ESPAÇO ABERTO
Período refratário: repouso do guerreiro
Moacir Costa
O chamado período refratário na sexualidade é desconhecido pela maioria das pessoas. Por outro lado, os homens de uns tempos para cá, com a liberação da mulher, passaram a perceber que elas não são tão quietas ou passivas sexualmente como eram nossas avós. O homem jovem, sente reafirmação na sua força e impulso sexual, pelo fato de conseguir ter relações sexuais seguidamente, com intervalos para descanso de apenas alguns minutos, raramente 1 hora.
Com o passar dos anos, esse período entre uma relação sexual e outra ou outras, passa a ser mais longo e isso é motivo de preocupação e frustração. Em primeiro lugar pelo fato dos homens, diferentemente das mulheres, valorizarem excessivamente o seu desempenho sexual e a maior frequência de relações ser encarada como um certificado de garantia da sua capacidade de conquista sexual. Ledo engano, considerando que quantidade nem sempre é garantia de maior prazer. A habilidade do bom amante é a melhor garantia para a satisfação e prazer sexual do casal.
O pior disso tudo é que os homens começam a perceber que simultaneamente à queda do seu ritmo e frequência sexual, as mulheres, pelo contrário, quando passam dos 50 anos, com filhos crescidos, independentes, começam a descobrir um potencial erótico até então escondido ou desconhecido em virtude da repressão familiar na adolescência ou do excessivo controle do parceiro.
Após os 60 anos, os homens começam a reconhecer que nesses tempos bicudos, onde o stress, depressão, doenças cardio-vasculares e diabetes, reduz bastante o desejo e a potência sexual, a ponto deles necessitarem de 5 a 10 dias para se mostrarem aptos e desejosos para nova relação sexual. Além disso, a fisiologia masculina é cruel, que além da pulsão ou tesão da juventude desaparecer, a quantidade de líquido espermático é liberada de forma lenta sem o jato que sempre caracterizou a força do impulso sexual do macho.
Isso tudo sem falar das complicações ou consequências das cirurgias prostáticas que impedem que a ejaculação ocorra como sempre fez, através da uretra e colocada dentro da mulher na relação sexual. É bom para o homem, saber que o material ejaculado é jogado na bexiga e expelido pela urina, mas o orgasmo continua a ocorrer como antes. É importante envelhecer com sabedoria, reconhecendo que estas limitações não impedem a busca do prazer.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo e autor do livro ''Quando o sexo é mais rápido que o prazer'' (Ed. Prestígio/Ediouro)
Um apelo pela educação
Izadora Maleski Serrano Alves
O sentido essencial do objeto da construção do futuro padece diante de sérios problemas: a inversão de valores e de comportamento dos estudantes em relação ao professor. Isto acontece em todos os níveis do aprendizado, mas quero referir-me, principalmente, aos alunos do ensino fundamental, pois são com estes que atuo diretamente. Não tenho longa carreira no magistério e para os que têm, o que abordarei pode parecer crise profissional ou mesmo incapacidade, contudo, os problemas soam graves no meu entendimento.
Quando fui aluna, nos meus oito ou nove anos, a figura do professor inspirava em mim, além do vínculo afetivo estabelecido, uma relação de autoridade. O professor ''mandava'' e eu fazia. Pode parecer arbitrário, mas tudo era inserido num contexto de aprendizado, onde o principal objetivo era a educação. E mesmo para aqueles que tinham dificuldade de aceitar tal situação, acabavam se rendendo à autoridade do mestre. Hoje, menos de duas décadas depois, onde ocupo a outra posição nessa relação, não tenho condição de ser a professora que a sociedade e, mais ainda, que a minha consciência exigem que eu seja. Os estudantes adotam condutas que transformam a sala de aula numa verdadeira ''guerra''. Desinteresse, problemas familiares e financeiros, fatores emocionais e simplesmente, falta de limite e de educação, comprometem a qualidade da aula e do aprendizado em si.
Mesmo diante de tantas teorias, métodos e pesquisadores que trabalham para mudar a forma de dar aula, rompendo os padrões do tradicionalismo e buscando incorporar aspectos tecnológicos no ensino, a falta de comportamento dos alunos destrói todos esses esforços. Os vídeos educativos são encarados como meros programas de TV e os jogos pedagógicos como brinquedos que podem ser atirados para cima e servem de objetos de agressão uns aos outros. O computador não passa de um videogame. É certo que dependendo do local e dos alunos, os fatores sociais influenciam nesta postura, mas o que mais me surpreende é a falta de interesse em aprender e a banalização do ambiente escolar.
Quem dita as regras são eles mesmos e o que me apavora é a passividade das famílias no trato destes problemas. Pais sem autoridade, omissos e incapazes colocam seus filhos e a educação deles em detrimento de todas as outras obrigações que lhes são atribuídas. Assim, a atuação do professor se compromete ainda mais, pois se depara com um ambiente de desautorização. A partir daí, fica o professor no meio de um bombardeio de agressões, insultos e de mãos atadas. O regimento das escolas e até mesmo a lei maior, proíbe qualquer tipo de agressão do professor ao aluno. Com toda razão, mas o inverso disso nem é citado. Muitos professores, e eu me incluo entre eles, são ameaçados, agredidos verbalmente e, acreditem, fisicamente por crianças de 9 anos. E como agravante, eles conhecem todos os seus direitos de menores de idade e sabem da limitação do professor na solução dos problemas. Por isso, nesta semana, em que comemoraremos o Dia do Professor, gostaria que meus colegas do magistério refletissem comigo: ainda é possível resgatar a essência da nossa atuação? Como?
IZADORA MALESKI SERRANO ALVES é professora da rede municipal de ensino em Londrina





