ESPAÇO ABERTO
Em defesa da UEL
Demilson Parolin
O diálogo da práxis nem sempre consegue estabelecer na praxe os pressupostos do debate empreendido. Isso fica evidenciado diante do atual fracasso de grande parte dos educandos preparados para o novo modelo de vestibular da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Tenho acompanhado o esforço da UEL em orientar, há mais de uma década, a necessidade de mudança de enfoque do ensino-aprendizagem nas escolas locais, alertando para as mudanças que se fariam na seleção dos seus alunos.
Tem-se observado um dramático burburinho pela cidade entre aqueles que se colocam como os únicos detentores da excelência do saber na formação dos futuros vestibulandos.
Parece haver uma incompreensão importante sobre os pressupostos de avaliação que perpassam as discussões atuais na filosofia da Educação.
Os novos parâmetros curriculares nacionais, em sintonia com as novas demandas sociais, têm proposto um debate acerca desses tradicionais modelos educacionais.
Esses críticos têm questionado a prova de conhecimentos gerais que exigiu a leitura de textos complexos e supostamente voltados especificamente para o ensino superior.
Contudo, é preciso considerar que a produção de conhecimentos científicos tem também por finalidade a divulgação e democratização de acesso a esse saber.
Ainda, é preciso lembrar que o ensino básico não deve prescindir de conhecimentos acadêmicos, afinal são eles que sustentam a razão de ser da escola.
Em relação ao questionamento sobre o tempo da prova, fica evidenciada uma fragilidade perigosa, pois demonstra a falta de experiências de leituras ao longo do ensino básico. Talvez esteja por aí a explicação para o fracasso do desempenho do Brasil na última avaliação proposta pela Unesco e outras organizações.
Sabe-se que há uma expectativa acerca dos resultados de outras universidades com a exclusiva finalidade de mostrar que a UEL errou. Contudo, esse seria um erro crasso de leitura do contexto atual da educação nacional, pois embora muitas universidades ainda trabalhem com avaliações tradicionais, há um debate sério de mudanças, que ocorrerão num breve tempo.
DEMILSON PAROLIN é professor de História e coordenador pedagógico do Ensino Médio em Londrina
Ensino e dignidade
Beto Monteiro
O ensino básico público deveria ser privatizado, pois demonstra ineficiência e não ensina adequadamente para colocar os alunos nas faculdades. O ensino público está terminal. As fortunas gastas não se transformam em verdadeira educação. As mensalidades deveriam ser pagas pelo poder público a todos que precisam. Os professores, maior e mais respeitoso título dado a um cidadão em muitas nações, não são respeitados pelos nossos governantes: recebem salários aviltantes e trabalham sem condições adequadas.
Quem sou eu para falar de ensino? Que pretensão? Mas saibam que o maior mal é o silêncio das pessoas boas. Todos temos o que falar e se não o fazemos, aceitamos que políticos em vésperas eleitorais usem demagogicamente o tema ensino para ganhar votos incautos. O ensino merece melhor sorte, atenção e respeito e não deve ser matéria pré-eleitoral como é usado por candidatos a cargos públicos há séculos.
O aluno da escola pública gasta duas ou mais vezes dinheiro público (nosso, meu, seu) para não aprender o básico que o coloque nas boas faculdades do Estado. Além de privado e integral, o ensino básico deveria fornecer a todos os alunos, alimentação (nutritiva), esporte, lazer, laboratórios, estudo e pagar bem os professores. Isto não acontece. O Estado gasta mal o dinheiro sem oferecer qualidade.
O Estado deveria garantir aos professores salas de aula bem equipadas, em período das 9 às 17 horas, e oferecer vale-escola aos carentes. Colocar os melhores alunos nas faculdades a partir dos seus currículos, deveria ser a meta de qualquer escola. Ao privatizar, enxugaríamos o Estado e a corrupção e permitiríamos outra salvação: renda mínima para todos os cidadãos, que defino como promotor de dignidade, pois há muito perdemos a dignidade de nos indignar. Com apenas um sistema de ensino (privado), o vestibular não seria mais necessário, mas apenas o currículo do aluno. Também não mais precisaríamos de cotas. Com a sobra de dinheiro público, o Estado investiria maciçamente em cursos profissionalizantes, pois já temos mais de uma geração de doutores com subempregos ou mesmo sem nenhum emprego.
A solução para um Brasil melhor não está só no ensino. Se esperarmos só por essa solução, morreremos todos e não as veremos. A solução está nas reformas políticas que vão renovar os parlamentares que não querem essas reformas, os mesmos que preferem o pior para terem material populista e demagógico a encher seus vazios discursos eleitoreiros. O Chile investiu na reforma política e os novos eleitos exigiram melhor ensino. E o Chile passou a França e a Suíça em probidade e ensino. Vamos lá políticos e nomeados, não temam as reformas, façam-nas e veremos rapidamente um Brasil melhor. Ou preferem que votemos por renovação total? Cidadão eleitor, faça sua pequena parte ou lute ao menos pelo voto facultativo e deixe que os outros decidam por você.
BETO MONTEIRO é produtor rural em Londrina
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