Odontologia UEL: sonho se tornando realidade
José Roberto Pinto

A história do curso de Odontologia se confunde com a própria história da Universidade Estadual de Londrina (UEL) visto que, juntamente com outros quatro cursos da cidade, deu origem a esta grande universidade em 1970. A implantação da Clínica Odontológica Universitária data de 1963, vindo a tornar-se órgão suplementar em 1993, vinculado administrativamente à Reitoria e academicamente ao Centro de Ciências da Saúde (CCS). Tem como objetivos principais proporcionar estrutura física, de recursos humanos e logística ao curso de Odontologia. Durante todo este tempo, formou mais de 1.600 profissionais de excelente qualidade, ao mesmo tempo em que prestou atendimento a milhares de pessoas (uma média mensal de 15 mil atendimentos). Apesar de continuarmos a ocupar, ainda, o mesmo prédio da antiga Faculdade de Filosofia, adaptado e readaptado tantas vezes, mas que continua não oferecendo as condições de excelência para uma prática adequada aos novos tempos da profissão e de consideração para com os pacientes.
Queremos enfatizar que há 25 anos este mesmo espaço físico abrigava 160 alunos enquanto hoje, entre graduandos e pós-graduandos, abriga 350. Gostaríamos, no entanto, de informar a população de Londrina e região, além de demonstrar, novamente, à comunidade interna da UEL, em especial àquela ligada ao curso de Odontologia, as importantes e necessárias medidas que vêm sendo tomadas. Graças a um esforço conjunto da direção do CCS, da administração da UEL, da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, do deputado estadual José Maria Ferreira e do governador do Paraná, estamos recebendo do Fundo Paraná, através de projeto, recursos da ordem de R$ 980 mil, que estão sendo aplicados principalmente em equipamentos e para pequenas readequações de espaço físico que, certamente, proporcionarão melhores condições, não só do ensino mas também de pesquisa e na qualidade das condições de atendimento à população que procura a Clínica Odontológica Universitária e a Clínica de Bebês.
Informamos que já está em fase de licitação para a contratação do projeto arquitetônico. Esta direção não abandonou o sonho de nossa nova casa no campus universitário, e continuaremos sonhando, acreditando e lutando para atingirmos nossos objetivos.
JOSÉ ROBERTO PINTO é vice-diretor do Centro de Ciências da Saúde e professor associado do curso de Odontologia da Universidade Estadual de Londrina

Agonia petista
René Ruschel

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva se aproxima de uma zona de turbulência perigosa, que no jargão dos aeronautas é definida como ''point of no return'', isto é, ponto sem retorno. Fosse ele o comandante de uma aeronave em pleno vôo certamente iria pôr em prática o que ensina o manual básico dos pilotos para esta situação, ou seja, quando pego de surpresa por alguma intempérie a única solução é agir rapidamente e permanecer o menor tempo possível sob o fogo cruzado. A experiência mostra que na maioria das vezes qualquer outra medida acaba em desastre. No entanto, a sensação é que o presidente, seus assessores e ministros, além de dirigentes do Partido dos Trabalhadores não têm conhecimento ou mesmo noção dessas regras. A cada dia se engalfinham em novas pendengas políticas que vêm somar as já existentes sem, no entanto, resolver as que se arrastam de maneira insolúvel. O resultado desta mixórdia é justamente uma turbulência que poderá custar caro não só ao país como ao projeto de poder dos petistas e seus aliados.
Após o episódio Waldomiro Diniz tanto o PT como o governo tem passado a maior parte do tempo buscando justificativas para uma série de acusações e suspeitas de irregularidades que teriam sido praticadas pelos partidos políticos que deram sustentação à eleição do presidente Lula em 2002, assim como nas disputas de 2004. O que se viu desde então foi um jogo bruto, recheado de acusações e que tem servido como matéria prima para a oposição não só abastecer as CPI's dos Correios, Mensalão e dos Bingos, como também ''sangrar'' o presidente Lula a fim torná-lo cada vez mais vulnerável até as eleições de 2006. Depois vieram as denúncias de caixa dois para os financiamentos de campanhas a partir de uma intrincada operação que ficou conhecida como ''valerioduto'', da compra de deputados para votar em favor dos interesses do Planalto; a prova e a confissão de que um dirigente do PT ganhou um carro de uma empresa fornecedora do governo e do mago da publicidade ao admitir que recebeu dinheiro de forma ilegal no exterior para o pagamento de seus serviços. Novamente governo e dirigentes partidários insistem em procurar uma saída para justificar o injustificável. Em política, certos aspectos podem até ser legais ou juridicamente corretos, mas agridem a opinião pública pela desfaçatez com que se apresenta.
O governo vive seu pior momento. Se for buscar culpados pela situação certamente encontrara algozes militando nos quadros de partidos aliados, sejam em funções burocráticas internas, na administração pública ou no Congresso Nacional. Aliás, o erro maior foi ter transformado governo e partidos em irmãos xifópagos. A um ano das eleições, o céu de brigadeiro de antanho se transformou em turbulência. Nestes casos só resta uma alternativa: ou o comandante toma medidas drásticas para corrigir a rota, inclusive trocando alguns tripulantes, ou a aeronave corre o risco de na melhor das hipóteses soçobrar num pouso de emergência. Possivelmente com vítimas e feridos.
RENÉ RUSCHEL é jornalista em Curitiba

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