A política e a ciência da política

Adriano Nervo Codato
  Desde os anos 1990, a Ciência Política no Brasil passou, pouco a pouco, a cumprir o papel que a Filosofia havia desempenhado nos anos 1960, a Sociologia nos anos 1970 e a Economia nos anos 1980: um ponto de referência para os debates públicos da cena política nacional.
  Se o ‘‘caráter nacional brasileiro’’ foi um dos temas que, lá pelos anos cinquenta, polarizou a preocupação dos intelectuais e de boa parte da sociedade letrada; se as questões ligadas à pobreza e à distribuição e renda foram o tema dos anos setenta; e se a superinflação foi a principal aflição dos oitenta, o retorno à democracia, seu funcionamento mais previsível e regular (as eleições, por exemplo) e o crescimento e fortalecimento de suas instituições (os partidos, por exemplo) terminaram por colocar a política na ordem do dia. Junto dessa política ‘‘prática’’ surgiu uma ‘‘ciência da política’’ onde os problemas tradicionais ligados à questão do poder tenderam a receber um enfoque cada vez menos normativo (o que deve ser) e cada vez mais descritivo (aquilo que é).
  Assim, à medida que os ‘‘especialistas em generalidades’’, os bacharéis em ciências jurídicas e sociais e os grandes articulistas do jornalismo político, haviam cumprido sua função como ‘‘explicadores do Brasil’’, eles foram sendo substituídos, graças à expansão do ensino universitário, por novos profissionais. Esses últimos assumiram uma espécie de discurso competente diante dos grandes problemas nacionais, quer pela forma de pôr as questões, quer pelo vocabulário usado para respondê-las. Não era isso, afinal de contas, o ‘‘economês’’?
  Assim, à democracia como direito seguiu-se (o que é normal e esperável) a política como negócio. E esse ‘‘negócio da política’’, para usar uma expressão comum, tendeu e tende a ser visto e tratado de dois pontos de vista. Nos períodos eleitorais surge todo tipo de perito em ler pesquisas de opinião, adivinhar as preferências do eleitorado e elaborar frases no lugar de idéias (o ‘‘marketing político’’). Ao lado desses ‘‘tudólogos’’ (especialistas em tudo), uma nova espécie de especialista, o cientista político, cada vez menos preso a questões somente acadêmicas, passa a ser consultado por jornalistas, candidatos, estrategistas em campanhas etc. em função de um saber específico: aquele saber que é o resultado de um método de investigação e não de uma opinião ou de uma intuição. Daí que a profissão exija hoje pesquisas empíricas, onde a elaboração de questionários, coleta de dados e análise dos resultados é um procedimento cada vez mais usual quando se trata de saber, por exemplo, a opinião da população sobre o legislativo, o papel dos partidos, o perfil dos candidatos ou o grau de satisfação com os serviços das empresas públicas.

Adriano Nervo Codato é professor de Ciência Política na Universidade Federal do Paraná (UFPR).


Os cinco elementos para o sucesso

Anand Sharma
  Todo dia ouvimos falar sobre a economia global e sobre como ela afeta localmente os fabricantes. Algumas empresas usam ‘‘a economia global’’ como desculpa para um desempenho sofrível; outras percebem que, já que não podem vencê-la, é melhor juntarem-se a ela, mas não sabem como fazer isso. Há ainda as que recebem uma sobrecarga de informações na tentativa de descobrir como jogar globalmente e sobreviver. Grande parte desse comportamento é uma reação ao sensacionalismo da imprensa, enquanto outra é o resultado de pressões comerciais muito reais. Mas competir e ter sucesso em um ambiente global não deve ser um mistério. Lembre-se: uma boa empresa é uma boa empresa, seja quem for seu concorrente. Esse concorrente pode ser uma empresa da mesma cidade ou do outro lado do mundo. O que importa é o modo como você conduz os negócios.
  Muitos fabricantes perceberam os benefícios de enxugar despesas no aumento da competitividade, reduzindo estoques, eliminando desperdícios, melhorando a qualidade e valorizando de verdade seu patrimônio humano. Algumas dessas empresas podem até estar nessa fase de cortes há anos, com uma cultura de aperfeiçoamento constante em apoio a iniciativas econômicas para ajudar no crescimento da empresa, inovar e manter os clientes felizes.
  Então, como uma empresa que já tem uma cultura de aperfeiçoamento contínuo concorre em uma economia global? Considere os cinco elementos descritos a seguir para o sucesso (5Rs): Responsiveness (agilidade), Rhythm (ritmo), Reliability (credibilidade), Responsibility (responsabilidade) e Relevancy (eficiência).
  Agilidade significa estar alerta para todas as necessidades dos clientes, não apenas quando você tem tempo ou pessoas para fazer isso, mas sempre. Esse é o ponto inicial. Considere o cliente em primeiro lugar e trate cada cliente como se a empresa dependesse apenas dele, porque ela depende.
  Ritmo significa sincronizar a produção com a demanda do cliente. Não é tão fácil como você pensa. A demanda real não é igual à sua capacidade de produção. É fornecer exatamente o que os clientes querem, quando eles querem - nem mais, nem menos. Para lidar com esse desafio, você pode programar a demanda, mas não se trata de um passe de mágica. Produza demais, e você terá excesso de estoque em mãos. Produza de menos, e você terá clientes descontentes que logo irão traí-lo.
ANAND SHARMA é fundador e CEO da TBM Consulting Group, Inc. e autor do livro The Perfect Engine (Editora Free Press, 2001).

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