A paternidade única de Deus

Paulo Nogueira
  Nas seitas cristãs, a pessoa integra certa comunidade religiosa dogmática doutrinária, através do batismo aquático, por aspersão ou imersão, ou ainda por um ritual de iniciação. Estas seitas afirmam que as pessoas batizadas, ou iniciadas, são filhas de Deus, são próximas, e que as não-batizadas, são criaturas de Deus, enxergando-as no mesmo plano de um cão, um rato, uma cobra, etc. Afirmam ainda que, o homem foi gerado e concebido em pecado, mas batizado ou iniciado está apto à salvação.
  Bem, se o batismo ou a iniciação os purifica do pecado por que seus filhos também necessitam ser batizados ou iniciados? E quando mudam de seita, por que têm de ser batizados novamente?
  O sectarismo religioso e a ‘‘redenção’’ do homem pelo homem, não é novidade. Séculos atrás, durante profunda decadência religiosa em Israel, surgiu a idéia de que o homem era mau por concepção e nascimento, e apenas a Lei Mosaica, interpretada por um sacerdote o podia purificar, comumente através de holocaustos, onde o sangue do animal inconsciente puro, servia para reunir o homem conscientemente culpado, ou seja, o que Deus naturalmente não pode fazer pelo homem, o sacerdote o faz através de um ritual.
  Esta idéia de redimir o homem dá ao clero, de todos os tempos, imenso prestígio e poder sobre a massa ignara. Mas, o que nos ensina o Mestre com o exemplo do samaritano?
  Por próximo, entendiam os hebreus a etnicidade consagüínea ou a unicidade religiosa, mas o Mestre faz ver ao ‘‘Doutor da Lei’’, a verdade. O levita e o sacerdote, ambos próximos pelo sangue e pelo credo, ignoram o agonizante, que infere-se era hebreu, pois vinha de Jerusalém, ao passo que um samaritano, distante pela etnia e religião, reconheceu no caído um próximo seu na humanidade, e ultrapassando crenças bárbaras, dogmáticas e separatistas, agiu humanamente para com um ser humano desconhecido.
  Assim, ensina-nos o Cristo, a vivência ética e fraternal, e a natural, abrangente e incontestável Paternidade Única de Deus. Mas prossegue através dos séculos, a enfatização clerical do batismo nas águas e rituais de iniciação, em detrimento do Batismo de Pentecostes.
  Por quê? Porque no Batismo Pentecostal não há sectarismo nem intervenção humana, logo, não há prestígio para a classe sacerdotal. E continua ausente nos sermões (de igrejas e lojas) de que sectarismo, rituais e dogmas não conduzem à salvação.
  Novamente, por quê? Porque a verdade não compactua com o poder. Ao clero de todos os tempos, interessa tão-somente o poder imanente, disfarçado de abnegação e servilismo transcendente. Guias não tão cegos, guiando cegos.
PAULO NOGUEIRA é historiador em Londrina


Depuração por via da turbulência

Walmor Macarini
  Nenhuma punição, mas um processo de causa e conseqüência. Já aconteceu no passado remoto, de muitas formas. Chuva de fogo, chuva de meteoros, afundamento da Lemúria e da Atlântida, o dilúvio bíblico, entre eles. Agora estamos atingindo nova linha de chegada e o alvorecer de mais um recomeço. As turbulências que ora ocorrem no mundo, associadas a misérias sociais, são as dores do parto de uma nova era planetária. É o sinal de um novo expurgo que já começou a acontecer.
  A amostragem desse extertor pré-natal está se manifestando em forma de atentados terroristas, tsunamis, furacões, corrupção, guerras, nações amantes de dominação, doenças incuráveis, ameaças de pandemias, revoltas populares, disseminação das drogas e outras tantas violências, validação de demônios a partir dos púlpitos, franquias religiosas em busca de dinheiro.
  A seleção depurativa acontece aqui mesmo. Os desajustados deste planeta precisam dar lugar aos que irão chegando para implantar uma nova ordem. Pela natural transcendência que ocorre por via da morte física, esses ‘exilados’ renascerão em outras colônias, dentre as ‘‘muitas moradas’’, algumas iguais e outras inferiores à Terra, e ali recomeçarão tudo. A misericórdia divina lhes concederá a dádiva do esquecimento da vivência anterior, para que se opere o mérito e eles não sofram. (Quando digo eles, pode ser qualquer um de nós).
  As turbulências que abalam a humanidade – em meio, é verdade, a tantas coisas boas que acontecem, porque os precursores da nova semeadura já estão desempenhando sua missão terrena – geram um processo de explosão das condensações que vieram se formando. Há uma acumulação de energia inqualificada no corpo etérico do Planeta. Todas essas coisas nada mais são que colheitas daquilo que as mentes e os atos humanos têm semeado, com seus ódios, arrogâncias, ciúmes, invejas, ganâncias, desejos de vingança. São poucos os inocentes.
  O processo incursionará pelo campo da renovação das consciências, o que abrirá em cada indivíduo o portal que o fará conhecer-se a si mesmo. Enfurnado em séculos de obscurantismo, o homem prostra-se em ouvir e seguir cegos guiando cegos e não dá oportunidade à abertura de seu santuário interior, onde estão todas as respostas. É quando desabrochará a sua alma imortal, hoje turvada por idéias de pecado e de punições.
  Não há castigos divinos. O homem é que tem sido amante de sua própria imperfeição e busca corrigi-la por fórmulas igualmente imperfeitas. Se expandir seu coração e der oportunidade a que sua intuição se manifeste, pela voz do Eu Divino (‘‘o Reino está dentro de vós’’), dará um grande salto evolutivo e será capaz de penetrar nos domínios de sua eternidade.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

mockup