O novo vestibular da UEL

Geraldo Luiz de Souza
  No último domingo tivemos a primeira etapa do vestibular da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Atuando há 20 anos diretamente junto a vestibulandos e acompanhando-os em um momento tão delicado de suas vidas sinto-me obrigado a tecer algumas considerações sobre a referida prova. Em primeiro lugar é preciso reconhecer os esforços da universidade em realizar um exame vestibular mais adequado às novas exigências pedagógicas. Também deve-se ressaltar a coragem em desafiar uma tradição de décadas de realização da prova no mês de janeiro, contrariando muitos interesses econômicos.
  Com a intenção de contribuir para que nosso vestibular possa melhorar sempre mais e o ingresso ao ensino superior seja menos traumático alguns pontos poderiam ser revistos. 1) Uma avaliação de Conhecimentos Gerais que supervalorize uma determinada área do conhecimento não se mostra um instrumento adequado de aferição. Houve um predomínio exagerado de questões de História, Filosofia, Sociologia e Artes em detrimento de outras disciplinas.
  2) Exigir de um jovem adolescente que se dedique, durante quatro horas, à leitura de textos muitas vezes complexos e retirados de obras voltadas ao ensino superior não parece razoável. 3) Chamar uma prova de ‘‘Conhecimentos Gerais’’ por ter temas geradores abordados de maneira interdisciplinar, mas nas questões e alternativas particularizar e especificar um determinado autor ou interpretação leva a um desvirtuamento da proposta.
  4) Privilegiar textos mais adequados ao ensino superior faz com que a prova seja admirada e enaltecida por acadêmicos e professores, mas de difícil compreensão para o aluno do Ensino Médio que deverá desenvolver a intimidade com tais leituras ao longo do ensino superior. Quando professores universitários se propõem a elaborar instrumentos de avaliação para o Ensino Médio é preciso estar sempre atento ao nível de exigência, e esta prova parece ser um alerta.
  5) A data escolhida, segundo domingo de novembro, não é a melhor pois leva a uma luta contra o tempo para que os conteúdos possam ser abordados em sua integralidade. Além do que o período de espera até a convocação para a segunda fase é muito longo. Por ser uma prova objetiva, o resultado poderia ser quase imediato e as demais informações sobra novas salas e locais de provas serem passadas posteriormente. Os candidatos vivem um momento angustiante de espera que compromete a continuidade da preparação para a segunda fase.
GERALDO LUIZ DE SOUZA é professor de História e Filosofia em Londrina


Indiferença na UEL

Maria Aparecida Vivan de Carvalho
  A UEL é bela! Toda sua beleza compõe um conjunto no qual se destacam as árvores (peroba, flamboyant, frutífera), bosques, trilhas, flores variadas, borboletas, corujas, gaviões, pássaros, gambás e outros. Espaço magnífico onde se descortinam pensamentos, se libertam idéias e sopram vivências enriquecedoras.
  No entanto, há tempos percebo certa indiferença no interior da instituição acerca das questões ambientais no próprio campus. Parece que existem comissões e algumas propostas, mas nada de concreto. Ouvi falar de uma comissão! Ouvi falar de coleta seletiva! Mas por que não se ouve falar na incorporação formal da dimensão ambiental na própria universidade? Nos eventos relacionados ao tema, as pesquisas apresentadas estão sendo realizadas junto à comunidade londrinense, até mesmo em cidades vizinhas, mas muito escassas na UEL; há carência de práticas de reflexão e ação numa perspectiva interdisciplinar.
  Certamente isto gera perplexidades no cotidiano universitário. Na semana passada foi entristecedora e chocante a cena de destruição ecológica próximo à reitoria, num local onde várias árvores estavam harmoniosamente localizadas, com a finalidade de construir ‘‘num piscar de olhos’’ a Casa do Estudante. Óbvio que o desenvolvimento e crescimento em termos de estrutura física da nossa universidade são relevantes, entretanto, assim como inúmeras vozes ecoam pelo campus ultimamente pergunto: Por que não em outro lugar? Provavelmente haverá resposta para isto, mas nada admissível e suportável!
  Atitudes anódinas disfarçáveis podem contornar o descalabro de tal construção em local tão inapropriado, num pique de interesses que podem ir além de nossa compreensão. Com um contingente fabuloso de alunos, professores e técnicos, a universidade tem condições de desenvolver programas voltados para o campus, para as relações homem-natureza e qualidade de vida da comunidade universitária. A educação ambiental crítica é uma poderosa ferramenta que também contribui na formação da cidadania.
  Valorizar o verde é respeitar a vida, é preocupar-se com a reorientação de práticas, é procurar estabelecer novos e significativos sistemas de valores e comportamentos condizentes com a perspectiva ambiental. Impugnar abordagens reducionistas faz parte de um planejamento institucional consciente da crise ecológica e de um intenso processo de desumanização que se alastra pelo Brasil e pelo mundo. Em outras palavras, é preciso bradar pela conservação e recuperação do verde do campus, num amplo trabalho coletivo de preservação ambiental, de forma que a universidade se torne protagonista de políticas internas ambientais exemplares que sirvam, sobretudo, de terreno fértil para o ensino e a pesquisa.
MARIA APARECIDA VIVAN DE CARVALHO é professora do departamento de Anatomia da Universidade Estadual de Londrina

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