Fazer negócios em um mundo maluco

Abraham Shapiro
  A definição de cada produto e serviço está mudando. É preciso tornar-se leve, cada vez mais leve, o mais leve possível. Tornar-se instável, efêmero, moda. Uma explosão de novos concorrentes, a elevação do padrão de vida no mundo desenvolvido e as novas tecnologias sempre presentes estão liderando as novas tendências.
  A mudança atinge você. Atinge os seus negócios. Não há como esconder-se ou fugir dela.
  ‘‘Ser leve’’ é a nova tendência mundial. Inclui as ferramentas para a criação de produtos. Observe o que está acontecendo: design auxiliado por computador, fabricação auxiliada por computador, engenharia auxiliada por computador, engenharia de software auxiliada por computador, fabricação integrada por computadores e assim por diante. Isso inclui as ligações em tempo real entre indústria, fornecedores e distribuidores. A meta crescente é reduzir dramaticamente o tempo para se fazer qualquer coisa. Atualizar produtos e procedimentos de qualidade são objetivos paralelos.
  ‘‘Ser leve’’ é a ênfase no design industrial e na facilidade de utilização dos produtos. Há uma tendência dominante de se transformar tudo em diversão, por exemplo, transformar um supermercado em um ‘‘parque de diversões para todas as idades’’.
  Estamos vivendo em um mundo comercial onde tudo se torna ‘‘leve’’, ‘‘inconstante’’ e vira ‘‘moda’’. Um mundo onde a Disney e a J. P. Morgan – respectivamente, entretenimento e serviços financeiros – tomaram o lugar da USX e da Primerica – aço e latas – na lista do índice Dow Jones da Bolsa de Valores de Nova York.
  Para a grande maioria, este é um mundo maluco. Como se pode lidar com um mundo louco senão com organizações malucas, cheias de pessoas malucas?
  Nenhuma outra grande fábrica foi tão audaciosa ao enfrentar os desafios do amanhã como a ABB – Asea Brown Bovery, com sede em Zurique e receita de US$ 28,9 bilhões. Quase de um dia para o outro cortou 95% do staff corporativo. A empresa gerencia, agora, um contingente de 150 pessoas, espremidas num edifício modesto em frente a uma estação de trem na parte oeste da cidade. Para lidar com um ambiente sempre atualizado, a ABB ‘‘desorganizou’’ 215.000 pessoas em 5.000 centros amplamente independentes de lucro que têm, em média, 50 pessoas cada.
  Conclusão: unidades independentes de pequena escala – e até mesmo ‘unidades’ de uma pessoa – desempenharão, na atual formatação do mundo maluco dos negócios, o papel líder em responder a um mercado em constante mudança. Os negócios dependerão, cada vez mais, de pessoas bem ajustadas à visão e às reações da nova era; pessoas bem treinadas, leves, capazes de identificar e processar o novo.
ABRAHAM SHAPIRO é consultor em Comportamento Organizacional e Liderança


Não só lhe pedir, mas ajudar Deus

Walmor Macarini
  Tenho escrito e volto à lembrança de que temos de ajudar Deus, ou será mais difícil construir o mundo melhor que todos almejamos. No ano novo que começa vamos fazer o experimento de mudar paradigmas e, ao invés de pedir a Deus, nos empenharmos em ajudá-lo. Porque Deus se move pelos nossos atos, eis que nos concedeu a dádiva do livre arbítrio, que é um instrumento de responsabilidade e, como tal, também um fardo.
  Deus já nos disponibilizou todas as coisas. Basta nos sintonizarmos com elas e ir ao seu encontro. Se a humanidade não está melhor não é por culpa de Deus, mas porque não o temos ajudado nessa tarefa. Se calamidades acontecem não é por vontade divina, mas porque nossas formas-pensamento e nossos sentimentos desarmônicos nos induzem a atraí-las, para nós ou para os outros ou para o ambiente, porque movemos energias boas e também energias inqualificadas.
  As obras boas ou más, nesta vivência terrena, Deus as faz através de nós. Costuma-se dizer boas e más para definir as duas polaridades de um acontecimento (o supostamente bom e o supostamente mau), mas na verdade tudo é bom e não existem coisas más. Os eventos – sempre um efeito de atitudes humanas – são apenas resultados, que não acontecem por acaso. Dizer que ‘‘Deus quis assim’’ – para justificar o que nos ocorre de mal – é uma das maiores tolices e razão de atrasos e pobrezas, pela imobilidade do conformismo.
  Os denominados males são mecanismos de evolução. Convém não se ater às suas conseqüências imediatas e nem fazer julgamentos a priori, nem revidar com ódio. Combater um mal pode dar-se pela forma de uma reação firme, que não seja violenta, nem raivosa e nem punidora; ou pela emanação de bons sentimentos com o sentido de cura. Traduz-se por orar pelos malfeitores, para que a luz da regeneração os banhe. Estes são caminhos de ajudar Deus.
  Equivocam-se os que temem a Deus por conta de atos tidos como imperfeitos, que cometeram, ou que esperam que Deus os presenteie pelo que consideram as boas ações que tenham praticado. Nós é que subimos, de acordo com nossa leveza, ou nos precipitamos como conseqüência de nossa densidade. Acabaremos nos situando, aqui e no depois daqui, em lugares consonantes com nosso estado de consciência, significando o ambiente em que cabemos. Deus criou para nós esses lugares.
  Nós comandamos Deus, se compreendemos o sentido do livre arbítrio. Em nada Deus nos impede. Ao contrário, nos dá o poder de tudo realizar, inclusive as guerras. A consciência da presença de Deus dentro de nós (o Eu Sou) e não um Deus distante, nos permite a ascensão aos mais elevados níveis, o que significa, no final da caminhada evolutiva, o alcance da plenitude e da Verdade. E assim nos tornaremos livres, sem mais a medida do tempo e nem o arbítrio, pois nada mais será preciso vivenciar sob o atrito do tempo e nem arbitrar. Neste ano novo, vamos ajudar Deus! Não há outro caminho para fazermos melhor a humanidade.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina


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