Brasil? Fraude explica?

Cláudio Slaviero
  Depois da explicação do senador Amir Lando, presidente da CPI do Mensalão, que ‘‘nenhum partido quer assinar o requerimento de prorrogação da CPI porque temos muitas questões que envolvem alguns parlamentares’’, sem nenhuma explicação à sociedade, a CPI esfarinhou-se, sem que se votasse o relatório final, sem comprovar (ou não) denúncias de compra de votos. Lembro que esta CPI durou 120 dias e custou aos nossos bolsos mais de R$ 5 milhões. Abortaram a investigação para que a verdade, para a alegria de muitos, não fosse alcançada. Perante este escárnio da justiça ou descaso com a sociedade só resta supor que esses parlamentares, tanto governistas como oposicionistas, devem ter assinado com o Estado uma apólice de seguro que lhes garante a impunidade; caso contrário não teriam agido dessa forma ou pelo menos teriam vergonha de assim proceder.
  Discutir o sistema organizado de corrupção, mensal ou não, não tira o caráter de ilegalidade da compra e venda de mandatos. CPIs não são questão de governo, que é transitório, são questão de Estado, que é permanente. Não é admissível discutir se devem ser deixados de fora das diligências os episódios de compra de votos que envolvem a gestão de Fernando Henrique ou só devem ser investigadas as ocorrências durante o governo Lula. Ambas, se ocorreram, são indecentes. Uma CPI não pode ser constituída por homens que a tratam simplesmente como questão de governo, pondo em risco nossas instituições. Seus resultados representam o equilíbrio ou desequilíbrio institucional. Diante de tanta falta de vergonha desta CPI do Mensalão, a vontade é dizer: Brasil? Fraude explica?
  No entanto, diante dessa torpe deturpação da política, não é o caso de desanimar, mas de por em prática palavras de Ulysses Guimarães: ‘‘Não basta não roubar. Há que não roubar, não deixar roubar e por na cadeia quem rouba’’. Pessoas e partidos devem ser investigados e condenados se existirem provas. Não estará na hora de exigirmos uma CPI das CPIs? Afinal, os deputados, que recebem polpudos salários, pagos por nós, foram convocados para um trabalho importante. E simplesmente se omitem, não compõem quórum para as sessões e não apresentam relatórios consistentes. Ou não apresentam relatório algum.
  Devemos exigir que o regimento interno da Câmara inclua artigos que garantam o andamento das investigações. Assim, relator que não apresentasse relatório condizente com a apuração deveria imediatamente, com toda responsabilidade que as circunstâncias exigem, sem interesses partidários e/ou eleitoreiros, passar de acusador a acusado. Os parlamentares, por certo, não se arriscariam em entrar em esquemas ilícitos sabendo que a população poderia cobrá-los em meio aos mandatos. Cabe a nós, portanto, decidir se as denúncias do ex-deputado Roberto Jefferson, que, inclusive, caem sobre sua cabeça e sobre seus procedimentos ilícitos, servirão para acender a cidadania ativa, capaz de fortalecer as instituições ou simplesmente transformarão o país em numa grande piada, gerada pela usina das fraudes!
CLÁUDIO SLAVIERO é presidente da Associação Comercial do Paraná


Papai Noel comandando a festa

Walmor Macarini
  Na noite de 24 e no dia 25 do último mês do ano celebra-se, na grande maioria dos lares, o nascimento de Papai Noel. E, por estes dias que antecem essas datas, as crianças mandam-lhe cartas e formulam pedidos de presentes. As lojas se ornam de figuras de Noel, personagens vivos do Bom Velhinho tocam sinetes, falam hôhô. Alguns crianças o acham fascinante, outras têm medo.
  A história de Papai Noel poucos conhecem. Consta que ele nasceu na Ásia Menor e que existiu de fato, na figura de um bispo chamado Nicolau, que os alemães converteram em santo, os americanos em Santa Claus e os brasileiros em Papai Noel. Nos finais de ano Nicolau percorria as aldeias distribuindo presentes. Sua vestimenta era marrom, que a Coca-Cola mudou para vermelha.
  Papai Noel não tem culpa se o reverenciam e lhe pedem presentes. Na noite que antecede o dia 25 as famílias se reúnem, e ocorre às vezes de alguém da casa fazer o papel dessa figura lendária, presenteando a todos. Hôhô. Depois todos se reúnem para a ceia. Se as pessoas são abastadas, a mesa é farta. Essa reunião familiar é um momento feliz. Mas há muitos que ficam tristes pela ausência de amigos queridos que se foram.
  No mais dos casos, não acontece sequer um momento de silêncio e de prece, em agradecimento por todas as coisas – no mínimo pela graça do alimento que está servido. E Papai Noel tilintando o sininho. A festa do Velho Noel já é tradição. A famílias e os professores vão passando às crianças, desde cedo, o culto ao Velhinho que traz presentes.
  Só não lhe revelam porque ele não freqüenta muito as casas pobres. Quando vai, deixa lá algumas coisinhas igualmente pobres. Mesmo assim, também nesses lares Papai Noel é cultuado. Todos já estão acostumados com os poucos presentes e com presentes baratinhos. Ele sabe que crianças pobres não são manhosas e exigem pouco. Talvez no ano que vem seja melhor. É a esperança que as faz continuarem vivendo.
  A tradição de Papai Noel firmou-se. As lojas e as ruas enchem-se de Papais Noeis. Ao menos, quem os encarna, obtém algum ganho. É a época em que Papai Noel contempla também esses propagandistas comerciais. Dezembro celebra o nascimento de Papai Noel.
  Não há mal que se relembre alguém que foi humano e que presenteava a todos, sem olhar a quem. Mas será preciso encontrar uma data para celebrar o Menino Jesus, razão do Natal. E informar as crianças sobre isso. Crianças se identificam com crianças. Com toda a certeza elas ficariam encantadas em saber quem foi essa Sublime Criança.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina


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