A neurose nossa de cada dia

Ana Célia Almeida
  No mundo globalizado e competitivo temos que estar informados e atualizados para sermos os melhores naquilo que fazemos. Com isso, sofremos cobranças e somos pressionados pelo sistema. Para nos adaptarmos a esta realidade, podemos nos tornar pessoas neuróticas.
  A neurose não é apenas uma doença ou um comportamento que adquirimos para nos adaptarmos na nossa realidade. A personalidade do neurótico se caracteriza por vivermos mergulhados em problemas e conflitos de nosso cotidiano. Criamos nossas próprias defesas e nos isolamos, para nos protegermos do meio, nos tornarmos anti-sociais.
  Todos nós em algum momento de nossas vidas revelamos comportamentos neuróticos; somos egocêntricos; egoístas, não admitimos perder, sempre estamos com razão, somos donos da nossa verdade, incapazes de percebermos o mundo a nossa volta e as necessidades das outras pessoas. Temos orgulho de nós mesmos e nos esquecemos da humildade; muitas vezes mentimos para encobrir os próprios erros, dissimulamos sentimentos para nos auto-afirmar socialmente. Chegamos a ficar insuportáveis, com dificuldades para nos relacionar e conviver com outras pessoas; guardamos mágoas e ressentimentos. Só temos memória para aquilo que nos interessa, vivemos do passado, conforme a nossa realidade. Lembramos dos momentos que não voltam mais e esquecemos de viver ‘‘o aqui e agora’’. Estamos mais preocupados em buscar realizar algo no futuro, na esperança de alcançar a felicidade. Somos incapazes de fazer de nosso dia de hoje o melhor dia de nossas vidas. Acordamos mal humorados, reclamando de tudo e de todos.
  Quando algo dá errado, tratamos de culpar os outros pelos nossos fracassos. Não aceitamos os nossos erros, queremos ser perfeccionistas em tudo que fazemos. Temos medo de aceitar críticas e não queremos mudar os nossos comportamentos.
  Enfim, vivemos mergulhados num eterno conflito, ficamos revoltados contra o mundo. Aprisionados num verdadeiro inferno, que criamos para nós mesmos e não percebemos que o universo não está centralizado em nossas vidas.
ANA CÉLIA ALMEIDA é psicóloga em Londrina


Do nosso irmão mais velho

Walmor Macarini
  Neste momento que antecede a data que os cristãos escolheram para comemorar o Natal, transcrevo alguns trechos de recente mensagem de Jesus. Ele nos diz:
  ‘‘Quando eu disse que eu sou a porta aberta que ninguém poderá fechar, referia-me ao Grande Eu Sou, que é a vida de todo indivíduo manifestada na forma. Não quis exprimir que eu era o único a quem esse privilégio fôra conferido. Cada um de vós tem dentro de si a mesma presença poderosa. Desejo que compreendais, para encorajamento, força e certeza em vossas mentes, que a consciência que empreguei para essa grande vitória foi o uso da Presença Eu Sou que vos está sendo ensinada. É única maneira pela qual toda individualização do Raio de Deus pode alcançar a vitória eterna.
  Todos aqueles, antes e depois de mim, que foram capazes de ascender, como eu, empregaram a atividade consciente desta eterna Presença Eu Sou. Quando eu disse aos meus discípulos e à humanidade que aquele que crê fará também as obras que eu faço, e outras ainda maiores, eu conhecia que no interior de cada individualização havia esta Presença, por cuja dedicação sois impelidos para a frente, infalivelmente. Enquanto essa idéia for mantida com firmeza, as tempestades, angústias e perturbações poderão desencadear-se junto a vós, mas na consciência da Presença Eu Sou permanecereis tranqüilos e inatingidos.
  Há somente um modo pelo qual vós e o Pai podeis tornar-vos eternamente Um, e este é o da plena aceitação de sua Presença Eu Sou – da energia, do amor, da sabedoria e do poder que Ele vos concedeu, elos dourados e degraus preciosos através dos quais subis serenamente para vossa conquista final. Um dia, cada individualização de Deus terá de encontrar o caminho de regresso a Ele, por intermédio de sua Presença Eu Sou cumprindo seu ciclo ou ciclos de individualizações pelo uso da atividade do eu externo.
  Desejo que seja claramente compreendido que eu nunca fui um ser especial ou diferente do resto da humanidade. A experiência que escolhi há dois mil anos destinava-se a apresentar o exemplo do que cada individualização de Deus deve seguir, mais cedo ou mais tarde. Eu insisto que me considereis o vosso irmão mais velho, uno convosco. Quando eu disse que sou sempre convosco, quis exprimir que a Presença Eu Sou, que eu sou e que vós sois, é una. Desejo dizer-vos esta verdade: cada um que me enviar seu pensamento consciente, com o desejo de elevar-se acima das limitações terrenas ou de suas próprias criações, e viver nessa conformidade, receberá de mim toda a assistência que lhe possa ser dada, de acordo com o grau de desenvolvimento da consciência de cada um.
  É esta a mensagem que deixo convosco, transmitida através do raio da luz e do som e no qual qualquer de vós pode entrar, ver e ouvir, desde que tenha suficiente preparo de consciência. Não me considereis um ser tão longo de vosso alcance, porque a Presença Eu Sou que me habilitou a fazer a ascensão é a mesma que vos capacitará a fazer a ascensão que eu fiz’’.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina


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