ESPAÇO ABERTO
Quando a atitude muda tudo
Raul Corrêa da Silva
O consagrado jornal The Economist abriu os olhos no final do ano passado para a altíssima concentração no mercado norte-americano de auditorias, onde as Big Four - Deloitte, Price, Ernst & Young e KPMG - atendem 97% das companhias de capital aberto. A publicação colocou em questão a influência desse panorama no grau de independência dos profissionais do setor.
Mas o que poderia ser um risco é parte de uma revolução no mercado. E não só regulamentações como a Sarbanes-Oxley e o rodízio obrigatório de auditorias motivam essas mudanças. Transparência e qualidade de gestão ganharam tamanha importância no comportamento empresarial que os serviços de auditoria despertam a atenção até das companhias de médio porte, desobrigadas a divulgar seus balanços.
Os resultados dessa nova realidade refletem-se especialmente no Brasil. Estudo da International Accounting Bulletin (IAB) apontou um aumento, em 2004, de mais de 170% na receita das médias auditorias presentes no País. As quatro grandes, por sua vez, cresceram somente 95%. E até corporações internacionais aqui instaladas estão buscando serviços que vão além dos pareceres de balanços, ajudando a impulsionar o nicho das auditorias com atuação regional.
Como explicar isso? Com o maior rigor nas regras a partir dos escândalos internacionais da Enron e Parmalat, que impedem uma empresa de fazer auditoria e consultoria para um mesmo cliente, as grandes auditorias desfizeram-se de seus departamentos de consultoria, focando ainda mais o atendimento de clientes multinacionais.
Empresários com interesse global em nações como o Brasil, no entanto, querem mais do que revisores contábeis. Para capitalizar o seu potencial de crescimento fora dos Estados Unidos e da Europa, recorrem às auditorias de menor porte, que se diferenciam por sua atuação regional, total conhecimento do mercado local, maior flexibilidade de negociação e atendimento personalizado.
Não à toa as auditorias e consultorias brasileiras começam a se equiparar às mais capacitadas firmas mundiais, formando o quadro funcional com profissionais oriundos dessas grandes auditorias. Dessa maneira, ganham um expertise que proporciona às empresas nacionais acesso a informações do mercado mundial. Este intercâmbio de conhecimentos vem no momento certo, em que a sobrevivência no mercado exige empreendedorismo e dinamismo. É nesta arena que as pequenas e médias preenchem as lacunas deixadas pelas grandes, enfrentando-as em condições de igualdade. Afinal, atitude muda tudo.
RAUL CORRÊA DA SILVA é auditor e consultor empresarial em São Paulo
Novo vestibular da UEL
Lygia Pupatto
Neste domingo, a Universidade Estadual de Londrina (UEL) começa a aplicar, pela primeira vez, o seu vestibular em duas fases, além de realizá-lo no final do ano letivo. Isto completa um ciclo de mudanças que alterou profundamente o conteúdo e o formato de nosso vestibular. No início da nossa administração, em 2002/03, implantamos o novo tipo de provas que busca um maior equilíbrio entre as diversas áreas de conhecimento e adota uma abordagem que evita a cobrança do conhecimento adquirido por memorização, dando maior ênfase à interpretação crítica.
Em substituição à antiga decoreba de uma infinidade de fórmulas, regras e detalhes, busca-se o conhecimento contextualizado, a análise que consiga associar os conceitos à sua aplicação efetiva, a partir de uma compreensão interdisciplinar. Estas transformações resultaram na mudança do perfil dos estudantes que ingressam na universidade, que hoje se mostram mais aptos à freqüência de um curso superior. Mas, a principal contribuição foi a de mudar a abordagem das escolas de ensino médio de nossa região. A partir da sinalização dada pelo vestibular da UEL, os programas e metodologias delas tiveram que se aprimorar, resultando num ensino de maior qualidade que beneficia todos os estudantes, mesmo os que não tentam ou não conseguem ingressar na UEL.
Para viabilizar um concurso com tais características, a UEL teve que implantar uma importante e ousada modificação: a de aparelhar-se para elaborar o seu próprio vestibular. Durante três anos, desenvolvemos o concurso em parceria com a Universidade Federal do Paraná, enquanto treinávamos nosso pessoal e realizávamos os investimentos que, depois, nos permitiram total independência e autonomia para realizá-lo. Uma vez capacitada para elaborar seu próprio vestibular, a UEL passou a prestar serviços de elaboração de concursos para outras instituições. Hoje, nossa Coordenadoria de Processos Seletivos (Cops) constitui-se no principal órgão da universidade na captação de recursos. Porém, também neste aspecto, destacamos que a abordagem pedagógica inovadora dos concursos realizados pela Cops constitui nossa maior contribuição aos nossos parceiros e à sociedade.
Toda esta trajetória tornou possível viabilizar uma modificação reivindicada há muitos anos pelos educadores, estudantes, famílias e escolas de Londrina e região: a realização do vestibular ao final de cada ano letivo. Com a realização do vestibular em duas fases - a segunda será nos dias 18 e 19 de dezembro -, os estudantes e suas famílias poderão participar das festividades de fim de ano livres da ansiedade inerente à participação neste tipo de processo seletivo. E a UEL poderá, de maneira tranqüila e segura, selecionar os estudantes mais bem preparados para os seus 42 cursos de graduação. Desejo serenidade e bom desempenho aos 24.399 candidatos às nossas 3.050 vagas.
LYGIA PUPATTO é reitora da Universidade Estadual de Londrina
- Os artigos devem ter, no máximo, 30 linhas. Os artigos publicados não refletem, necessariamente, a opinião do jornal. [email protected].





