Preservativo = sexo seguro

Moacir Costa
  Vamos imaginar um casal de jovens, Juliana e Rodrigo (fictícios). Eles são alegres, estão de bem com a vida e se amam. Mas, como tantos outros casais de namorados acabam discutindo sempre por causa do mesmo problema: sexo. Eles brigam por que Juliana, cuidadosa e bem informada, só aceita fazer sexo se Rodrigo usar preservativo. Ela exige também um teste de HIV. Mas Rodrigo, como a maioria dos homens, não quer nem ouvir falar em preservativo. Diz que sexo com camisinha não tem graça, diminui a sensibilidade e o vigor da ereção, e exame de sangue para provar que não tem AIDS mostra que Juliana não confia nele.
  Será que esse desentendimento pode acabar com o amor do casal? Não se os dois discutirem a questão levando em conta o perigo a que estão expostos se informando sobre as maneiras mais eficazes para se protegerem. Está na hora de casais de todas as idades enfrentarem a verdade. O uso do preservativo é fundamental para a prática do sexo seguro, para evitar as doenças sexualmente transmissíveis e até a gravidez.
  Homens e mulheres precisam ter consciência de que todas as pessoas que têm uma vida sexual ativa estão sujeitas à contaminação pelo vírus HIV. É por isso que Juliana pede a Rodrigo que faça um teste. Isso mostra que ela tem amor à vida e encara esse relacionamento com amor e seriedade. AIDS é doença fatal e ainda não tem cura, mas pode ser evitada com o uso de preservativo.
  Rodrigo usa a desculpa utilizada por muitos homens, dizendo que a camisinha diminui sua vibração e seu prazer. Talvez não passe mesmo de uma desculpa que mascara a verdade: ele tem medo de se envolver, de aprofundar a relação e transformar o namoro inconseqüente, num compromisso mais sério e ainda temor em falhar na hora H. Sejam quais forem as intenções do casal, sua saúde e sua vida não têm preço.
  O preservativo é uma garantia de vida, e, se for usado corretamente, não diminuirá a sensibilidade e nem prejudicará a ereção. Se o homem não sabe como colocar o preservativo ele pode pedir para sua parceira ajudar. Assim, juntos eles poderão aprender a colocá-lo sem perder o clima sensual. E o que é melhor, o próprio aprendizado pode levá-los a desfrutarem uma maior intimidade.
  É importante lembrar, principalmente para os jovens, mas também para as pessoas de qualquer idade que tenham uma vida sexual ativa, que o sexo seguro pode ser mais prazeroso, quando os laços de confiança estão sempre presentes.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo e autor do livro ‘‘Quando o sexo é mais rápido que o prazer’’ (Editora Prestígio/Ediouro)
n Caro leitor, caso tenha dúvidas sobre sexo ligue para 0800-770-6543, de 2ª à 6ª, das 10 às 18h. O atendimento é realizado por médico ou psicólogo. Querendo saber mais acesse o site: www.projetoamarbem.com.br


Destinos

Mário Sérgio Lepre
  Mestre italiano do século XVI, o florentino Nicolau Maquiavel afirmava que ao príncipe, muitas vezes, é importante saber representar. Dizer inverdades, ao contrário do que se possa pensar, é perfeitamente aceitável no ambiente político. Embora perfeitamente possível, o florentino aconselhava: ‘‘É preciso saber mentir’’. A falsidade pode levar o príncipe à ruína. Ou seja, para Maquiavel, é preciso ser competente até ao mentir.
  A impressão que se tem, vendo recente entrevista do presidente Lula à TV Cultura, é de que ele está sendo incompetente até em suas mentiras. Fica visível e patente o desconforto presidencial com os assuntos delicados que podem levá-lo à cassação. Observando bem se percebe uma retórica evasiva e cheia de lugares comuns.
  O discurso do presidente cansa a audiência mais perspicaz. Desqualificar fatos é típico daqueles que perdem o sentido da realidade. O mesmo Maquiavel que permite aos políticos ações desvinculadas de princípios morais e éticos, cobra-lhes caro pela incompetência na utilização de quaisquer destas ações.
  Erros todos cometem, lidar com eles é o grande problema cuja conseqüência pode ser o fracasso. Aliás, a distância entre o sucesso e o fracasso está muito estreita neste momento. O sucesso do presidente depende, por ironia do destino, do modelo econômico que tanto combateu. O fracasso avizinha-se com o fechamento do cerco realizado pela CPI dos Correios ao qual o presidente parece desconhecer.
  Desconhece porque navega em uma onda de popularidade jamais vista para um governo sob tantos ataques. Na mesma situação, Collor era um farrapo, não tinha apoio popular, tinha um Congresso agressivo (talvez por desconhecedor do mensalão) e algozes petistas ávidos por sangue.
  Tempos idos! Lembro-me da metralhadora giratória de José Dirceu e companhia, cujo papel básico era atirar e depois perguntar. Pois bem, outrora salvação da pátria, hoje perseguição política! Obviamente que isto faz parte do passado. Recorro a outro italiano para lembrar que ‘‘é preciso que tudo mude para que as coisas continuem exatamente como sempre foram’’, pois é, que incredulidade!
  Gostaria de terminar o texto sem relembrar coisas passadas, tarefa impossível, não posso resistir a outra frase singela dita pelo ex-presidente de tempos bicudos quando de sua reclusão na mesmice de seus dias: ‘‘O tempo é o senhor da razão’’. Pois bem, tristes tempos aqueles.
MÁRIO SÉRGIO LEPRE é cientista político e professor universitário em Londrina


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