Os prejuízos da aftosa

Ágide Meneguette
  É de mais de R$ 4,7 milhões o prejuízo diário dos produtores paranaenses por causa da aftosa. Atinge pecuaristas, suinocultores, leiteiros, avicultores e indústrias. Essa perda já soma dois meses e poderá se prolongar por mais 6 ou 18 meses, ou até mais, dependendo de qual a decisão a ser tomada pelo Governo do Estado e quando. O prejuízo supera R$ 1 bilhão, e crescerá indefinidamente, se o Estado continuar postergando o cumprimento das normas do Código Sanitário da Organização Mundial de Saúde Animal.
  Esta demora é inexplicável uma vez que as normas são claras em caso de focos ou de suspeitas de focos: ou o Estado sacrifica os animais, e assim teremos mais seis meses de restrições, ou serão mais 18 meses se não o fizer.
  Este estado de estupor de nossas autoridades sanitárias tem um começo que não as recomenda. Com a ocorrência de focos no Mato Grosso do Sul, em áreas próximas à divisa, anunciada dia 5 de outubro, o Ministério da Agricultura fez o comunicado a todo o país e à OIE em face da possibilidade da vinda de bovinos daquele Estado antes daquela data.
  O rastreamento da Seab encontrou bois do Mato Grosso do Sul em algumas fazendas do Noroeste. Certamente, a partir de 10 de outubro, a Secretaria já tinha conhecimento do destino desses animais, tanto que pôde realizar exames clínicos nos locais e laboratoriais no Laboratório ‘‘Marcos Enrietti’’. Com todo esse tempo – pelo menos 15 dias – é possível identificar a ocorrência ou não de aftosa com alto grau de certeza.
  De posse dos resultados dos exames, a Secretaria anunciaria no dia 21 de outubro a suspeita séria de aftosa em 4 municípios do Noroeste, onde foram encontrados animais ‘‘mancando, com salivação excessiva e febre’’, sinais clínicos da doença confirmados por técnicos aos representantes das entidades que fazem parte do Conesa. A partir desse momento, valem as normas da OIE: não há necessidade de confirmação do foco, a simples suspeita já é motivo suficiente para suspender o status de área livre da doença e iniciar os procedimentos previstos, que têm como ponto central o sacrifício dos animais.
  Contudo, nada disso foi feito e a Secretaria da Agricultura, alguns dias depois, passou a insistir que não havia foco algum, contradizendo sua suspeita e iniciando uma polêmica bizantina com o Ministério da Agricultura. É bem provável que não tenha havido foco algum de aftosa, mas depois do anúncio oficial não havia mais como recuar.
  Com o procedimento da Secretaria é de se perguntar: com tanto tempo para examinar os animais, inclusive com exames, por que o diagnóstico anunciado foi tão drástico se logo a seguir a Secretaria negou a existência da doença? O que ocorreu: os técnicos erraram o diagnóstico? E o que dizer dos exames feitos clandestinamente pela Secretaria?
  Além disso, há outra questão: por que, tão logo foram identificados animais com pretensos sinais clínicos, a Secretaria não comunicou a ocorrência ao Ministério, até para pedir auxilio técnico e confirmar a doença, antes de anunciá-la? Os equívocos da Secretaria da Agricultura são patentes, como também a responsabilidade do Governo Federal por negligenciar o reforço ao sistema de defesa sanitária.
  Mas como os erros foram cometidos, o momento é de remediar. O que se exige é uma decisão rápida, cirúrgica, para evitar que se prolongue o tempo de restrições. Depois de suspensa uma ligação comercial, reatá-la é penoso e o sucesso nem sempre é garantido. No âmbito técnico, é preciso investigar se houve falhas, até como forma de aprimorar a defesa sanitária. Mas se o Governo insistir em questionar a validade dos exames do Ministério, para então dizer o que vai fazer, nossos produtores vão morrer de inanição e os municípios vão sofrer com a perda de renda.
  Para efeitos práticos, essa queda de braço sobre os exames é, agora, como discutir o sexo dos anjos.
ÁGIDE MENEGUETTE é presidente da Federação da Agricultura do Estado do Paraná - FAEP)


Impactos ambientais

Fábio Rogério Ortiz
  Nos primórdios da civilização os impactos ambientais eram reduzidos, pois a quantidade de pessoas que habitava a Terra era muito pequena e a capacidade de transformação do meio ambiente era também muito limitada. Com o passar do tempo, a população foi gradativamente crescendo e o homem foi descobrindo novas técnicas que aumentaram seu domínio sobre a natureza.
  A partir da Revolução Industrial a população mundial passou a crescer aceleradamente, assim como a produção de bens, e os crescentes avanços tecnológicos deram ao homem grande capacidade de transformação do meio ambiente, acentuando os impactos ecológicos.
  Com o desequilíbrio nos ecossistemas naturais, proliferam insetos que, sem seu predador natural, tornam-se verdadeiras pragas. Ao combatê-los com inseticidas, muitas espécies resistentes proliferam, exigindo cada vez mais a utilização de venenos que, por sua vez, contaminam os solos e as águas, matando espécies que são importantes para manter o equilíbrio dos variados ecossistemas.
  O uso continuado de agrotóxicos acaba matando microorganismos e empobrecendo os solos, exigindo maiores quantidades de fertilizantes. Embora já haja um controle maior no uso indiscriminado de agrotóxicos nas lavouras, este é ainda um dos principais problemas ambientais no meio rural. Além de contaminar rios e o lençol freático, os agrotóxicos trazem sérios problemas ao equilíbrio biológico e à saúde humana. Entretanto, quanto ao uso indiscriminado de agrotóxicos, existem hoje controles biológicos de pragas, como é o caso do baculovírus, que ataca as lagartas da lavoura de soja, e a vespa, que ataca o percevejo da soja e o pulgão do trigo.
Embora bastante eficazes, esses métodos ainda são pouco utilizados no Brasil.
  Apesar de parecer distante, a idéia do desenvolvimento sustentável já está começando a se concretizar, pela própria necessidade de preservar o meio ambiente e pela força de lei que está cada vez mais rigorosa contra agressores do meio ambiente, como é o caso da Lei de Crimes Ambientais, a qual agrava as penalidades contra o desrespeito à natureza.
FÁBIO ROGÉRIO ORTIZ é mestre em Agronomia e professor em Londrina


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