Universitários precisam fazer jus a dois diplomas

Clemente Ivo Juliatto
  Nos contatos que tenho com os universitários, sempre os desafio a, no dia da formatura, fazerem jus a dois diplomas, ao invés de um apenas: um de competente profissional na área específica de estudos de seu curso e outro de ‘‘gente boa’’. Ambos os diplomas devem, naturalmente, ser conquistados por merecimento. O primeiro por terem aprendido as lições básicas de ciência, e o segundo por terem aprendido, também com os seus mestres, importantes lições de vida.
  Concordo com Duderstadt, em sua obra ‘‘Uma Universidade para o Século XXI’’: ‘‘O mundo vai ser sempre olhado pela qualidade das pessoas. Na era do conhecimento, na qual as pessoas educadas e suas idéias se tornam a riqueza das nações, a universidade nunca foi mais importante, e o valor de uma educação universitária melhor avaliado.’’ O que se espera, no entanto, é que essa privilegiada instituição não venha a frustrar o mundo, o nosso país e a juventude que nela confia.
  Com persistência e até com voracidade, na universidade devemos buscar o conhecimento por todos os meios. Há mais de dois séculos, Benjamin Franklin já garantia que ‘‘investir no conhecimento rende sempre melhores juros’’. Na era do conhecimento, como está sendo denominada a fase histórica que atravessamos, o conhecimento é muito engrandecido. Penso, entretanto, que não devemos nos contentar com qualquer conhecimento, mas com aquele que é verdadeiro, útil, capaz de transformar e de melhorar a nossa vida e a da sociedade. Vale aqui o alerta de Charles de Foucauld, declarado bem-aventurado, há poucos meses, pelo Papa Bento XVI: ‘‘A ciência só aumenta a nossa gaiola, não a abre’’. Numa universidade, deve-se, portanto, ir além da aquisição do conhecimento. É preciso sair em busca da verdade, que nos liberta e transforma. Aliás, este é o conceito original de Universidade, que não me canso de repetir: ‘‘uma comunidade de mestres e discípulos irmanados na busca da verdade’’.
  E o que é a verdade? Entendo que a verdade seja o conhecimento conseqüente, carregado de significado e de implicações. Eu diria que numa universidade católica deve-se ir ainda além: dar um passo adicional em busca da sabedoria. Passar do conhecimento à verdade e desta, quando possível, à sabedoria, que é a aplicação da verdade à vida. Enquanto o conhecimento se aloja na cabeça, a sabedoria mora no coração. O sabido tem a cabeça cheia; o sábio, além da mente esclarecida, tem o coração sensível, generoso e voltado para as boas causas. Heráclito, já na Antigüidade, observou que ‘‘saber muitas coisas não ensina a ser sábio’’.
  Quando inauguramos a Biblioteca Central da PUCPR, fizemos questão de gravar na placa de bronze alusiva ao evento: ‘‘A sabedoria construiu para si uma casa’’, pensamento retirado do livro dos Provérbios (9,1). Imagino, e ardentemente desejo, que a PUCPR seja a morada da sabedoria. Para formar profissionais competentes e ‘‘gente boa’’, definitivamente, precisamos de ciência e de sabedoria. A propósito, vem-me à mente aquela frase grafitada por um estudante gaiato na carteira de uma universidade espanhola: ‘‘A sabedoria me persegue, mas eu sou mais rápido!’’ É preciso, então, que a PUCPR deixe impressa a sua marca, de modo indelével, primeiro na alma dos seus professores e depois na alma dos seus estudantes.
  Mais do que o lugar da informação, a Universidade Católica deve ser o lugar da formação. Tanto melhor é a universidade, quanto mais se dedica à formação dos seus estudantes. Considero fundamental transformar as salas de aula e todos os espaços universitários em laboratórios de formação.
CLEMENTE IVO JULIATTO é reitor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná e integra a Academia Paranaense de Letras


Um legado para o cafeicultor

Mauro Rian da Silva
  A utilização de malha para café oferece proteção contra geada e melhores colheitas. O sistema é fácil e implementar. Num pé de café de mais ou menos 1,6m de altura, com características de pinheiro é o ideal. Plantar o café em linha.
  Utilizar uma malha tipo sombrite, que não passe os grãos de café. Estendidas debaixo dos pés de café uma de cada lado, essas malhas deverão ter a largura do tronco ao ponteiro do pé de café.
  Quando estas malhas estiverem estendidas de cada lado da linha de pés de café, abotoa-se nos troncos de ponta a ponta as duas malhas, para que se torne uma só.
  Quando for a época propícia, realizar este processo.
  Quando as malhas estiverem estendidas e fechadas embaixo, na época de frio intenso, pega-se as duas laterais e abotoa em cima do ponteiro do cafeeiro fechando de fora a fora, para que a linha dos pés de café fique totalmente revestida por essa malha, assim o café terá proteção contra geadas.
  Esta é uma utilidade para a malha, a outra é para a colheita. Na época de colheita pega-se esta malha já estendida e desce até a altura da saia dos pés de café e amarra-se, para que fique como um guarda-chuva de ponta cabeça, de fora a fora, na rua dos pés de café.
  A idéia é que na colheita dos frutos, eles não caiam no chão, serão colhidos do tipo cereja para seco, melhorando a qualidade da bebida. A lavoura será carpida, propiciando maior quantidade de matéria orgânica no solo, sem necessidade de arruação para a colheita.
  Esta idéia melhorará o trato com a lavoura, protegendo contra geadas e gerando melhores colheitas.
  Acontecerão também outros benefícios, por exemplo: servirá está malha como uma espécie de terreiro; os frutos serão colhidos no ponto certo sem necessidade de pressa; não será feita arruação melhorando a qualidade do solo; a colheita será feita quando o agricultor quiser, retirando os grãos somente secos da malha; haverá economia de mão-de-obra, pois não haverá necessidade de muita gente no trato com a lavoura; não havendo contato com o chão a bebida será 100% melhor; haverá zero por cento de perda, o café de pé cairá somente na malha.
MAURO RIAN DA SILVA é cafeicultor em Londrina


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