Lygia Pupatto

  O tempo passa rápido, e o calendário marca mais um 15 de outubro. Dia do Professor. Uma ótima oportunidade para refletirmos sobre o papel deste insubstituível profissional. O que seria dos povos, das nações e da própria humanidade sem escolas? E as escolas, sabemos todos, só funcionam no cumprimento de suas finalidades com a presença diuturna dos professores.
  No último dia 7, a Universidade Estadual de Londrina completou 34 anos. Nestas quase três décadas e meia de vida, nossa instituição cresceu e melhorou sua qualidade de ensino, pesquisa, extensão e prestação de serviços. Hoje, oferecemos 42 cursos de graduação para 14.002 estudantes. Outros 3.315 alunos freqüentam nossa pós-graduação: 24 cursos de mestrado, oito de doutorado, 85 especializações e 39 residências.
  A UEL possui dez órgãos suplementares que prestam relevantes serviços à população londrinense e de centenas de municípios. Entre eles, destacam-se o Hospital Universitário, Hospital de Clínicas, Hospital Veterinário, Clínica Odontológica, Museu Histórico de Londrina, Escritório de Aplicação de Assuntos Jurídicos e a Casa de Cultura, que entre outras atividades administra o Teatro Ouro Verde, mantém a Orquestra Sinfônica, e promove o Festival Internacional de Teatro (Filo) e o Festival de Música.
  Tudo isto, e muito mais que é realizado pela UEL, não seria possível sem o trabalho, a dedicação e a competência dos professores. Nossa instituição conta hoje com 1.658 docentes. São eles, juntamente com estudantes e funcionários, os responsáveis pela grandeza e importância que a UEL alcançou no ensino superior brasileiro.
  Londrina, o Paraná e o Brasil se orgulham da UEL. Nossa universidade se orgulha dos professores que possui. Porque eles estão hoje, como sempre estiveram nestes 34 anos, empenhados na produção e disseminação de conhecimentos, na melhoria da qualidade de vida da população, na formação de profissionais com competência técnica e humanística, no aperfeiçoamento de cidadãos com valores éticos de liberdade, igualdade e justiça social. Desta forma, aproveito este dia especial para reiterar minha gratidão e mais uma vez expressar meu reconhecimento por tudo o que cada professor realiza e representa de bom e de importante; dando sua contribuição inestimável para a construção de nosso País.
LYGIA PUPATTO é reitora da Universidade Estadual de Londrina


Ser professor

José Luciano Tavares da Silva
  O ano era 1972, local: Grupo Escolar Hugo Simas. Meus primeiros dias na escola foram angustiantes. Simplesmente não suportava a idéia de ficar entre um monte de gente estranha e diariamente dava um jeitinho de fugir da sala de aula visando voltar para casa sozinho. Inevitavelmente era conduzido de volta à sala pela zeladora. Sem dúvida eu era um aluno-problema. Acharam que talvez o problema estivesse com a professora e me trocaram de sala. Em meu primeiro dia com a turma nova, dona Consuelo me recebeu na porta e sorrindo disse que eu era bem-vindo. Guardo aquele sorriso na lembrança até hoje. Era uma pessoa meiga e carinhosa e tinha muita, muita paciência. Um dia ela me disse que se eu não estudasse, meu destino era ‘‘puxar carroça’’. Como eu não queria puxar carroça, naquele mesmo dia fiz toda a tarefa com afinco. Aliás, fiz bem mais que isso. Preenchi algumas folhas de caderno com a letra ‘‘a’’ de ‘‘abelha’’ e ‘‘b’’ de barriga. Dona Consuelo sorriu quando viu minha tarefa e me deu os parabéns. Nunca mais tentei fugir da sala.
  Vários professores passaram por minha vida desde então. Terminei o antigo ‘‘primário’’, depois o ‘‘gi-násio’’ e finalmente o ‘‘colegial’’. Prestei vestibular, fiz um curso superior, mas não parei por aí. As palavras de dona Consuelo ainda ressoavam em minha memória. Fiz um curso de Especialização, mas ainda não estava bom. Fiz um sofrido curso de Mestrado, viajando mais de mil quilômetros de distância de casa. Terminei o curso, mas ainda não era o suficiente. Fiquei mais quatro anos viajando para terminar o Doutorado. Neste período sofri um acidente na estrada, comi pouco, viajei mil quilômetros por semana, dormi pouco, perdi 13 quilos. Hoje sou professor em duas instituições de ensino superior e descobri a duras penas que mesmo após tanto estudo, tanto sofrimento, não há valorização profissional. Para tentar compensar minha família de minha ausência tenho que continuar ausente. Parece brincadeira.
  Necessito trabalhar 60 ou mais horas semanais para não chegar nem perto de um salário justo, a julgar pelo que passei e pelo que poderia oferecer aos alunos. Digo poderia, porque com tanta aula para ministrar mal sobra tempo para estudar e para produzir ciência. Enquanto isso, os ‘‘mensalões’’ e ‘‘mensalinhos’’ da falta de vergonha na cara de políticos estão aí para quem quiser ver. Estas víboras, muitos semi-analfabetos, estão aí, mostrando que estudar é secundário e o que importa é ser ‘‘esperto’’, populista e enganador, nos proporcionando engulhos cada vez que ligamos a TV. E agora dona Consuelo? A senhora estava errada? Não, claro que não! Não me arrependo de ter passado o que passei, mesmo sendo desvalorizado por instituições. Mesmo agüentando uma grande parcela de alunos que, ao invés de estudar, querem apenas um papel chamado diploma o qual não irá evitar uma futura ‘‘carroça’’ para puxar. Ando de cabeça erguida, amo de coração minha profissão e a felicidade de encontrar ex-alunos, hoje profissionais de sucesso que ainda me chamam de ‘‘professor’’, não têm preço. O professor sempre deixa algo de bom na vida de alunos que realmente querem aprender e é exatamente isso que faz valer a pena. Feliz dia dos professores dona Consuelo! Pode ter certeza que a senhora fez diferença em minha vida.
JOSÉ LUCIANO TAVARES DA SILVA é professor universitário em Londrina


- Os artigos devem ter, no máximo, 30 linhas. Os artigos publicados não refletem, necessariamente, a opinião do jornal. [email protected].

mockup