ESPAÇO ABERTO
Construção civil sustentável
Junker de Assis Grassiotto
O arquiteto e professor Geraldo Serra nos ensina que [...] a sustentabilidade da arquitetura, da construção e da cidade é, hoje, a preocupação central dos pesquisadores, não sendo [...] meramente uma vaga preocupação ideológica com o meio ambiente, mas um critério de planejamento, projeto, construção e operação dos edifícios e de suas aglomerações que garanta a continuidade do processo de desenvolvimento urbano.
Podemos produzir obras capazes de atingir metas sinergéticas ao adotar: a) formas voltadas para a direção que aproveita a vantagem do ganho solar e desvia o calor e os ventos; b) alinhamento que proporcione luz natural; c) menor consumo de luz elétrica reduzindo-se o calor, diminuindo-se a necessidade de ar-condicionado; d) invólucro que não se limita a impedir a passagem da temperatura ou do ruído, a deixar entrar a luz e a mostrar ao mundo uma face arquitetônica, devendo integrar o isolamento, a massa térmica e as funções de controle passivo, tendo a função adicional de gerar energia. Um edifício verdadeiramente inteligente mantém o conforto sem necessidade de controles.
Do ponto de vista urbano: a) uma árvore na cidade conserva cerca de nove vezes mais carbono do que se localizada numa floresta, economizando energia de ar-condicionado por manter as pessoas e os prédios frescos; b) fazer ruas mais estreitas e arborizadas diminui a temperatura; c) a hidrologia pode restaurar as superfícies porosas, ajudando a terra a absorver a água da chuva e a liberá-la lentamente; d) a redução da área de pavimentação e calçadas levam à diminuição das enxurradas; e) as distâncias mais curtas permitem um consumo menor de combustível e menos poluição; f) aglomerar e ligar certas residências, diminuindo a área de paredes externas, ajuda muito; g) adotar um novo plano em vez de espalhar casas, reduz os custos de infra-estrutura.
Estas colocações visam atingir pessoas que querem assegurar coerência no que fazem, pessoas que buscam soluções ao perceberem os paradoxos presentes em nosso dia-a-dia: enormes desperdícios de um lado, muita carência de outro; procura obsessiva de ganhos no curto prazo, verdadeiros saques contra o futuro; evolução tecnológica que aproxima seres virtuais e isola o ser humano. A discussão, assim, está em aberto e como se vem percebendo mais a cada dia, a corrida contra o tempo já começou.
JUNKER DE ASSIS GRASSIOTTO é engenheiro civil em Londrina, doutor em Arquitetura e Urbanismo e presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon Norte)
Quem não quer a maior empresa do mundo?
Artur Humberto Piancastelli
Lista recente publicada na revista Fortune registrou que o Wal Mart acaba de assumir o posto de maior empresa do mundo. Deixou para trás empresas como a GM, a GE, a Exxon, a Microsoft e os maiores bancos do mundo. A revista Exame trouxe também matéria de capa retratando a trajetória da agora maior corporação do planeta. Em Londrina, há dois anos o prefeito resolveu declarar de utilidade pública um grande terreno na área central que estava sendo vendido ao Wal Mart. Diz o prefeito que a área será destinada ao Teatro Municipal. Não há dúvidas de que o teatro seria uma grande e alvissareira obra. Implantada, movimentaria área essencial a qualquer comunidade: a cultura. Abrigar filial da maior empresa do mundo, contudo, é conquista que nenhuma cidade brasileira pode hoje dar-se ao luxo de dispensar. Notadamente Londrina, em fase de extrema carência de grandes investimentos. Desde que deixou de ser a capital mundial do café, Londrina perdeu sua vocação econômica e vem definhando ano após ano, seja em termos de força econômica, seja em qualidade de vida (veja-se nosso IDH), e isso em grande parte por equívocos de seus governantes. Conta-se nos dedos as grandes empresas de nossa cidade. Há tempos não instala-se aqui uma empresa de peso, de renome internacional.
Não se pode então reduzir o debate sobre a vinda da empresa num embate cultura x economia. O desenvolvimento de ambas é essencial em qualquer cidade - e obrigação de qualquer governo. A vinda da maior empresa do mundo para Londrina, além de símbolo precioso, significará novos empregos (hoje raros) e movimentação de muitos recursos, seja na compra do terreno, na construção, seja na comercialização de milhares de itens, muitos deles produzidos na região. O Carrefour, por muitos anos, trouxe a Londrina excursões de consumidores de todas as cidades da região e até do interior de São Paulo. Ademais, toda a região do terreno pretendido pela empresa, que aliás não pede um tostão em benefícios, irá se valorizar, revitalizando-se. Hoje é uma região esquecida, quase marginalizada. E é absurdo e provinciano o argumento de que a empresa faz concorrência predatória, pois para o chamado dumping existe a lei. Ora, vender mais barato interessa a sua majestade: o povo, o consumidor. Evidente que o teatro não vem tão cedo pelas limitações orçamentárias e prioridades públicas de sempre. Evidente ainda que, se verba vier, poderá ser construído em outro local (veja-se o novo teatro Mãe de Deus, mais de 500 lugares). Pelo exposto senhor prefeito, importante que V.Excia. reconsidere sua decisão e libere o terreno para venda ao Wal Mart, mesmo que isso possa significar romper valiosos compromissos de campanha, até porque, segundo um jingle - aliás, de saudosa memória, é pelo bem da cidade, é pelo bem do cidadão, é pelo bem de Londrina!
ARTUR HUMBERTO PIANCASTELLI é advogado em Londrina
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