ESPAÇO ABERTO
Responsabilidade social
Eliana Rocha Passos Tavares de Moraes
A preocupação que as empresas e as pessoas têm mostrando-se mais ''humanas'' e ''sensíveis'' aos problemas dos mais próximos, e também dos mais distantes, se incorporou na sociedade e chama-se responsabilidade social.
Praticar responsabilidade social é muito mais do que fazer pequenas doações a instituições filantrópicas. É doar-se voluntariamente em trabalhos que provavelmente ninguém ficará sabendo, nenhum jornal irá publicar, somente você e o beneficiado saberão. É aquela preocupação com o bem-estar dos funcionários que garanta ganho justo a eles. A conservação do meio ambiente, separando o lixo para que alguma família possa se beneficiar. É fechar a torneira quando se está escovando os dentes, pensando que a água é bem esgotável em nosso planeta e mais tarde irá faltar. É o empenho em cumprir as promessas feitas a clientes, fornecedores, eleitores e amigos, entre outras atitudes simples, mas que fazem a diferença.
A responsabilidade social não é apenas meta para as grandes empresas que obtêm lucros em cima disso na hora de exportar, de aparecer na mídia, se tornar socialmente correta. As pequenas empresas podem e devem ter princípios de responsabilidade social dentro de seu ramo de atividade. Os administradores devem estar conscientes de que os benefícios que se podem atingir, com ações muitas vezes simples são inúmeras, principalmente com relação à melhoria de imagem da empresa perante a sociedade.
A adoção de princípios de eco-eficiência, reciclagem de materiais, ações de responsabilidade com fornecedores, clientes, eleitores e profissionais pode surtir efeito nos negócios. Ao reduzir os desperdícios, minimizar o impacto ambiental e criar um bom ambiente de trabalho, estará minimizando gastos, eliminando futuros problemas e trabalhando com profissionais mais qualificados e fiéis.
O voluntariado dentro das instituições, a troca de experiências e aprendizado adquirido para a melhoria de vida dos mais necessitados, fazendo o bem sem olhar a quem, só nos torna melhores como seres humanos e nos faz praticar a responsabilidade social.
ELIANA ROCHA PASSOS TAVARES DE MORAES é professora em Pinhão
Resgatar o valor da família
Andréia Lopes Zanutto Salviato
Em palestra recente, o procurador da República em Brasília, Guilherme Zanina Schelb, fez um alerta: ''É preciso resgatar o valor da família''. A frase é equivalente à proferida em julho, no IV Seminário Internacional da Família e Educação, em Curitiba, pelo IEF (Instituto de Ensino e Fomento) pelo professor chileno de Sociologia da Família e consultor da ONU e do Banco Mundial, dr. Carlos Zorro: ''A família está em crise.'' Ambas as frases, apesar da entonação de alerta, são sugestivos convites à reflexão e à mudança.
A família que rejeita o seu ''protagonismo'' na educação dos filhos e que delega sua missão à requisitada babá eletrônica, não consegue contestar, não tem argumentos sólidos para defender-se e para expressar publicamente, mensagens construtivas e reflexivas, com convicções de paz, de harmonia, de amor, de vínculo, de educadora, de guia, de formadora.
Por quê? Porque o perfil individualista, consumista e hedonista da sociedade moderna e globalizada, é assumido pela família atual que, apesar de ter por definição, o título de ''comunidade de amor e solidariedade'', apresentado por João Paulo II na Carta dos Direitos da Família de 1983, é habilidosa em criar necessidades individuais proporcionadoras do ter para ser feliz. A família se esquece, no entanto, que para ser feliz precisa superar suas ''limitações'': ignorância, superficialidade, egoísmo, passividade, o não saber, o não ter e o não ser.
Como? Potencializando seus filhos. Retirando as crianças do pedestal de reis da família e os jovens da condição de apêndice e ensinando-os a serem futuros guias, futuros cúmplices desta. É preciso romper com a neutralidade e ausência da família na formação de seus filhos e na construção das novas gerações. A família precisa desenvolver em seus membros capacidades esquecidas como autodomínio, serviço, autonomia, responsabilidade, eleição, aceitação, decisão, iniciativa e transcendência.
Resgatar o ''valor'' da família, é pois aproveitar o oportuno momento da crise. Afinal, quem disse que crise é motivo de queda ou de derrota? É um tempo de reflexão sobre seus defeitos e de oportunidade de superação para reconquista da ''auto-estima''. Resgata-se sua essência, o seu ''valor'': ''valorizando'' as pessoas que nela vivem; enriquecendo-as com habilidades e ''valores''. É o momento de requisitar novamente suas atribuições e reconquistar seu antigos cargos (ainda vagos): o cargo de promotora de pessoas capazes e felizes; de gerente de pessoas e não de contas a pagar; de publicitária do ser e não do ter; de professora do conhecimento e não do supérfluo, do inútil ou do imoral; de promotora da paz e não de conflitos (pessoais e familiares). A família está em crise. É preciso aproveitar bem esta oportunidade.
ANDRÉIA LOPES ZANUTTO SALVIATO é especialista em Desenvolvimento Pessoal e Familiar em Londrina





