A nação vive um momento delicado, mas temos esperança de que o povo, os movimentos sociais, os políticos e todos os cidadãos, inclusive os denominados excluídos, tenham a paciência e a confiança de que o Brasil alcance seu grande destino e se converta na pátria das oportunidades. É preciso não esmorecer e exercer forte pressão sobre os legisladores, para que promovam as necessárias reformas, possibilitem um grande salto de qualidade e o afastamento das turbulências políticas ora vividas.
É preciso não descrer do Brasil, ademais porque o país tem condições territoriais e tecnológicas para dobrar a produção e aumentar a produtividade da lavoura e da pecuária, que são os grandes geradores de riquezas e proporcionadores de impostos e empregos. O solo brasileiro é fértil, o clima adequado, o povo dedicado ao trabalho e honesto em seus propósitos. Se vigoram agitações políticas momentâneas e há ainda muita violência, os cidadãos são por natureza ordeiros, sem ideologias radicais e amantes da paz social.
Espera-se que com, todos esses abalos, não se perca a oportunidade de fazer uma reforma política que implante o voto distrital misto, a coincidência das eleições, a diminuição do número de parlamentares - resguardando a proporcionalidade, que implemente a fidelidade partidária e um dispositivo que impeça o recurso da renúncia para escapar da cassação e assim abrir caminho para o retorno. Há políticas que estão dando certo, e elas precisam ser mantidas e melhoradas, como a das exportações, da rastreabilidade, da prorrogação e do refinanciamento das dívidas, a criação de novos projetos de seguro de renda mínima agropecuário e de políticas que contemplem do pequeno ao grande produtor.
Outras importantes medidas, além das citadas, seriam o apoio à implantação de pequenas e médias agroindústrias nos municípios de grande porte - se possível nos distritos, com um selo de identificação de origem dos produtos, linhas de crédito para infra-estrutura - como armazenagem - nas propriedades rurais, construção e conservação de acessos para escoamento da produção, incentivo para o comprometimento de que as redes de hipermercados adquiram um porcentual dos cinturões hortifrutigranjeiros e pecuários das cidades e regiões onde estão instalados, com isto gerando renda localizada e empregos, com todos os benefícios daí decorrentes. Mas, será preciso não descuidar da segurança no campo. Assim, é necessário continuar acreditando no Brasil e, principalmente, que se salvem as instituições.
EDSON NEME RUIZ é presidente da Sociedade Rural do Paraná e do Conselho das Sociedades Rurais do Estado do Paraná

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