Sexualidade e hipertensão

Moacir Costa
  Até pouco tempo atrás era pouco conhecida a influência ou o impacto que determinadas doenças como o diabetes, a hipertensão arterial, as doenças cardiovasculares e o câncer prostático teriam sobre o comportamento sexual. A hipertensão é freqüentemente considerada uma doença silenciosa. Isso ocorre porque raramente apresenta sintomas por vários anos e ainda assim, causa problemas de saúde ao longo do tempo.
  É comum a hipertensão estar presente após os 50 anos. Atualmente é possível encontrar homens abaixo dos 40 anos usando anti-hipertensivos em decorrência de fatores familiares, vida estressante, agitada e competitiva. Os exemplos mais comuns ocorrem com profissionais que trabalham que trabalham sob pressão e necessitam resultados imediatos: policiais, médicos, jornalistas, etc. Grande parte dos homens (70%), na faixa de 60 a 75 anos, já apresenta hipertensão arterial. Isso se deve a fatores genéticos e principalmente ao estilo de vida e alimentação inadequada. Também podem estar envolvidos fatores emocionais, como a depressão e o estresse.
  O hipertenso necessita acompanhamento médico regular, dieta apropriada, atividade física e usar medicamentos para normalizar a sua pressão arterial. Apesar desses cuidados, com o passar do tempo, uma parcela considerável de homens passa a demonstrar baixo interesse sexual e dificuldades em manter a ereção por um tempo necessário para uma boa relação sexual. Infelizmente, certos homens mais inseguros e ansiosos, com a quebra da confiança sexual provocada pelos efeitos colaterais do anti-hipertensivo, se mostrarão mais preocupados com o desempenho sexual e as falhas de ereção tendem a se agravar.
  É importante que a parceira e o próprio casal estejam atentos a essas mudanças no comportamento sexual, procurando valorizar mais a intimidade, proporcionando mais trocas de carícias e estímulos eróticos, que poderão ajudar na retomada da autoconfiança. Além do uso dos anti-hipertensivos é importante lembrar que o estado emocional, o uso do cigarro, o consumo de bebidas alcoólicas, bem como a obesidade e outras doenças, contribuem para agravar a disfunção erétil.
  Nos últimos anos surgiram medicamentos que facilitam a retomada da potência, cuja ação é de 4 a 6 horas. Mais recentemente, surgiu um novo medicamento que permite um tempo maior de ação - até 36 horas - e que propicia ao casal desfrutar da intimidade com maior espontaneidade e restabelecer a confiança sexual perdida, podendo ser usado com alimento e bebida alcoólica em quantidade moderada. É uma boa notícia para milhões de homens que, enfim, poderão desfrutar de uma vida sexual normal e prazerosa.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em
São Paulo


HU pede socorro

Wilmar Sachetin Marçal
  A imprensa tem noticiado, com propriedade e verdade, a situação de caos que vive o Hospital Universitário da UEL, o HU de Londrina (Folha de Londrina, 7/12). Existem situações crônicas que se exacerbam continuamente, fugindo do controle operacional de qualquer administrador e da boa vontade e abnegação de seus servidores. O nível de estresse beira o insustentável, sem que haja uma real solução, submetendo todos a um forte desgaste, sejam os médicos, os residentes, os funcionários e os próprios pacientes, já adoecidos.
  O que é preciso esclarecer também a opinião pública é que o HU é um Hospital Escola e como tal tem seus limites e suas limitações. Há compromissos acadêmicos que se traduzem pela formação especializada de novos médicos. Isso não se avalia com quantidade de casos e sim com qualidade de serviços. Mesmo contando com algum recurso do Ministério da Saúde, o HU tem sido bombardeado de forma injusta e atropelada.
  A razão desse equívoco reside no fato de que quase todos os municípios do norte paranaense, não resolvem seus problemas locais e destinam inúmeros pacientes a Londrina, para atendimento no HU. São ônibus, vans e até mesmo carros particulares que diariamente chegam de diferentes localidades, trazendo crianças, jovens, gestantes e idosos. Por parte das prefeituras, inclusive a de Londrina, passam-se os anos e não assistimos qualquer inserção orçamentária ou mesmo planejamento para se construir outros hospitais regionais, visando desafogar o nosso HU.
  Nem mesmo ampliações de outros hospitais são previstas. O único investimento que as prefeituras fazem, a cada nova administração, é adquirir novas ambulâncias para transportar seus doentes para Londrina. Por que a classe política dos municípios que compõem a região metropolitana de Londrina (municípios agregados) e aqueles do Norte Pioneiro não se unem para realizar a construção de mais hospitais públicos, que possam suportar boa parte dos casos encaminhados ao HU?
  Muitas dessas cidades, embora menores que Londrina, possuem ótima qualidade de vida, o suficiente para atrair médicos especialistas de várias áreas. Por que o HU de Londrina tem que ser alvo de tantas procuras, se os municípios circunvizinhos também possuem recursos? Muitas dessas cidades pertencem ao setor primário, com expressivas lavouras de grãos e importantes rebanhos de exploração pecuária, o que denota grande circulação de dinheiro e impostos.
  Por que o HU precisa sofrer tanta pressão? O que está faltando para que as autoridades políticas e administrativas desses municípios, inclusive Londrina, adotem a máxima de resolver seus problemas, caminhando com suas próprias pernas?
WILMAR SACHETIN MARÇAL é professor doutor na Universidade Estadual de Londrina


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