ESPAÇO ABERTO
Natal: alegria ou nostalgia?
Moacir Costa
E você? Já entrou no clima de Natal ou continua deixando para a última hora. Pelo jeito o brasileiro está mais interessado na Rua 25 de Março que fazer compras nos shoppings como fazia antigamente.
As viagens passaram a ser a fonte de alegria e satisfação mais imediata, com a facilidade das prestações em até 36 meses. E só observar a infinidade de pacotes aéreos, cruzeiros marítimos, hotéis fazenda etc. Isso mostra uma crise nos valores do ser humano: a preocupação em presentear amigos e familiares está sendo trocada pelo prazer individual e urgente de uma viagem que será lembrada como uma prestação a mais a ser paga no final do mês.
Já não existe a mesma descontração de tempos atrás em decorrência das preocupações, do stress e da violência da vida urbana onde o medo, a competição, a revolta contra os políticos corruptos gera um clima de insegurança e boa dose de frustração.. Mas apesar disso tudo, as pessoas tentam dar a volta por cima e se encontram para comemorar o que for possível.
É sempre oportuno acreditar, que eventualmente seus projetos e sonhos não conseguiram se realizar, quem sabe, no próximo ano as coisas poderão ser diferentes. Sem essa crença, as pessoas viveriam em estados de tristeza e depressão bem maiores e difíceis de suportar.
Mas é bom lembrar, que o clima de festa é que mantém acesa algumas lembranças do natal que guardamos da infância. Existe em todo adulto a necessidade de buscar dentro de si, a criança alegre que apesar dos seus anseios e dúvidas, sempre procurou ter esperança e acreditar em Papai Noel.
Esse clima de nostalgia que ronda o Natal de muitas pessoas é fruto das suas perdas e rompimentos afetivos e da constatação que a realidade atual já não mostra a vibração juvenil e beleza dos tempos de otimismo e alegria.
Espero que vocês leitores estejam confiantes e dispostos nesse final de ano e que no próximo, tirem mais proveito das amizades, do trabalho, do lazer, e tenham uma vida mais tranqüila e de melhor qualidade, procurando sempre Amar Bem..
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo e autor do livro Quando o sexo é mais rápido que o prazer (Ed.Prestigio/Ediouro)
n Caro leitor, caso tenha dúvidas sobre sexo ligue para 0800-770-6543, de 2ª à 6, das 10 às 20h. O atendimento é realizado por médico ou psicólogo. Querendo saber acesse o site:www.projetoamarbem.com.br
Bento Munhoz da Rocha Netto, um estadista
René Ariel Dotti
O Paraná comemora o centenário de nascimento de Bento Munhoz da Rocha Netto (1905-1973). Ele foi e continuará sendo historicamente um ser humano de múltiplas camadas. Engenheiro, escritor, parlamentar, professor, governador, ministro de Estado, enfim, um generoso benfeitor da cidadania. Bento - como é carinhosamente lembrado - é exemplo para as gerações do presente e do futuro que precisam e devem viver o sentimento paranista. Este fenômeno, social, cultural e espiritual é uma conjugação de duas importantes virtudes: a afeição pelo povo, o progresso e nossas coisas e o civismo que deve pulsar no coração de todos os cidadãos.
Após a queda da ditadura Vargas (1937-1945) e com a reconquista da democracia, Bento elegeu-se deputado à Assembléia Nacional Constituinte. Empossado em fevereiro de 1946, apresentou a emenda que suprimiu o território do Iguaçu. Aquela malsinada experiência divisionista fora agasalhada pelo Estado Novo, nos anos de 1943 a 1946, mas repelida pelos constituintes federais. Munhoz da Rocha foi um dos signatários da moção repudiando o Estado Novo. Outra iniciativa foi a restauração da Universidade Federal, que fora desmembrada em 1915, propondo que nela se integrassem as diversas faculdades existentes no Estado. Exerceu o cargo de ministro da Agricultura, por nomeação do presidente João Café Filho (1899-1970). No pleito de outubro de 1958, elegeu-se novamente deputado federal.
Como governador, Bento realizou fecunda administração. Construiu centenas de grupos escolares e postos de puericultura; criou a Fundação de Assistência ao Trabalhador Rural e a Secretaria do Trabalho e Assistência Social; iniciou a edificação da usina Termelétrica de Figueira e o asfaltamento de grandes rodovias, como os trechos Londrina-Apucarana e parte da Rodovia do Café (Ponta-Grossa-Paranavaí); fundou a Copel e as casas rurais e concluiu o Porto de Paranaguá. Nesse conjunto de obras se destacam a Biblioteca Pública, o Teatro Guaíra e o Centro Cívico, compreendendo as casas dos três Poderes e o edifício do Tribunal do Júri.
Munhoz da Rocha deixou muitos livros, destacando-se Uma interpretação das Américas (1948); Radiografia de Novembro (1956); Itinerário (1958) e Presença do Brasil (1960). Uma valiosa reunião de escritos sobre o Paraná, os destinos do Brasil, bem como as esperanças e ceticismo de Bento Munhoz da Rocha Netto, foi editada pela Coleção Farol do Saber, em 1995, com magnífico texto de introdução de Luís Roberto Soares. É mais um endereço de pesquisa para conhecer melhor a obra, vida, paixão e ressurreição dessa imensa figura humana e política.
No discurso de posse na Academia Paranaense de Letras (1967), Bento Munhoz da Rocha Netto, após afirmar que o nosso pioneirismo é uma glória nacional, concluiu que pela importância crescente do Estado, estamos vencendo nossa clássica e amarga tendência ao isolacionismo. Já começamos a julgar que os outros não são necessariamente melhores. Palavras de Bento, o inesquecível estadista.
RENÉ ARIEL DOTTI é advogado e professor universitário em Curitiba
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