ESPAÇO ABERTO
Aumento de combustíveis
Paulo Afonso Magalhães Nolasco
Muitas são as dúvidas e desinformações que rondam o cidadão comum, acerca do mercado de revenda de combustíveis. A nós, parece sensato que se façam alguns esclarecimentos quanto à matéria, mais uma vez, principalmente em relação a Londrina. No que tange ao mercado em si, cumpre atentar para o fato de que o mercado de revenda de combustíveis possui características singulares a serem consideradas: na tributação do ICMS, por exemplo, que é cobrado pelos Estados, o Paraná toma por base de cálculo valores muito além do que aqueles efetivamente praticados nas bombas. O chamado ''valor de pauta''. Isto por si só já aumenta o valor de revenda do produto na bomba. Não menos importante é o fato de algumas grandes distribuidoras praticarem o dumping em detrimento econômico, social, moral e financeiro dos revendedores. Esta prática, apesar de verificada em momento diferente ao de sua ocorrência, será sentida pelo consumidor.
São elas fortemente apoiadas por certos segmentos da categoria, conforme pôde ser constatado na operação deflagrada pela PIC de Londrina há cerca de um ano. Na ocasião foram feitas prisões de alguns empresários e outras pessoas comuns ligadas à área, devassas em suas residências, etc. Logo em seguida, viu-se o sindicato em página inteira de matéria paga parabenizar a PIC e seus métodos de investigação, observando-se embaixo o ''patrocínio'' da nota pelas grandes distribuidoras.
Depois dessa investigação da PIC, grande parte dos revendedores da cidade foi trocada, mas o problema persiste. Há que se entender que não são os revendedores os culpados por isso, mas sim outros interesses que não se investiga. O mercado de revenda em Londrina propicia a prática de preços bastante similares nas bombas porque a partir de uma lei municipal, agora novamente alterada, permitiu a implantação de postos de revenda com diminuição de distância mínima entre os mesmos. Foram implantados outros tantos, alguns muito próximos uns dos outros. Há hoje mais postos do que o necessário para abastecer a frota aqui existente.
Assim, qualquer diferença entre os preços faz com que os consumidores migrem de um posto para o outro (bastante próximos), o que força o primeiro a manter seu preço de bomba similar para ter o cliente de volta, e o posto da outra esquina acompanha, e também o posto do outro quarteirão, e assim sucessivamente. A fixação dos preços em acompanhamento aos praticados pelos concorrentes, por si só, é conduta natural de mercado, não caracterizando a existência ou formação de cartel. O preço mais alto verificado neste instante em Londrina é fruto, principalmente, da descapitalização dos revendedores ocorrida em face do dumping praticado na cidade reiteradamente quando determinados interesses não são atendidos. Solução para isso é uma investigação honesta a respeito desta prática, o que é obrigação do MP e Procon.
PAULO AFONSO MAGALHÃES NOLASCO é advogado em Londrina
Os mortos que não existem
Walmor Macarini
Eu gosto do Dia de Finados porque é tempo de melancia, e nas ruas que circundam os cemitérios os vendedores ambulantes as expõem cortadas, e pode-se escolher os melhores pedaços. Não costumo visitar, nos túmulos, meus familiares que se foram, porque eles não estão lá, e se escolho esse lugar para conversar com eles trago-os de volta a esse ponto, que certamente não é o mais agradável, para mim e para eles. Prefiro outros lugares, como uma praça, um jardim, uma sala confortável.
Nenhuma morte ocorre. Só o corpo físico se decompõe e já não tem valor algum. Então, não é com esse envoltório que eu iria conversar, mas com o espírito. E este chegará onde ele puder chegar ou onde você o chamar. Se eu continuo gostando de alguém que já não está aqui em forma física (ou eventualmente já esteja, em corpo novo), é num lugar aprazível que eu irei querer reecontrá-lo. Assim como faço com os amigos que chegam a minha casa.
Muitos choram no Dia de Finados, e se este é um sentimento apenas de saudade ou de emoção por boas lembranças, mal não faz. Mas ocorre que há os que sofrem muito pela perda e com isso mantêm aprisionados esses entes queridos, não permitindo que subam. Dessa forma, os chamam de volta e os trazem ao cenário (às vezes penoso) do momento do desenlace. Se a morte física foi violenta, eventualmente um assassinato, e o sentimento dos seus for de desejo de vingança ou de clamor por justiça, sofre com isso aquele que tanto demostramos querer.
Uma mãe que tenha perdido um filho em tal circunstância deve deixá-lo elevar-se e subir para a luz, se é que de fato o ama. Quando ele, pela maior visão da nova realidade, eventualmente já tenha perdoado seu algoz, os familiares ficam alimentando ódios e retardam a ascensão de quem proclamam amar tanto. Na verdade, quem ama não se mortifica ao ponto de desespero quando alguém dos seus se vai. Apego excessivo é sentimento de débito ou culpa em relação a quem pranteamos. Quando amamos muito alguém (não confundir com paixão, apego, dependência), choramos menos quando ele vai embora, pelo fato de o termos amado incondicionalmente e por sabermos que esse sentimento não cessa.
Por desconhecerem o significado da vida e pouco se preocuparem em saber, as pessoas no mais dos casos temem a morte. Mas nas limitações da fisicalidade reside uma forma de prisão. Na morte do invólucro físico manifesta-se um dos belos aspectos do ciclo das existências. Uma nova etapa se vence, para que outra se inicie, num vir e ir sucessivos, até que isto não seja mais necessário. No denominado Dia de Finados, e em qualquer momento, vamos reverenciar todos os vivos, porque mortos não existem.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina.
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