ESPAÇO ABERTO
E por falar em dinheiro...
Abraham Shapiro
Como a maioria dos brasileiros, fui vítima de um sistema educacional fora da realidade. Faltou propósito prático, objetividade entendimento da vida e, assim, a elaboração dos programas atendeu muito mais a sonhos do que ao ideal de formar pessoas para o futuro. No meu tempo, a carência nacional era a mesma de hoje: governo.
Passei onze anos no ensino fundamental. Aprendi história, geografia, educação moral e cívica, geografia, filosofia, sociologia, francês, inglês, além das ciências, língua portuguesa e matemática - um volume enorme de temas de pouca ou nenhuma utilidade. Estudei assuntos de história e geografia, por exemplo, que, já naquela época, eram duvidosos e hoje estão modificados. Quando penso em tantas daquelas banalidades, pergunto: para quê um ensino assim? Quase tudo esquecido pela falta de uso.
Sabem o que seria útil para mim e para todo mundo? Assuntos relacionados a dinheiro. Sim: dinheiro. Nosso sistema educacional ignora comércio, economia, finanças. Quem desejar saber algo, só encontrará em cursos técnicos, e olhe lá. O dinheiro está na vida de todos - ou deveria estar. Incompreensível! Um assunto fundamental substituído por tolices e idéias sem razão.
Mas o problema não acaba aí. Após o colégio, fui para a universidade. Meu curso superior nada tinha a ver com economia. Formei-me sem nenhuma noção de finanças. Tive que buscar formação específica a fim de conhecer o mínimo necessário à minha vida profissional.
Por quê?. Não tenho dúvida de que esta falha no nosso sistema educacional é responsável por muitos fracassos e pelo tímido espírito empreendedor entre os brasileiros.
Gerir finanças pessoais é uma necessidade gritante de um percentual incrível de nossa população. É perceptível. As pessoas têm dificuldades com coisas simples como cheques, cartão de débito e crédito, conta-corrente, cobrança por boleto bancário, etc. Conheço economistas que sabem resolver os maiores problemas de um país, mas não aprenderam a resolver os seus próprios.
Sugiro que, se você concorda com este artigo, abra um debate com outras pessoas a respeito e formule sugestões às autoridades de educação do Estado e do país no sentido de despertá-las a este defeito de nosso sistema de ensino. Talvez disso dependa a qualidade do futuro que todos desejamos para nossos filhos e netos.
ABRAHAM SHAPIRO é consultor empresarial na área de Liderança e Comportamento Organizacional em Londrina
Santo de casa faz milagres
Amélio Dall'Agnol
Quando, em 2004, a Embrapa Soja elegeu Londrina para sediar, em junho de 2006, a 4 edição do Congresso Brasileiro de Soja (IV CBS), almejava organizar um evento que abordasse temas do momento do agronegócio nacional e mundial.
Dentre as mudanças importantes a considerar no globalizado mercado de produtos agrícolas, está a exigência pela qualidade do alimento e do processo no qual é produzido. Os mercados mais exigentes estão dispostos a pagar mais por um alimento, mas querem saber onde ele foi produzido, que tratamentos recebeu ao longo do processo e se respeitou o meio ambiente e os direitos dos cidadãos envolvidos na sua produção. Em outras palavras, exigem rastreabilidade dos produtos que compram.
Atendendo essa demanda de mercado, o tema rastreabilidade e certificação de alimentos foi selecionado para integrar o programa do IV CBS e, de imediato, passou-se a buscar instituições capazes de indicar um palestrante para abordar esse novo conceito de qualidade que, supúnhamos, seriam européias ou norte-americanas. Mas, dentre os potenciais candidatos surgiu o nome do Instituto Gênesis de Certificação, que não é, nem europeu e nem americano; é brasileiro de Londrina. É uma entidade que nada deve em organização, tamanho e qualidade às instituições mundiais do gênero. Conta com staff de 50 servidores fixos e mais de 800 técnicos e auditores atuando em 14 estados. Começou com a certificação de carnes, mas hoje atua, também, na certificação de grãos, frutas, flores, café, entre outros produtos agrícolas.
O IGCert, hoje, certifica produtos para a EurepGap (representa os principais varejistas europeus no setor de alimentos), SISBOV (sistema brasileiro de identificação e certificação de origem bovina e bubalina), Orgainvent (sistema europeu de rastreabilidade e implementação de rotulagem em toda a cadeia de produção de carne bovina e outros produtos alimentícios), selo non-OGM (certifica ausência de Organismos Geneticamente Modificados), créditos de carbono (primeira certificadora do mundo a formalizar projetos de certificação de mecanismos de desenvolvimento limpo -MDL -, no marco do Protocolo de Kyoto).
O IGCert estará no IV CBS com uma palestra do seu diretor-executivo, Marcelo Holmo, sobre rastreabilidade e certificação de alimentos. A propósito, é necessário que a comunidade de Londrina valorize mais os valores da sua terra, para evitar que ícones locais sejam reconhecidos mundo afora, mas ignorados em Londrina. Dizer que santo de casa não faz milagres, é falso. Parabéns ao idealizador, Henrique Victorelli Neto.
AMÉLIO DALL'AGNOL é engenheiro agrônomo e pesquisador da Embrapa Soja em Londrina





