ESPAÇO ABERTO
Professor: o grande homenageado
Maria Aparecida Vivan de Carvalho
Totalmente desprestigiado, assim como a educação de uma forma geral, o professor bravamente trilha o caminho de educador, formador de novas gerações, estabelecedor de rumos para pessoas, cidades, países - para o planeta.
Cada vez mais na busca de aperfeiçoamento de sua cultura aliada a conhecimentos específicos, o professor depara-se com um contingente de supostas reformas e mudanças que em nada têm transformado o cenário do ensino e da pesquisa no país, mas que contraditoriamente vêm demovendo possibilidades de substantivas e concretas ações voltadas às necessidades da população.
Há tempos o professor trava uma luta de sobrevivência diante de inúmeras atitudes de desrespeito, calúnias, humilhações, enfim, de um sinistro processo de decomposição moral, em especial, do professor universitário, advindo de políticos camuflados por encenações enganosas, míopes temporais para com as questões da valorização do professor e da educação.
Mas o importante é homenagear este herói que cumpre seu dever, driblando a escassez de material didático, problemas de infra-estrutura, turbulências burocráticas, com salários altamente defasados e do qual há a cobrança pelo destino da universidade pública e do país, sob o domínio de um governo que quer tornar inquestionável sua própria e proposital impotência.
Não por acaso o professor participa de uma corrida frenética por melhores currículos, consolidação de grupos de pesquisa, produção abundante, entre outros. Evidente é a relevância de produzir e disseminar conhecimentos, entretanto, esta onda quantitativista que imprimiu um caráter individualista e competitivo à vida do professor universitário, parece ter escapado do controle do governo (federal, estadual, institucional), que contabiliza números e para o qual não há limites para a manipulação, nem interesse em saber da real utilidade do conhecimento produzido e sobre seu retorno social.
Resta-nos a esperança de vivenciar o grande alvoroço que vai se dar em diferentes âmbitos, em nível de futuras eleições. O trabalho do professor continua de forma formidável no cuidado de nossos jovens com o intuito de contribuir para uma formação profissional competente e inserção no mundo dos homens e das máquinas. Concomitante a isto prossegue no desenvolvimento de pesquisas, muitas vezes abafadas pelo ruído do mercado, e que também se constituem em formas efetivas de enfrentamento.
MARIA APARECIDA VIVAN DE CARVALHO é professora do departamento de Anatomia da Universidade Estadual de Londrina
Anabolizantes no esporte são drogas
Áureo Shizuto Cinagawa
Houve recentemente em Londrina a apreensão de grande quantidade de esteróides anabolizantes com as características típicas de uma operação antidrogas. Tal fato gerou uma discussão com muitas dúvidas em relação ao uso de anabolizantes e outras substâncias no meio esportivo. Em primeiro lugar, como médicos, somos altamente favoráveis à prática esportiva e sabemos dos seus amplos benefícios em relação à saúde. E quando falamos de prática esportiva saudável, é aquela obtida de forma natural, com seus efeitos benéficos advindos de um bom programa pedagógico devidamente orientado e acompanhado pelo educador físico. Porém, o desvio destes princípios associados a outros interesses levam à utilização de meios ilícitos como as drogas anabolizantes.
Na realidade, os anabolizantes foram concebidos como medicamentos de uso estritamente médico para substituírem o hormônio masculino testosterona cuja utilização é rara, com indicações específicas apenas para algumas doenças. Podem ser apresentadas em forma de cápsulas, comprimidos ou injeções e seu uso provoca o efeito androgônico de característica masculinizante com aumento de massa muscular, força e potência e grande mudança na aparência física.
São relatados usos para se obter vantagens ilícitas em competições com estas características. Por isso, existe o desempenho nos exames antidoppings em muitas modalidades esportivas. Seu uso indevido pode acarretar inúmeros problemas nos homens e adolescentes como redução de esperma, impotência, dificuldade ou dor em urinar, calvície e crescimento irreversível das mamas (ginecomastia). Nas mulheres e adolescentes, observam-se o aparecimento de sinais masculinos como engrossamento da voz, crescimento excessivo de pelos no corpo, perda de cabelo, diminuição dos seios e pelos faciais. A longo prazo, estão relatados aparecimento de tumores (câncer) no fígado, perturbação de coagulação do sangue, alteração no colesterol, hipertensão arterial, ataque cardíaco, acne, oleosidade do cabelo e aumento de agressividade e mudança de comportamento.
Porém, como proporciona a melhora da imagem e aparente benefício a curto prazo, seu uso aumentou nos últinos anos no meio não-competitivo, principalmente entre os jovens. Sabe-se que movimenta um grande mercado irregular em nível internacional. A utilização de esteróides anabolizantes no esporte é ilegal, condenada pelo Comitê Olímpico Internacional. Sua comercialização caracteriza-se como tráfico de drogas já que não existe a receita médica e a venda está sendo feita sem a mesma e em local que não a farmácia. Não poderíamos deixar de emitir nosso alerta para os jovens, para os familiares e para as diferentes entidades envolvidas (academias, clubes, escolas, organizações esportivas) para estar atentos a mais este cancro em nossa sociedade. Anabolizantes no esporte são drogas!
ÁUREO SHIZUTO CINAGAWA é médico ortopedista em Londrina e titular da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte
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