como água, luz, telefone e a manutenção da máquina pública.
  Diante deste cenário de crise, compreende-se porque os municípios insistem em reivindicar uma distribuição mais justa de recursos. Quando somos eleitos, elaboramos planos de governo e temos sonhos que não podem nunca ser executados com o que recebemos de verbas. Já está mais do que na hora de mudarmos este quadro. É o que esperamos que ocorra, ao longo de 2006, com a ajuda e a compreensão da população dos nossos municípios.
LUIZ SORVOS é presidente da Associação dos Municípios do Paraná e prefeito de Nova Olímpia


A insensatez

  Com exceção de telefones celulares, câmeras digitais e televisores de alta tecnologia, o desempenho das vendas ficou abaixo do esperado. O ano passado foi o ano da dilatação do número de prestações, ‘‘quer pagar quanto por mês...?’’
  Nos Estados Unidos há uma expressão que define a condição fundamental do varejo: ‘‘no parking, no business’’, ou sem estacionamento não há negócio. Aqui novas máximas surgem, como ‘‘sem crédito não há negócio’’, ou ‘‘sem promoção não há vendas’’.
  Concentração brutal de renda. Por razões conhecidas, desde décadas optamos por um modelo que privilegia o ganho financeiro e inibe a produção. Não há crescimento para gerar empregos, nem aumento da renda de quem já está trabalhando.
  O aumento da renda acontece somente no bolso de quem já ostenta receitas acima da média. As classes B, C e D, que formam a massa de consumo, com demandas a serem satisfeitas, em vez de aumento, experimentam sucessivas quedas de renda. O crédito virou tábua de salvação.
  Rico já tem tudo. Por maior e mais refinado que seja seu apetite, não consegue almoçar e jantar duas vezes por dia. Quem realmente alavanca a indústria de bens e serviços são as pessoas que ainda estão fazendo a vida, criando filhos e batalhando para realizar seus sonhos. Com que dinheiro?
  Enquanto a sensatez não for restabelecida por aqui, empreender virou atividade de altíssimo risco. Pesada carga tributária, juros elevados, escassez de capital, custos operacionais em ascensão, leis trabalhistas arcaicas, burocracia e desesperança política. Com que ânimo?
  Mais de 50% do tempo das pessoas são gastos com o trabalho de pagar impostos, cumprir obrigações improdutivas. Sobra pouco tempo e recursos para investir em inovações de produtos e, de processos que resultariam em maior produtividade e colocariam nossas empresas no rumo da competitividade internacional.
  Ser empresário é um ato de coragem, para não usar aqui um termo que soaria pejorativo. O que nos salva é a determinação de empreendedores obstinados em tocar um negócio próprio, gerar empregos e disputar a preferência do consumidor.
  Honrando a vocação de locomotivas, as pessoas do mundo corporativo precisam ir além da dinâmica do mercado e ousar mais. Conceber produtos e serviços dentro do nosso padrão de renda. A ginástica de preços menores com qualidade compatível, respeitando o consumidor.
  Rever tudo mais uma vez. Distribuição multicanal. Maior agressividade comercial. Atendimento personalizado, política de fidelização de clientes. Engenharia financeira. Treinamento, equipe enxuta, competente e autogerida. Construir parcerias ao longo da cadeia produtiva. Informações confiáveis. Trabalhar o lucro.
Moacir Moura é palestrante, consultor de varejo e especialista em gestão e motivação de pessoas em Curitiba


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