ESPAÇO ABERTO
Brasil e Bolívia após a eleição
José Ivan Cipoli Ribeiro
Mereceremos esta política externa às custas de doações, quando nada temos? Domingo, dia 18 foi um dia de profundas mudanças na América do Sul, pois Evo Morales, 46, líder do movimento cocalero (plantadores de coca) de origem Aimará, grupo indígena majoritário, e do partido MAS (Movimento ao Socialismo), foi o candidato com maior número votos na complicada Bolívia que terá um segundo turno, que de forma diferente do Brasil será escolhido pela Assembléia Legislativa de forma indireta (assunto complicado sempre). Este vizinho país teve cinco Presidentes da República nos cinco últimos anos, destituídos após violentos distúrbios de rua, amplamente noticiados, e liderados pelo futuro presidente(?).
Esta notícia inicia um processo espinhoso para o Brasil, pois Morales declarou textualmente várias vezes e pela mídia televisiva, a nacionalização com a expropriação das empresas produtoras principalmente as de petróleo (nacionalização e expropriação dos meios de produção). A fronteira Brasil - Bolívia que nunca foi totalmente pacífica, e mais recentemente devido às turbulências provindas do trafico da cocaína, ganhará novo elemento de atrito, pois muitos são os brasileiros que estão legalmente estabelecidos naquele país que antes os estimulou e acolheu. A região Sul do Brasil é 100% dependente do gás do vizinho país, assim como é em 70% a região Sudeste. Ocorre também que a Petrobrás concorre com 20% do PIB da Bolívia e será nacionalizada, pois Morales já tratou desde assunto, e mais, avisou que apesar de ter intenção de pagar o justo valor, mas não há recursos para tal, prevendo-se um final infeliz daqueles processos nacionalistas tumultuados.
Os atritos com o Chile, importador de gás e considerado inimigo devido à guerra anterior, 1879, já iniciaram, e o Paraguai (guerra do Chaco em 1932-25) tem em seu território, no Chaco, vizinho a Bolívia uma unidade do Exército dos USA, do império.
Tensões geopolíticas estão nos envolvendo, e não tenho motivos para acreditar em boa administração da questão pelo atual governo.
O governo federal nunca poderá alegar a já famosa ignorância em tudo que seja ligado a sua culpa, apesar de estar patrocinando esta candidatura, juntamente com Fidel Castro e Hugo Chávez, sendo um ditador diplomado e o outro em treinamento, mas extremamente perigoso e rico de petrodólares O noticiário das próximas semanas mostrará mais a nossa política externa já tão vitoriosa e merecida. Mereceremos?
JOSÉ IVAN CIPOLI RIBEIRO é médico e neurologista em Londrina
Viajante responsável e consciência global
José Carlos Hauer Santos Jr.
Dólar barato e passagens aéreas mais econômicas provocaram, no País, aumento nas vendas de pacotes turísticos e educacionais para o Exterior. Brasileiros se anteciparam e fecharam com meses de antecedência a inscrição para programas culturais, de trabalho e lazer que fariam em dezembro deste ano ou em janeiro de 2006. A projeção mundial do setor é de crescimento de 25% até final de 2005.
A experiência de estudar e trabalhar em terras estrangeiras sempre representou investimento primordial a jovens do mundo todo. Ao deixar a terra natal para conhecer outras nações, o jovem passa a ter outro ponto de vista sobre o próprio país e o destino visitado. Conversa com todo tipo de gente, desbrava cultura e hábitos locais e, ao mesmo tempo, promove propaganda das atrações de seu país. O intercâmbio cultural forma pessoas mais esclarecidas e tolerantes, que passam a aceitar valores e comportamentos diversos.
Pesquisa realizada em 2003 pela International Student Travel Confederation (ISTC) e pela Association of Leisure and Tourism Education (Atlas) nos ajuda a entender as motivações do jovem ao partir para temporada lá fora. Foram entrevistados mais de 2.300 moradores de oito países em diferentes continentes, a maioria abaixo de 26 anos e com educação superior.
O estudo apontou que o principal estímulo para a viagem é explorar outra cultura (com 83% das menções), seguido pela diversão (74%) e pela ampliação de conhecimentos (69%). Apesar das necessidades semelhantes, os jovens diferenciam-se no estilo. Mais da metade se identifica como viajante (com mais razões sociais e inclinado a visitar amigos e parentes), cerca de um terço como mochileiro (ávidos por novas experiências e contatos) e um quinto como turista (mais tradicionais e em busca de relaxamento).
Angariar informações é fundamental para uma boa estada em terras estrangeiras: pesquise bastante sobre o destino, procure descobrir práticas, costumes e tradições religiosas e converse também com pessoas que já viajaram para lá. A leitura de guias é obrigatória.
Em conversas sobre política, religião e costumes, o respeito é palavra de ordem. Os viajantes devem ter atenção ao compartilhar idéias sem comentários preconceituosos. Para isso, é essencial assimilar leis e condutas do país. Uma recomendação adicional é aprender palavras locais de agradecimento, pedidos de informação e cumprimentos.
Diante das particularidades que vivencia ao redor do mundo, o viajante responsável tende a compreender ainda mais a importância de fatores como o espaço de cada cidadão e a preservação do meio ambiente. Quando retorna, ele torna-se um gerador de mudanças positivas em seu lar e no ambiente de trabalho. Ele adquire e dissemina uma consciência global e é isso que desejamos nos dias atuais.
JOSÉ CARLOS HAUER SANTOS JR. é diretor-presidente do Student Travel Bureau e membro do conselho executivo da International Student Travel Confederation (ISTC)
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