Capacitação imprescindível

Charles Sampaio
  Um programa de capacitação profissional, desenvolvido pela GS1 Brasil, que atende a portadores de deficiência mental leve e limítrofe, é um exemplo do esforço para inserir essas pessoas no contexto de um trabalho que agrega valor à sociedade. A iniciativa é focada no desenvolvimento de aptidões para o trabalho em redes varejistas pelo país afora.
  Dentre os trabalhos feitos com as pessoas envolvidas no programa, incluem-se o de treinamento de técnicas de comunicação oral e escrita, raciocínio lógico, associação da linguagem verbal e não verbal, exercícios de conversação, cálculo matemático, além do desenvolvimento de temas da atualidade e geração de debates em grupo. Também são oferecidos treinamentos em informática e em atividades de mensageiros internos.
  O projeto, que teve início em 2001, já auxiliou cerca de 45 pessoas desde sua criação. Atualmente, o programa, junto com alguns parceiros, está focado na colocação dos profissionais atendidos no mercado de trabalho. A iniciativa, vale ressaltar, atende pelo menos dois itens da importante Campanha da ONU ‘‘Oito jeitos de mudar o mundo’’: educação básica de qualidade para todos e todo mundo trabalhando pelo desenvolvimento.
  A prática de ações de promoção social, implementando programas de treinamento e educação voltados à capacitação profissional, vem de encontro ao engajamento crescente de empresas e instituições no chamado Terceiro Setor. Entidades com a GS1 Brasil, cuja missão é implementar e disseminar globalmente padrões para melhoria das cadeias de suprimentos, um dos pilares da nova economia, tem o dever de desenvolver propostas como essa.
  Além disso, a inclusão destas pessoas no mercado de trabalho, transformando-as em participantes da população economicamente ativa, traz um enorme benefício ao País. Ganha a sociedade, que aprende a conviver com a diversidade, e ganha a economia do País, com mais um consumidor direto.
Charles Sampaio é gerente de Planejamento e Controle Financeiro da GS1 Brasil


Policial precisa de autocontrole

Pedro Paulo de Souza
  Ao contrário do que consta da matéria veiculada na Folha de Londrina, extraída de entrevista realizada com um policial-militar (‘‘Entre eu e o bandido, quem chora é a mãe dele’’), um policial não deve ser frio no tratamento dispensado à população. Muito menos entender que vítimas de crimes são números.
  Ao tomar uma decisão, um policial, além de considerar os fatores técnicos, policiais e jurídicos, garantias de sua ação, deve se colocar na mesma posição da vítima, pois somente assim poderá entendê-la melhor. Somente compreendendo a dor, a angústia e o desespero da vítima, poderá um policial devolver um mínimo de sentimento de tranqüilidade e segurança do qual precisa. Ao dar atendimento a alguém baleado ou acidentado, o policial deve tratar aquela pessoa como se fosse o seu parente mais próximo.
  Esse respeito não deve ser conferido somente às vítimas. Até mesmo às pessoas que são presas em flagrante delito devem ser tratadas de forma digna. Deve-se salientar que estas pessoas ainda não são consideradas culpadas diante do princípio da presunção da inocência. A utilização de força contra um criminoso não denota nem de longe desrespeito aos seus direitos e garantias individuais, desde que este resista a uma ação legal desencadeada pelo agente policial e que a utilização de força feita pelo policial seja moderada.
  De conseguinte, um policial somente pode tirar a vida de alguém na medida em que a sua vida ou a de outrem esteja, no mínimo, em iminente perigo. Caso contrário, a ação estará eivada de arbitrariedade. Um policial que vê na violência algo normal está na profissão errada.
  Cada vez que um policial militar retira a vida de alguém no estrito cumprimento do dever legal, ele sente o peso da gravidade que possui o fato de se matar um semelhante. Uma troca de tiros é sempre um momento extremamente traumático.
  Não rara a eclosão de acontecimentos que fazem verter lágrimas policiais. O que o policial precisa, neste momento, não é de frieza, mas de autocontrole. Evidente que, para que um profissional possa trabalhar com abnegação e dedicação à causa alheia, é curial que ele sinta amor pelo que faz. Se um policial quer ser enfermeiro, enfermeiro deve ser, mas nunca um policial. A aplicação na polícia de pessoas que não querem ser policiais pode trazer conseqüências que culminem no tratamento inadequado prestado para a população.
  As opiniões destacadas, portanto, não retratam os ensinamentos da Polícia Militar. A idéia enfatizada é a de que o ser humano deve ser tratado com respeito, cordialidade, atenção, paciência etc. Óbvio que, em uma troca de tiros, entre a vida do policial e a vida do agressor, deve prevalecer aquela.
PEDRO PAULO DE SOUZA é assessor de imprensa do 5º Batalhão da Polícia Militar


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