As várias faces de um homem de guerra
Abraham Shapiro

Judeus de todo o mundo - e também de Londrina e região Norte do Paraná - vivem um momento de tristeza e preocupação pelos últimos acontecimentos envolvendo a saúde do Primeiro Ministro de Israel, Ariel Sharon.
As atenções apreensivas se voltam para os desdobramentos do atual quadro e de suas consequências sobre a conjuntura política do Oriente Médio.
Sharon é um líder que sempre demonstrou grande coragem e capacidade de decisão em questões de segurança e estabilidade do Estado de Israel e, por conseguinte, do bem-estar de israelenses e israelitas do mundo todo. Foi general brilhante e estrategista duro, destacando-se pelos atos ousados e resolutos em todas as guerras que Israel enfrentou.
É um líder marcante e tem conduzido com esmero a tarefa de encontrar alternativas que assegurem a segurança do Estado de Israel, de sua população e a continuidade de seu futuro progressista em convivência com seus vizinhos.
Viabilizou cenários que recentemente potencializam à Autoridade Palestina demonstrar ao mundo sua capacidade de organização e de produzir resultados concretos nas dificuldades sociais de sua população. Apesar de todas as dificuldades reais para que esta realidade se consolide rapidamente - em função de discordâncias internas das várias facções palestinas - pode-se dizer que Sharon surpreendeu o mundo com sua recente decisão de desocupação de territórios em poder de Israel há mais de 30 anos. Os frutos disso, a médio prazo, poderão ser a paz, o desenvolvimento econômico de toda a região e seus benefícios na amplificação do respeito humano.
Estamos confiantes em que o Estado de Israel - a única democracia do Oriente Médio - com seu dinamismo e a poderosa capacidade de recontextualização de seu povo - encontrará uma saída adequada para o seu presente impasse político e prosseguirá no rumo da paz e convivência com seus vizinhos.
Com eterna inspiração nas palavras e ensinamentos da Torah, o futuro será positivo, iluminado e venturoso para Judeus e Palestinos.
ABRAHAM SHAPIRO é consultor em Comportamento Organizacional e Liderança. É Diretor da Associação Israelita de Beneficência do Norte do Paraná

Riquezas são diferentes
Manoel Messias da Silva

A (boa) notícia para os bancos é sempre a mesma: as maiores instituições financeiras do país batem recorde de lucros. Banespa, Bradesco, Itaú e Unibanco somaram um lucro líquido de R$ 10,504 bilhões nos primeiros nove meses do ano. O resultado é 52,1% maior do que os R$ 6,9 bilhões obtidos nos primeiros nove meses de 2004.
A expansão do crédito, especialmente no segmento pessoa física, foi o grande fator para o estrondoso resultado dos bancos privados brasileiros e aponta para a seguinte constatação: mesmo diante da crise política, o país vive uma fase de recuperação da renda e do emprego. Na prática, isso significa que cada vez mais pessoas buscam crédito para satisfazer às suas mais variadas necessidades.
A questão é que os brasileiros ainda pagam os juros mais altos do mundo quando poderiam ser menos penalizados nesse aspecto. A alternativa para isso é o crédito cooperativo que, lamentavelmente, corresponde a apenas a 3% do total das operações financeiras do país. Porém, o modelo é utilizado por mais de 136 milhões de pessoas em 91 países. Nos Estados Unidos, 43% da população economicamente ativa utiliza serviços de cooperativas de crédito, no Canadá, 22,5%, na Austrália, 27%, e no Uruguai, 17%.
No Brasil, as 1.436 cooperativas de crédito em funcionamento emprestam dinheiro a juros de 1% a 3% ao mês para pouco mais de 2 milhões de associados. Já nos bancos convencionais, segundo dados da Anefac, a taxa média é de 7,58% nas operações de crédito para pessoa física e de 4,4% para pessoa jurídica.
Nas cooperativas, os pequenos empréstimos ajudam a apagar pequenos incêndios e facilitam a vida de milhares de pessoas. Não bastasse essa utilidade no varejo, micro e pequenos empresários decidiram se juntar em cooperativas de crédito para fomentar seus negócios. Atualmente há no país mais de 30 entidades dessa modalidade fazendo a diferença para diversos empreendedores.
A cooperativa de crédito oferece todos os serviços de um banco como desconto de duplicatas, cobrança, cheque especial, cartões de débito e crédito, aplicações e recebimentos diversos. A diferença é que, caso seja apurado lucro, parte do mesmo é dividido entre os cooperados, de acordo com o número de contas adquiridas.
É inegável que o atual governo vem apoiando o cooperativismo de crédito. Recente medida do Conselho Monetário Nacional (CMN) flexibilizou as normas para a constituição de cooperativas. A permissão para serem formadas cooperativas de livre adesão em cidades com mais de 750 mil habitantes deve sair até o final do ano, o que irá fomentar bastante o crédito cooperativo.
Se todos concordam que um dos nossos principais problemas é a geração de emprego e renda, o cooperativismo de crédito certamente é uma alternativa concreta para melhorar a vida e a economia do país. Falta os brasileiros explorarem mais este nicho como alternativa aos juros altos praticados pelos bancos comerciais.
MANOEL MESSIAS DA SILVA é presidente do Sicoob Central Cecresp (Central das Cooperativas de Crédito do Estado de São Paulo)

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