Pela democratização do autódromo

Beto Monteiro
  Autoridades e responsáveis impedem uso popular e eclético do Autódromo de Londrina. Só sabem dizer não a quem vai lá. Os amantes da velocidade continuam a correr nas ruas, enquanto um grupo seleto usa uma obra pública como se fosse dele. É preciso legitimidade com transparência para administrar qualquer obra pública. Que pena que os destinos do Autódromo de Londrina tenham caído na vala comum, como em outros autódromos. Isso acontece quando as autoridades favorecem amigos em detrimento dos interesses da coletividade.
  Quando concluímos o Autódromo de Londrina, tínhamos muitos planos e sonhos realizáveis com diversas atividades que contemplariam a todos. Não terminaram o projeto concebido por desinteresse ou ignorância sem se preocupar com o público e outras modalidades esportivas. O autódromo continua subutilizado. A formação do Automóvel Clube nasceu de abnegados idealistas que ajudaram a fazer dois autódromos e quatro kartódromos em 20 tentativas com seis prefeitos. O Autódromo Internacional de Londrina só foi possível por não deixarmos acontecer desvio de dinheiro público.
  O Automóvel Clube do Café (ACC) começou em 1965 tendo sido registrado somente em 1981 com estatuto tímido e sem prever que teríamos quatro kartódromos internacionais e dois autódromos, e um deles de status internacional na região. O atual gestor do Autódromo de Londrina é o ACC que deve agora, em assembléia, alterar seus estatutos para receber apoios e participações de outras áreas esportivas, assim como terminar a obra inicialmente projetada. Mutilações técnicas e morais viciaram nosso autódromo desde a inauguração. É preciso utilizá-lo em todo seu potencial.
  É imperativo que se abram as portas para as categorias e modalidades alternativas, rejeitadas pelos gestores ilegítimos. No alto escalão, temos o ‘‘baixo clero’’ com boas pessoas, porém sem poder para democratizar o uso de todas instalações do empreendimento. Os simpósios ou assembléias devem ser usados no automobilismo para repensar seu destino, assim como nos autódromos que carecem de criatividade, ecletismo e bom senso em suas várias áreas de influências.
  O Automóvel Clube do Café deve fazer uma reforma no seu estatuto. Como sugestão, alerto a diretoria que será eleita neste dia 10, proponho que até 31 deste mês convoque reunião para criar os departamentos e diretorias subalternas à presidência, diretorias estas previstas antes da construção do autódromo, para que desenvolvam outras modalidades alternativas. Temos interessados que gostariam de participar e ajudar na administração com transparência, responsabilidade e idealismo, muitos dos quais tornaram possível essa obra. Pilotos só devem disputar com lealdade dentro da pista, fora dela é lugar de união, confraternização e trabalho sem vaidades.
BETO MONTEIRO é esportista e produtor rural em Londrina


A culpa não é da chuva

Nelson Brandão
  Dentro da área de engenharia e arquitetura são estudados, além de planos de construção, empreendimentos que envolvem estudos da urbanização para que assim, as cidades possam ser espaços harmônicos para manter a funcionalidade e a qualidade de vida. Com o objetivo de oferecer conhecimentos mais amplos, no meio acadêmico faz parte da grade curricular a dinâmica da água como, por exemplo, a precipitação, a incidência de chuvas, o escoamento da água sobre o solo sempre levando em conta o zoneamento do local. As características do local são previamente estudadas para que assim, seja implantado o zoneamento daquela área. São feitos estudos específicos referentes às propriedades do local, levando-se em consideração conceitos de grande precisão da matemática e estatística para que não haja enchentes e inundações. Essas apurações deveriam refletir para a sociedade como indício de segurança para o bem-estar.
  O loteador ou entidade pública envia ao profissional de engenharia, arquitetura ou agronomia dados de uma bacia de captação de água de um loteamento. Essa área deve ter sua superfície drenada com coletores de águas pluviais. O calculista deve levar em conta, para economia da obra, o zoneamento da área e as regras de implantação de construções neste loteamento.
Com estes dados devem ser implantada toda a estrutura das bocas de lobo; quantidade, distância entre elas e diâmetro das tubulações. Porém, muitas vezes o zoneamento tem sido ignorado por profissionais irresponsáveis que não interpretam a sua atuação de forma profissional.
  Depois vêm as mudanças de características da área calculada. Moradores que realizam reformas sem consultas técnicas. Profissionais irresponsáveis que não avaliam as condições das obras, fazendo reformas e construções sem critérios e análise, podendo tornar áreas permeáveis em locais impermeáveis. E políticos que, sem a participação de órgãos competentes, fazem o redimensionamento de lotes e promovem mudanças de zoneamento, passando lotes não adequados à estrutura urbanística. Praças que na hora do cálculo são consideradas áreas permeáveis, são vendidas e passam, por construções cobertas, a serem áreas impermeáveis.
  Existe ainda, para completar o caos, a falta de manutenção por parte dos órgãos públicos. Bocas-de-lobo entupidas que não atendem a dimensão e fluxo da água. Pensemos também na educação do povo que muitas vazes usam estas bocas-de-lobo como depósito de lixo. As conseqüências são drásticas e quem paga é o povo. É hora de pensar. A culpa não é da chuva. A culpa é nossa que, às vezes, escolhemos profissionais de engenharia e arquitetura antiéticos nas obras. É nossa pela abstinência em reivindicar atitude aos poderes públicos. É nossa por não ter uma cultura coletiva para educação de todos no que tange o bem-estar comum.
NELSON BRANDÃO é presidente do Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (Ceal)

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