Férias - sozinho e a dois

Moacir Costa
  O final do ano é naturalmente um período de avaliações e nem sempre os resultados têm sido otimistas. Muitas pessoas torcem para o ano acabar, principalmente quando os aborrecimentos e o stress, foram bem maiores que as conquistas e realizações.
  As férias de dezembro/janeiro, estão chegando e nada melhor que desligar o computador e aproveitar para tirar bons dias com a família, rever velhos amigos, brincar e conversar mais com as pessoas que gostamos.
  Após uma semana ou quinze dias com a família, com a cabeça fria e aliviada, com as tensões reduzidas e com a vida amorosa e sexual em dia, é oportuno tirar uns dias para você ficar sozinho e passar a limpo o ano que termina.
  O casamento anda tão sobrecarregado, morno em grande parte do tempo, com preocupações familiares e contas a pagar, que tirar férias do outro e ficar consigo mesmo, ouvir um pouco os seus sentimentos, preocupações e planos futuros se constitui em um bom investimento, para o homem e para a mulher.
  A necessidade de discutir a relação, a divisão das tarefas, a avaliação dos projetos em andamento ou em fase de finalização, contribui para uma aproximação e envolvimento tão intensos entre eles, que passam a perder a sua própria individualidade.
  Essa perda da liberdade individual, faz com que cada um tenha que abrir mão de amizades, esportes e outras atividades que contribuem para o bem estar geral.
  Uma queixa comum entre esses casais, apesar do grau de sintonia e crescimento na vida profissional e familiar é a falta de entusiasmo e interesse sexual, como se perdessem de vista às pistas que levam ao erotismo e ao prazer sexual.
  O casal nessas circunstâncias não tem tempo nem para sentir saudades, à medida que os problemas são enfrentados a um só tempo, sem folga ou chance para os projetos individuais. E tão bom sentir saudades daquele olhar, daquele gesto e daquele carinho que só os dois conhecem.
  As férias separadas se constitui num poderoso antídoto para os vícios e desgastes que são percebidos apenas quando há uma breve separação. Férias conjugais não aumenta a infidelidade ou a chamada pulada de cerca quando o casal se respeita e se admira, ocorrência muito comum quando eles, vivem a sua enfadonha rotina.
  As férias conjugais servem, ao contrário, para reavivar emoções e trazer nova vibração à vida a dois. Dessa forma, é fundamental reservar um tempo para essas ‘‘fugas solitárias’’. Certamente, elas irão permitir um novo e revigorante encontro. Após algum tempo separado, o casal normalmente retorna com ânimo e pique incomuns, inclusive na área sexual.
  
Moacir Costa é médico psicoterapeuta em SP e Autor do livro ‘‘Quando o sexo é mais rápido que o prazer’’ (Ed.Prestigio/Ediouro)
n Caro leitor, caso tenha dúvidas sobre sexo ligue para 0800-770-6543, de 2ª à 6ª, das 10 às 20h. O atendimento é realizado por médico ou psicólogo. Querendo saber acesse o site:www.projetoamarbem.com.br


Afetividade: educar e reeducar-se

Mary Neide Damico Figueró
  A afetividade é um processo de interação com outra pessoa, no qual ocorrem trocas positivas, demonstração de bem querer e valorização de si e do outro, de forma incondicional. Trata-se de uma interação mutuamente prazerosa e geradora de bem-estar. Tendo como base a comunicação verbal e não-verbal, pode envolver uma variedade de manifestações que vão desde simples toques, gestos amáveis e olhares afetuosos, até o contato físico, como abraços, beijos, carinhos, mais, ou menos, íntimos. A afetividade faz parte da sexualidade, elemento integrante de nossa personalidade que, por sua vez, envolve, também, o prazer, o sexo, o amor, o carinho, o toque, os gestos, o respeito, a alegria de viver e o conjunto das normas culturais relacionadas à prática sexual.
  Crianças e adolescentes necessitam aprender a desenvolver a afetividade. Mas, como fazer? Primeiramente, vale lembrar, que ser criado num ambiente onde somos amados e respeitados, torna-nos afetivamente maduros para as relações com outras pessoas, pois, sentir-se amado, eleva nossa auto-estima e é o primeiro passo para aprender a amar a si próprio e aos outros. O amor precisa ser manifestado concretamente e uma das formas de fazê-lo é através da satisfação do desejo de contato, de toque, que todo ser humano carrega, desde o nascimento, até a velhice. Gestos, palavras e olhares positivos, assim como o sorriso, são uma extensão do toque, uma forma diferenciada de dizer que nos interessamos pela pessoa.
  Um outro elemento assaz importante na educação da afetividade é o aprendizado da expressão de emoções, tais como alegria, prazer, admiração, tristeza, raiva, desapontamento etc. Geralmente, embotamos nossos sentimentos, ao invés de fazermos deles o timoneiro de nossa interação com o outro. Saber elogiar e criticar, assim como saber receber elogios e críticas, são habilidades imprescindíveis.
  Também é fundamental a educação dos sentidos, na qual se aprende a desenvolver, por exemplo, a capacidade de ver e ouvir os outros, o que nos torna mais preparados para relações sólidas, tanto de amizade, quanto amorosas. Educar o olhar envolve o prestar atenção às atitudes e ao estado emocional do outro; envolve, ainda, o dom de maravilhar-se com tudo que nos rodeia, das pequenas, às grandes coisas, incluindo, além das pessoas, a natureza. Saber ouvir, juntamente com o saber colocar-se no lugar do outro (empatia), são atitudes que possuem um poder incomensurável.
  Como o desenvolvimento humano não cessa na fase adulta, podemos estar sempre nos reeducando do ponto de vista da afetividade, o que é importante para sermos bons educadores, já que tudo começa com o exemplo. Quanto à escola, para que tenha êxito na educação de seus alunos, é necessário que não dissocie o aspecto cognitivo do emocional.
Mary Neide Damico Figueró é psicóloga e especialista em Educação Sexual pela Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana (SBRASH)


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