Respeito ao ambiente na UEL

Lygia Lumina Pupatto
  Na época da criação da Universidade Estadual de Londrina (UEL), a área do Campus Perobal, com 1.500.021 m2, era preenchida totalmente por um grande cafezal, uma reserva florestal nativa e muitas perobas. As primeiras construções foram edificadas no Centro de Ciências Biológicas e na Reitoria. Passados 34 anos, temos hoje edificados 123.133 m2 de construções e outros 150.000 m2 ocupados pelas ruas, estacionamentos, quadras e passeios. Nas demais áreas, ao longo do tempo, foram plantadas várias espécies arbóreas.
  Conhecedora da complexidade que envolve a questão ambiental, a atual administração da UEL tem se pautado por ações que preservem de maneira correta as áreas verdes, mas também que garanta a qualidade de vida das pessoas que aqui estudam e trabalham, e de toda a comunidade. Em três anos, nossas ações incluíram obras nem sempre visíveis, como é o caso do sistema de captação de esgoto no Campus, que substituiu 200 fossas sépticas e propiciou a melhoria nas condições sanitárias e a despoluição do lençol freático. Recentemente, uma negociação com a prefeitura de Londrina possibilitou que os restos de animais que morrem no Hospital Veterinário sejam enterrados no aterro sanitário do município. Antes, eles eram inadequadamente enterrados no próprio Campus, causando poluição.
  Nossa comissão de gestão ambiental elaborou projetos para coleta seletiva de resíduos sólidos e de gerenciamento de resíduos perigosos dos laboratórios, já em fase de busca de financiamento para implantação. O primeiro resultado concreto deste trabalho foi a recém-lançada campanha de Controle de Desperdício no Restaurante Universitário.
  Não obstante as árvores cortadas para a construção da Moradia Estudantil serem espécies exóticas usadas para reflorestamento (quiri) e um abacateiro, já programamos o plantio de 500 árvores nativas ao redor do futuro prédio. A meta é plantarmos no Campus, de maneira planejada, dez árvores para cada uma cuja derrubada seja inevitável. Temos hoje, uma mata nativa com 54.320 m2 monitorada e totalmente preservada. A UEL é dinâmica e tem necessidade contínua de expansão; por isto novas construções certamente serão realizadas. Infelizmente, para cada obra civil dificilmente evitaremos, com exceção das perobas, o corte de alguma árvore.
  Esta administração inaugurou, no mês passado, o Bosque Perobal. Nele foram plantadas 34 mudas de peroba rosa, já com 1,30 m de altura. Elas se juntam a outras 550 perobas plantadas pelo setor de jardinagem nos últimos anos, e às centenárias perobas, remanescentes da floresta original. É assim, com todo respeito, que tratamos do meio ambiente na UEL.
LYGIA LUMINA PUPATTO é reitora da Universidade Estadual de Londrina


Sugestões para o vestibular da UEL

Agnaldo Kupper
  Não vivemos, definitivamente, em uma sociedade democrática. Não há participação de professores e discentes na elaboração dos currículos escolares: nosso direito de ir e vir está ameaçado pela violência, falta de segurança; não há acesso amplo à cultura. Poderíamos, aqui, desfilar exemplos. Mas vamos ater-nos ao que nos propomos.
  A partir da década de 50 do século passado, houve um decréscimo dos estudos humanísticos tradicionais, seja no meio universitário, ou no equivalente ao atual ensino médio (antigo 2º grau). Perdeu-se o grego, o latim, o francês (resultado da crescente influência norte-americana). Durante o período da ditadura militar, por força das leis que resultaram do acordo MEC-USAID, disciplinas como Organização Social e Política do Brasil e Educação Moral e Cívica (1º e 2º graus) e Estudos de Problemas Brasileiros (ensino superior) substituíram o ensino de História e Geografia; baniu-se a Filosofia do então 2º grau, excluindo-se assim, a reflexão e a discussão; introduziu-se o vestibular unificado, com questões de múltipla escolha (só no final da década de 70 voltou a redação), o que levou os cursos pré-vestibulares a desenvolver uma linha demasiada informativa de ensino e, no mesmo período, as instituições superiores de ensino particulares multiplicam-se (e multiplicam-se até os dias de hoje), com claro objetivo comercial.
  Assistimos hoje ao confronto de duas tendências no meio universitário: uma reflete os interesses das classes dominantes, com fórmulas prontas saídas do ensino superior na busca de profissionais que atendam aos interesses do mercado; outra que busca uma tendência crítica, para a construção de uma realidade melhor para as futuras gerações. O vestibular da UEL parece indicar a busca da concretização da segunda tendência. Elogios devem ser feitos neste sentido, a começar pelo que bem lembrou o professor e colega Geraldo Luiz de Souza, pela coragem de contrariar interesses econômicos ao introduzir seu vestibular entre os meses de novembro e dezembro.
  Porém, algumas considerações que, cremos, sirvam de aperfeiçoamento aos trabalhos, devem ser apresentadas: 1) uma prova de conhecimentos gerais deve atentar a seus propósitos de medir um conjunto de conhecimentos, nunca limitando a abrangência de relações; 2) adequar o tempo dado para a realização da prova ao contexto das questões apresentadas;. 3) ampliar a aproximação da comunidade organizadora do vestibular e a comunidade interessada em adentrar no meio universitário, para que não haja surpresas e decepções.
  Quando resolvemos ‘‘fazer’’ uma escola, primamos pelos estudos humanísticos, muito antes das novas exigências de vestibulares como o da 1ª fase da UEL. Afinal, nunca objetivamos apenas esses concursos. Estamos felizes com o objeto da prova da UEL, porém atentamos para seu aperfeiçoamento e adequação, bem como a determinação clara do que deve ser a prova.
AGNALDO KUPPER é professor de Sociologia e História em instituições de ensino Médio, cursos pré-vestibulares e ensino superior em Londrina


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