Creusas, creusos e cristãos

Robson Brito
  Procuro ler sobre o que povo está vendo na programação dos canais de televisão e tem chamado a atenção a maneira com que as pessoas estão reagindo à personagem Creusa, da novela ‘‘América’’, cujo último capítulo foi levado ao ar - em reprise - na noite do último sábado. Segundo os comentaristas, Creusa representa a pessoa que deseja aparentar ser muito religiosa por um comportamento falsamente puritano. Gosta de missas e de cultos, não se definindo por nenhuma religião. Posa de fiel, condena o comportamento das pessoas e prega lições de moral. É uma falsa de marca maior. Gosta de seduzir homens que não conhece e viver aventuras. E, após cada aventura, torna-se mais severa, rígida e, aparentemente, mais santa.
  O pecado que Jesus de Nazaré mais denunciou foi esse comportamento fingido. No tempo d‘Ele, havia uma turma (os fariseus), cuja religião, quando começou, dois séculos antes de Cristo, era muito boa, mas com o passar do tempo, reduziu-se ao cumprimento da lei mosaica sem se analisar o sentido porque Deus a estabeleceu. Esses religiosos de carteirinha permaneciam na periferia da fé, vivendo somente de aparências.
  Entre outras palavras, Jesus os denunciou: ‘‘Ai de vocês, [...] fariseus, hipócritas! Pois vocês são como túmulos pintados de branco, que por fora parecem bonitos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e de podridão. Por fora vocês parecem boas pessoas, mas por dentro estão cheios de mentiras e pecados [...]. Serpentes venenosas, ninhada de cobras! Como esperam escapar da condenação do inferno’’?
  O Filho de Deus odeia a hipocrisia porque ela descaracteriza o verdadeiro sentido da religiosidade. Se eu quiser seguir a Cristo genuinamente devo ter uma relação pessoal com o Seu Espírito e praticar o amor tal qual Ele o fez. Isso implica em: (1) ser sincero, não querendo aparentar ser o que na verdade não sou. (2) Ao invés de privilegiar exageradamente aquilo que o meu olho vê, dar valor à verdadeira essência da pessoa. (3) Nunca me afirmar como guia do próximo, pretensamente infalível, sendo que sei que dentro de mim enxergo muita coisa não recomendável.
  O problema é que as pessoas começam a generalizar os crentes em Cristo como se todos fossem falsos. Creusos e creusas não deveriam ser utilizados como esteriótipos de quem deseja exercer o cristianismo. Medir todos os cristãos com base numa caricatura novelesca é radicalismo. Na verdade, os telespectadores da Creusa, se forem maduros, irão observar o testemunho de vida que acompanha toda pessoa que se declara cristã, para só então julgar se ela é sincera ou não.
  O inferno se encherá de gente que aparentemente foi muito ‘‘certinha’’, mas que negligenciou os preceitos mais importantes da Lei de Deus: a justiça, a misericórdia e a fé. Nós cristãos devemos ser imitadores do Senhor Jesus Cristo, amando a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Esse é o verdadeiro antídoto contra a ‘‘creusalidade’’.
ROBSON BRITO é pastor das Assembléias de Deus da Região Metropolitana de Maringá


Falta de decoro parlamentar

Maria José dos Santos Rossi
  Estou indignada com o circo que a Congresso Nacional montou em torno da corrupção no governo Lula. Não concordo com essa enxurrada de corrupção que o PT é o artífice. Acho até que o presidente Lula não deve ser reeleito. Mas as críticas devem ser de ordem política. A política econômica que tira o dinheiro do pouco possuímos para pagar os agiotas e banqueiros nacionais e internacionais através dos juros da dívida; a reforma agrária que não foi nem iniciada; a melhoria da educação, da saúde e da segurança pública que não está na ordem do dia; a falta de vigilância sanitária com o gado. Enfim são tantos os defeitos que nem sei mais enumerá-los.
  Entretanto, o governo FHC também fez coisas do gênero como as privatizações pagas com dinheiro podre, cujos ativos foram para o bolso de poucos, a compra de votos em que os parlamentares não quiseram elucidar, dinheiro destinado à reeleição e tudo o mais que os ‘‘arautos da moralidade’’ de hoje nem se manifestaram, como tem acontecido sempre. Os parlamentares, os aliados de plantão do governo, procuraram encobrir as malandragens e não deixaram as investigações irem adiante. Alguns deles, acusados de malfeitos renunciaram para voltar novamente ao Legislativo como se nada houvesse acontecido. Por isso, não acredito que as atuais vestais estejam mesmo interessadas em punir os infratores, os corruptos, mesmo porque seria dar tiro nos próprios pés.
  O respeito ao primeiro mandatário do país consta da nossa Carta Magna, se não o país vira um caos. O senador Arthur Virgílio (PSDB) e o deputado ACM Neto (PFL) falam do que sabem e cuidam: ‘‘Dar uma surra no Lula’’. Eles se acham acima da lei como os pistoleiros do velho oeste americano. É uma baixaria! O processo democrático não implica em falta de respeito às autoridades e em se dizer tudo o que se pensa. Pode-se fazer isso, mas de forma polida e dentro do ‘‘Estado de Direito’’ e não personalizando o conflito. Essas manifestações expressam o visceral medo e ódio que têm essas personalidades, como representantes de classe, a quaisquer lideranças de origem popular que não saiam de seu grupo. Ao que parece, tanto o deputado ACM Neto, de ‘‘gloriosa estirpe’’, como o senador Arthur Virgílio querem demonstrar força física como os coronéis do Nordeste e os jagunços da Amazônia sempre fizeram impunemente.
  ACM Neto ainda não disse a que veio. Está nos holofotes da mídia se aproveitando da situação, mas não contribuiu em nada para a melhoria da situação do povo brasileiro. Gostaria, como mulher e cidadã brasileira que paga os seus impostos em dia, que o debate não baixasse mais o nível e que os senhores deputados e senadores dessem cobro a essa situação. Aonde vamos parar?
MARIA JOSÉ DOS SANTOS ROSSI é professora sênior de Enfermagem na Universidade Estadual de Londrina


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