Uma jornada para o futuro

Tadeu Felismino
  Falar em futuro nesta época de mensalões, katrinas, tsunamis, homens-bomba, gripe aviária, maculosa, aftosa, assassinatos de jovens a granel, etc., é o mesmo que falar de esperança, uma esperança ativa e perseverante, como aquele último dom que restou na caixa de Pandora. Pois Londrina celebra fartamente, nesta semana, a esperança e a vontade de construir um futuro melhor para seus habitantes, especialmente os jovens, através de quatro eventos voltados para o desenvolvimento tecnológico de nossa região.
  O primeiro - e mais antigo - é a Jornada Tecnológica Internacional de Londrina, que acontece de hoje a sexta-feira, das 8 às 12 horas, no auditório do Edifício Twin Towers. Criada em 1994 pela Associação do Desenvolvimento Tecnológico de Londrina e Região, a Jornada chega à sua 12ª edição em parceria com a Companhia de Desenvolvimento de Londrina, UEL, Sercomtel e Milênia Agrociências, convocando a comunidade a debater as tecnologias mais promissoras para nossa região. São 15 painéis temáticos enfocando projetos e ações estratégicas nas áreas agroalimentar, da saúde, das tecnologias da informação e comunicação, culminando com projetos de vulto como o Parque Tecnológico, o Arco Norte e o Fórum Permanente de Planejamento Estratégico e Desenvolvimento Sustentável de Londrina.
  O segundo evento da semana, também organizado pela Adetec, com apoio da Itaipu Binacional, é o I Seminário e Mostra de Design do Núcleo de Design de Londrina: de hoje a quinta das 13 às 20 horas no auditório do Edifício Eurocenter (Higienópolis 1.601), estudantes e profissionais vão debater temas de grande atualidade econômica como ‘‘redesign’’, ‘‘design na internet’’ e ‘‘design e empreendedorismo’’. Hoje e quarta, das 16 às 21 hs, no Shopping Catuaí, é a Intuel - Incubadora Tecnológica da UEL que protagoniza um belo evento, a FITI Londrina - Feira de Inovação Tecnológica de Incubadoras, que vai mostrar produtos e serviços de 40 empresas de base tecnológica, que estão nascendo e dando os primeiros passos em incubadoras do Paraná.
  Finalmente, na quinta e sexta de manhã e à tarde no Centro de Eventos do Iapar, a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná reúne pesquisadores, técnicos e empresários ligados ao agronegócio, no ‘‘Workshop CT&I para o Agronegócio Paranaense’’, evento que vai definir as prioridades do Estado em tecnologias para o setor. Toda esta movimentação representa um fecho de ouro para a Novembertech 2005 - Festival de Ciência e Tecnologia da Região, e mostra que a proposta central do Programa Londrina Tecnópolis, de posicionar nossa região como um dos três principais pólos tecnológicos do país nos próximos anos, não era um futuro tão remoto e nem uma esperança vã.
TADEU FELISMINO é coordenador executivo da Adetec e do Programa Londrina Tecnópolis


Vale Tudo: será que vale a pena?

Rubem de Oliveira Cauduro
  Em breve Londrina será novamente palco de combates de Vale Tudo, uma apresentação onde duas pessoas se agridem fisicamente utilizando golpes, pancadas, chutes, joelhadas, cotoveladas, estrangulamentos, etc. Nas arquibancadas centenas de pessoas assistem atentas para ver qual dos dois lutadores consegue provocar o maior estrago físico no outro. Um árbitro garante que as pancadas sejam legítimas. E onde estão as campanhas contra a violência? Onde estão as autoridades e os professores de medicina, odontologia e psicologia? Será que ninguém consegue perceber o risco de lesões gravíssimas ou mesmo de morte? Será que é uma atividade saudável para os jovens que assistem esperando para ‘‘ver o melado descer’’? O próprio nome da apresentação já dá medo: ‘‘Vale Tudo’’, parece coisa do PT para salvar seus envolvidos em tantos crimes. Mas, o assunto agora não é este.
  Acredito que qualquer estudante de medicina ou odontologia poderia descrever estes riscos e as possíveis conseqüências de fortíssimas pancadas no rosto, na cabeça e em outras partes do corpo. Também nem é preciso ser psicólogo para prever o comportamento futuro de pessoas, especialmente jovens e adolescentes condicionados ao ensinamento de que ‘‘para ser homem precisa ser bom de briga’’. Espero que este tipo de apresentação seja proibido assim como são proibidas as rinhas de galos e de cachorros. E que o público prefira assistir espetáculos de música ou de teatro e mesmo de artes marciais que apresentem mais habilidade e técnica e menos força bruta, violência e sangue.
  Eu sei que muitos dirão que o Vale Tudo não é coisa para ‘‘maricas’’ e sim para homens, dirão também que não tenho nada que me intrometer neste assunto e, por último, que como sou muito medroso, me falta coragem para encarar um desafio destes e que este texto é uma forma de esconder minha fraqueza. A estes já vou responder antecipadamente: tenho medo sim e é este o sentimento que preserva a integridade física dos seres humanos. Quanto a me intrometer, sou cidadão brasileiro e educador, então tenho o direito e a obrigação de escolher e de me manifestar sobre aquilo que considero bom ou ruim para a sociedade em geral e, especialmente, para os jovens. E, quanto a ser homem ou ‘‘maricas’’ para mim basta o legado dos meus pais que me ensinaram a acordar cedo, trabalhar honestamente e tentar educar meus filhos. Mesmo num país onde o assessor de marketing do presidente da República se delicia e chega ao orgasmo assistindo dois espécimes de Gallus dosmesticus sangrando até a morte nas populares, porém ilegais ‘‘brigas de galo’’.
  Eu sei que no Brasil vale tudo, mas será que vale a pena?
RUBEM DE OLIVEIRA CAUDURO é professor de Inglês e faixa preta 3º Dan da Associação Londrinense de Karatê


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