A sanidade relegada

Ágide Meneguette
  O foco de febre aftosa em Eldorado, no Mato Grosso do Sul, a 30 quilômetros de nossas divisas, não é uma surpresa. Poderia ter ocorrido em qualquer outro lugar, em qualquer outro estado de qualquer um dos circuitos pecuários em que é dividido o país para efeito dos controle da doença. Surpresa é não ter ocorrido antes em face da política adotada pelo governo federal de cortar sistematicamente os recursos destinados à defesa sanitária animal e vegetal do país. A FAEP tem feito advertências de que a redução das dotações orçamentárias para a sanidade e os cortes que os recursos previstos só poderiam dar no que deu. Podem penalizar o pecuarista dono do rebanho infectado. Podem imputar ao governo do Mato Grosso do Sul uma boa parte da responsabilidade pela falta de fiscalização, mas o grande culpado é o governo federal.
  As exportações de carnes bovinas e suínas já atingiram, este ano, a US$ 3 bilhões, dando ao Brasil a liderança do setor no comércio internacional. Isto tudo pode virar pó, com um grande prejuízo para pecuaristas, desemprego e falta de renda no interior do Estado. Se somos incapazes de controlar uma doença como a aftosa, tremo só em pensar se a gripe aviária nos atingir, lembrando que a Europa já registra sua ocorrência. Imaginem o desastre que isso poderá ser para a nossa produção de aves, envolvendo milhares de pequenas propriedades rurais?
  Na falta de governo, a reunião dos Conselhos Municipais e Intermunicipais de Sanidade, que se realiza dia 17 deste mês, assume uma importância muito maior. Mais do que reativar esses conselhos, que reúne autoridades, técnicos e representantes dos produtores e da sociedade, trata-se de tomar em suas mãos novas tarefas. A defesa sanitária é, afinal, do nosso interesse. Ao mesmo tempo, temos que exercer uma forte pressão exigindo que o Governo Federal cumpra a sua parte e disponibilize os recursos - técnicos e financeiros - necessários para evitar que novos focos de febre aftosa venham a ocorrer e que a gripe aviária chegue ao nosso país e nos encontre desarmados. Chega de irresponsabilidade!
ÁGIDE MENEGUETTE é presidente da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP)


Bancos: demora e restrição

Ricardo Neves Rennó
  Muito temos ouvido sobre o atendimento em bancos no Brasil. Em São Paulo acaba de ser aprovada lei que pune as agências que demorarem mais de 15 minutos para atender. Esta lei tornou obrigatória a instalação de máquinas que, além da senha, forneçam também o horário para comprovar essa demora. Temos bancos que estão se adpatando à lei, como a Caixa Econômica Federal, que hoje trabalha com horários pré-agendados, porém penalizando quem precisa de um atendimento imediato. Em outros bancos existem os caixas especiais, como é o caso do Bradesco, onde clientes gerenciados são atendidos sem demora e aguardam esse atendimento confortavelmante sentados. Já tentei por duas vezes ser atendido nestes caixas, mas fui orientado para procurar a fila comum ou os caixas eletrônicos. Por um certo tempo, no banco Real houve a distinção entre clientes e não-clientes nos seus caixas, mas isso foi logo extinto, visto não ser legal.
  Ocorre que pela resolução 2.878 de 26/07/ 2001, editada pelo próprio Banco Central, em seus artigos 14 e 15 está claro que não pode haver distinção entre clientes e não-clientes dentro de um banco. Muito menos a distinção entre seus próprios clientes. Apenas podem ser privilegiados com atendimento exclusivo os idosos, gestantes, deficientes e com criança de colo. Todos os outros devem receber tratamento igual e em todos os caixas. Na verdade, o que está ocorrendo é que para segurar os bons clientes, estão dando a eles um atendimento privilegiado e, na busca de lucros cada vez maiores, estão diminuindo os caixas, penalizando assim a população em geral. Hoje até Correios e lotéricas viraram bancos. Tudo em busca da diminuição de funcionários (leia-se custos) e dos riscos (pouco se ouve falar de assaltos a bancos, mas nas lotericas..).
  Já está na hora de cobrarmos nosso direito de um igual atendimento a todos. Por que nossas autoridades não fiscalizam a aplicação da lei municipal que obriga os bancos a atender os clientes em até 15 minutos? E quanto ao ISSQN (Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza) que é um imposto municipal e ainda não está bem esclarecido como e quanto os bancos de Londrina recolhem (talvez aí voltaria algo em prol da população)? Quem sabe não é hora de exigir um determinado número de caixas para um determinado número de clientes? Os bancários reivindicavam 11% de aumento de uma instituição que vem ano após ano batendo recordes em seus lucros e nem a seus funcionários eles querem retornar algo. A resolução 2.878 pode ser visualizada no site do Banco Central (www.bcb.gov.br). No meu caso específico registrei uma reclamação no próprio Bradesco, mas também temos o Procon para procurar (os bancos também se encaixam no código do consumidor). Devemos todos conhecer nossos direitos e lutar por eles. Há uma frase que diz: ‘‘Se banco fosse bom, o nome seria sofᒒ. Talvez lutando por nossos direitos, eles passem a ser um pouco mais sofá.
RICARDO NEVES RENNO é zootecnista e microempresário em Londrina

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