ESPAÇO ABERTO
O declínio do espaço público em Londrina
Alessandro Filla Rosaneli
A cidade não precisa das praças porque são locais abandonados e perigosos! Esta é a resposta que venho colhendo de alguns de meus alunos nos últimos anos. Ao invés de praças porque a Prefeitura não constrói algo mais útil nestes locais? Esta é outra questão muito presente nas discussões acerca da finalidade das praças em uma cidade. E, haja vista as medidas que vem sendo tomadas historicamente em Londrina, podemos concluir que é exatamente assim que nossos homens públicos raciocinam também: esquecem-se da importância sócio-política, estética, cultural e ambiental que as praças sempre tiveram na história das cidades ocidentais. Aos fatos.
De acordo com dados preliminares de pesquisa científica realizada com o apoio da UNOPAR, em 2005, sobre a quase totalidade das praças das zonas leste, oeste, norte e sul de Londrina (193 nesta fase) ficou evidente o absoluto estado de precariedade e abandono de nossas praças. Levando em consideração apenas alguns dos índices levantados (condição de uso, estado de manutenção e adequação do projeto urbanístico), o estudo permitiu constatar tristes cenários.
Em relação à condição de uso das praças, admitindo-se tanto as vazias quanto as ocupadas (de qualquer forma), observou-se que quase a metade das praças das regiões estudadas de Londrina não se apresenta suficientemente adequada ao uso (47% no geral). Em relação à manutenção, 65% das praças da periferia da cidade encontram-se em situação de precariedade. Esta conjuntura se apresenta mais crítica na zona oeste da cidade, onde 82% das praças caracterizam-se em condição de total descuido. Já em relação à situação do projeto, retrata-se outra questão delicada, na medida em que somente 26% das praças estudadas apresentam ao menos uma pequena adequação entre território e projeto.
No entanto, ao se cruzarem estes dados, os índices encontrados apresentam-se mais alarmantes, pois se conclui que somente 15% das praças das regiões estudadas da cidade se encontram ideais para a plena utilização da população.
Um outro aspecto considerado na pesquisa e de extrema importância para o crescimento físico da cidade diz respeito ao fato de que a legislação vigente confunde os conceitos de praça e canteiro viário os ditos espaços públicos livres perpetrando a escassez de espaços livres dedicados à permanência, ou seja, incrementa ainda mais o atual problema. Ou alguém já viu um canteiro ser utilizado como praça? Em conjunto com as constantes doações de terrenos públicos destinados a praças para outras atividades mais importantes temos constituída uma explosiva fórmula que prejudica essencialmente o futuro da cidade.
Assim como cada agrupamento tem os governantes que merece, nós temos a cidade que merecemos, pois este é o claro reflexo de nossa sociedade. E a Londrina que vem se construindo, infelizmente, não será uma cidade democrática e, portanto, justa pois os locais públicos para o exercício da democracia vêm, de modo gradual, sendo erodidos. A reversão deste declínio deveria ser prioridade, pelo bem de todos os cidadãos de Londrina.
ALESSANDRO FILLA ROSANELI é mestre e doutorando em Arquitetura e Urbanismo pela FAU-USP e professor de Arquitetura e Urbanismo
Drogas, passaporte para o inferno
Cid Toledo
O uso de entorpecentes é com certeza um suicídio, por destruir órgãos como rins, estômago, fígado e pâncreas e alterar as condições psicológicas, assim eliminando a capacidade de autocontrole e da razão e criando situações conflitivas. Destacam-se entre estas a ansiedade, o medo e suas conseqüências, alucinação, paranóia, depressão, agressividade, síndrome de pânico, esquizofrenia e destruição do sistema nervoso central.
Os viciados, para obterem a droga, transitam pelos corredores da morte, envolvendo-se com a violência do tráfico e dos companheiros, com o roubo e outros atos anti-sociais. Quem anda pelo caminho das drogas sempre sofre resultados trágicos. Milhares morrem, no Brasil, pela overdose e os conseqüentes homicídios, suicídios e acidentes.
Onde estão os jovens liberais, que gritavam por paz e amor a partir dos anos 60, que praticavam sexo ao ar livre, faziam protestos e usavam drogas? Onde eles estão hoje? A humanidade parece ter pouca memória. Se tivesse sido tão bom assim, eles estariam até hoje nos parques centrais, nas mesmas condições e com os mesmos objetivos. Porém isso não ocorreu, porque a consciência cobrou-lhes a prática da boa moral, de alguma forma.
Seria muito bom se a família compreendesse que o dependente de drogas não é nenhum marginal. Porém ele pode tornar-se um, e não é isso que ele e a sociedade desejam. O viciado é um doente que precisa de ajuda e tratamento. Ele não nasceu com o desejo de ser assim. Veio para vencer a compulsividade de ânsias e desejos. É preciso buscar os meios de apoio que fortaleçam o dependente. Não fazemos isso com os bebês, que necessitam de constante cuidado?
Tal não é fácil, e ninguém disse que seria. Mas não é impossível. Sempre há saída, mesmo que estreita, e temos de encontrá-la um dia. Se criamos uma montanha, temos condição de removê-la. O desespero dos pais dilacera a ligação com os filhos, enquanto o amor promove envolvimento, compreensão e desejo de reconstruir. Críticas exageradas dos pais aos filhos podem conduzi-los ao socorro às drogas. Pais não dialogam com os filhos e depois perguntam onde erraram.
A mente vazia é oficina onde o diabo trabalha, diz a sabedoria popular. Por isso a ocupação da mente com trabalho útil livrará as pessoas da angústia, do sofrimento e da fuga para as drogas. Todos podemos conseguir, porque Deus não coloca fardo pesado em ombros que não o suportem. As drogas, indiscutivelmente, são um passaporte para o inferno.
CID TOLEDO é terapeuta holístico em Londrina
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