Dia Nacional das Relações Públicas

Marlene Marchiori
  Função tradicional e hoje requisitada pelas organizações: gerenciar relacionamentos. Somos conscientes da necessidade fundamental de uma empresa estabelecer relações com públicos prioritários – identificados como ‘‘stakeholders’’. Relações Públicas trabalham e fundamentam suas ações no sentido de aproximar grupos, buscando entendimento e consenso para o desenvolvimento de atitudes organizacionais.
  Mas afinal, como trabalhar esta área? O que é gerenciar relacionamentos? Partimos do princípio que devemos conhecer em profundidade os públicos. Precisamos mapeá-los e identificar suas opiniões. Como pensam? Como se comportam? De que forma percebem a proximidade da empresa? Qual o nível de informação que possuem e quais são suas necessidades? Estas estão sendo atendidas? Tem opiniões e contribuições para a organização? Entre tantos outros questionamentos que podemos realizar dependendo dos objetivos e da extensão do trabalho que se pretende. Com este nível de informação e conscientes do processo de comunicação que desejamos estabelecer com cada público, podemos atingir objetivos e apresentar resultados para a empresa.
  É bom olharmos para nossa profissão e vermos que após 40 anos – data de sua regulamentação no País – crescemos, pois, hoje temos novos desafios que levam a uma nova postura de relacionamento: co-gerenciar o futuro de uma organização. Esta construção é um processo que exige mais do que competência, exige conhecimento, equilíbrio nas ações, no sentido de modificar comportamentos dos públicos e também da própria organização. É preciso relacionar-se e comunicar-se continuamente para que uma organização possa ser reconhecida.
  Na prática, Relações Públicas é uma atividade estratégica e demanda trabalho contínuo para que se possa atingir proximidade, entendimento e respeito com diferentes públicos para que a identidade possa ser formada e fortaleça naturalmente a imagem e reputação empresarial. Ser legítima, ser verdadeira, construir processos que gerem conhecimento e performance, levando a um efetivo desenvolvimento organizacional. Empresas que adotam Relações Públicas sabem de seu sucesso.
MARLENE MARCHIORI é professora da Universidade Estadual de Londrina e consultora


É o Diabo um teólogo?

Jonathan Menezes
  Nunca havia pensado no Diabo como um teólogo. A priori essa deveria ser sempre uma idéia inconcebível, pois, no final das contas, teólogos são aqueles sábios estudiosos que se esmeram em caminhar com Deus e em desvendar, por meio de linguagem humana, os mistérios revelados ou, quem sabe, ocultos da Palavra Divina. Como então poderia ser o Diabo, o Coisa-Ruim, o Cramulhão, o Chifrudo Vermelhão, o Inimigo, ou outras representações que dele se tenha, mas que nem sempre o ‘‘representam’’ realmente, um teólogo, na melhor acepção da palavra? Era, para mim, algo quase irrefletido, até que me deparei com as palavras de Eugene Peterson: ‘‘O Diabo pode ser definido como aquele tipo de teólogo que sabe tudo a respeito de Deus, mas que não quer nada com Ele’’.
  Constantemente, nós, teólogos, caímos na armadilha de almejar saber (cognitivamente) tanto sobre Deus, sem, no entanto, conhecê-lo na vida e sem nos interessarmos por aquilo que Ele É. Contudo, essa, definitivamente, não é uma prerrogativa apenas de teólogos, mas de todos aqueles que mergulham nesse mar infindo e processual de conhecer a Deus. Muitos, aliás, se perdem nesse artifício ao fazer do próprio conhecimento um deus, supondo poder conhecer as minúcias tanto do Céu como do Inferno, devotando-se às capacidades da criatura ao invés de adorar ao Criador. Afinal, qual é a matéria-prima da teologia? Alguns diriam que é Deus, o que discordo. Deus não é substância nem produto da mente humana e por ela não pode ser apreendido; não é um objeto de estudos científicos, muito menos de cálculos matemáticos (essa foi e é a grande frustração da modernidade), posto que Ele não é sintético, mas é Espírito: invisível, indivisível, imutável, infinito.
  ‘‘Eis que Deus é Grande e não o podemos compreender; o número de seus anos não se pode calcular’’ (Jó 36:26). Por isso, conforme opina Peterson, ‘‘o nome de Deus sem oração a Deus é a matéria-prima da blasfêmia. A verdade a respeito de Deus sem amor por Deus rapidamente degenera em opressão’’, opressão para quem profere e também para quem ouve a suposta ‘‘verdade’’. Oração, por outro lado, não é um mero rito ou experimento artificial, oração é vida, é o rumor do coração que se transforma em palavras, ou em simples silêncio, colocando nosso mundo limitado em vivo contato com o mundo ilimitado de Deus. Para mim, a principal matéria-prima da teologia é a vida, assim como orar é viver e como Deus é sinônimo de Vida e Liberdade plenas. Só se pode conhecer a Deus à medida que se celebra intensamente o viver, o viver junto com outros, imersos na realidade. A teologia que se vale da experiência de Jesus (o Deus Encarnado) está totalmente ancorada em permanente relação com a realidade que nos cerca, tantas vezes dura e cruel.
JONATHAN MENEZES é estudante de Teologia na Faculdade Teológica Sul-Americana em Londrina


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