Obras para os londrinenses

Carlos Eduardo de Afonseca e Silva e Aloysio Crescentini de Freitas
  Na década de 70, Londrina captou recursos externos para obras importantes no desenvolvimento da cidade. Nos anos de 1974 e 1975, na gestão José Richa, a Prefeitura recebeu US$ 5,4 milhões pelo Projeto Cura, com juros de 6 a 7% ao ano, mais 2% de taxa de administração, para pagar em 240 meses – ou 20 anos. O empréstimo, já quitado, foi investido na urbanização do Parque Guanabara, abrindo um novo eixo de desenvolvimento urbano e econômico, no alto da Avenida Higienópolis.
  Entre 1977 e 1979, quando era prefeito Antonio Belinati, também pelo Projeto Cura foram captados mais US$ 4,350 milhões com as mesmas taxas de juros e administração. Os recursos impulsionaram obras de urbanização nas regiões da Vila Nova e dos jardins Bandeirantes e Leonor. A última parcela desse financiamento foi paga em 2003.
  Neste momento, a Prefeitura está pleiteando um novo recurso do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), no valor de US$ 23 milhões (ou cerca de R$ 50 milhões). O dinheiro é direcionado para infra-estrutura urbana, como aconteceu no Projeto Cura. E, por sinal, um dos projetos contemplados é o de urbanização dos fundos de vale da bacia do Ribeirão Lindóia, com a realocação das famílias que vivem nessas áreas e a construção de cerca de 300 moradias. Ou seja, o setor de habitação é um dos atendidos. Outras obras previstas são os viadutos de acesso ao Parque Tecnológico, ao pool de combustíveis e à Pontifícia Universidade Católica (PUC), na BR-369. A taxa de juros gira em torno de 4 a 5% ao ano, portanto menor do que na época do Projeto Cura, e o prazo para pagamento é de até 25 anos.
  A busca desses recursos é uma alternativa para Londrina investir em empreendimentos que abrirão novas perspectivas para as regiões beneficiadas, criando eixos de desenvolvimento e garantindo investimentos privados, mais empregos e qualidade de vida. A forma de pagamento, a longo prazo, está dentro da capacidade de pagamento da Prefeitura e segue as exigências da Lei de Responsabilidade Fiscal.
  Quanto a investimentos em moradias, desde o primeiro mandato do prefeito Nedson Micheleti, a Companhia de Habitação (Cohab) já entregou 1.726 novas moradias, somando R$ 35 milhões em recursos federais e municipais. No início de 2006, será iniciada a construção de mais 632 moradias, com investimento de R$ 19,5 milhões. E a Prefeitura também está gestionando junto ao BID outros R$ 7 milhões para a segunda etapa do Habitar Brasil, construindo moradias e levando infra-estrutura urbana para as famílias que vivem no fundo de vale do Conjunto Aquiles Stenghel, como foi feito nos jardins Maracanã e João Turquino.
CARLOS EDUARDO DE AFONSECA E SILVA é presidente da Cohab e ALOYSIO CRESCENTINI DE FREITAS é secretário de Obras de Londrina


Hospital Universitário presta socorro

Francisco Eugênio Alves de Souza e Waldir Eduardo Garcia
  As diretorias do Hospital Universitário de Londrina e do Centro de Ciências da Saúde agradecem a preocupação do colega Wilmar Sachetim Marçal, que é professor da UEL, porém, talvez, pelo fato do mesmo não atuar no HU e sim no Hospital Veterinário e, por basear-se em informações parciais, ao nosso ver opinou de forma um pouco equivocada. Os problemas que afligem a rotina do HU estão identificados e para a grande maioria deles existem projetos elaborados que já foram encaminhados para o governo estadual e federal e só aguardam a liberação de verbas. Temos recebido investimentos sim, em especial do governo estadual, ao contrário do que ocorreu em gestões anteriores, em que os recursos repassados eram escassos.
  O colega citou ‘‘níveis elevados de estresse, forte desgaste dos médicos, residentes, funcionários e pacientes’’. Esse quadro não é exclusividade nossa. Infelizmente, é contexto de qualquer hospital. Afinal, lidamos com vidas e não com negócios. No caso do HU, é bom esclarecer que são vidas que dependem de atendimento exclusivo via SUS. Vale destacar nosso grau de resolutividade, especialmente para os casos de alta complexidade. O nosso compromisso é justamente esse. Dizer que apenas ambulâncias são adquiridas pelas prefeituras municipais para transportar seus doentes é uma visão simplificada da realidade. O HU é um exemplo. Há muito não crescíamos tanto. O mérito está nas parcerias UEL/HU/governo estadual/prefeituras. Citamos a Ala de Queimados, a ser inaugurada, o serviço de Hemodinâmica e Litotripsia (para tratamento de cálculos renais), em funcionamento, as novas instalações do Hemocentro e vários novos equipamentos e projetos que se encontram em trâmite, junto ao governo estadual, como a ampliação das UTIs e a reforma do Pronto-Socorro.
  Os problemas do HU estão sendo resolvidos sim. Mas se contássemos com mais parceiros, com certeza nossas conquistas seriam maiores. Um projeto a ser desenvolvido, por exemplo, por ex-alunos (por que não jornalistas, ou membros da universidade, de Londrina e região, engajados em uma espécie de sociedade dos amigos do HU, como existe no Hospital de Clínicas de Curitiba?) daria o impulso necessário para melhorar ainda mais o atendimento no HU. A idéia está lançada. Por fim, o HU necessitará sempre de ajuda e cooperação, mas não deixará nunca de prestar socorro. E com qualidade. Se há falhas, com certeza elas seriam ainda maiores, não fossem as estratégias da política de administração UEL/HU, a boa-vontade e a qualificação de todos os profissionais envolvidos. O HU é apenas mais uma vítima de um sistema de saúde que não funciona da forma sonhada por quem um dia precisou de atendimento e por quem um dia pensou em ajudar.
FRANCISCO EUGÊNIO ALVES DE SOUZA é superintendente do Hospital Universitário de Londrina e WALDIR EDUARDO GARCIA é diretor do Centro de Ciências da Saúde


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