ESPAÇO ABERTO
Incoerências do presidente
Paulo Muniz
A primeira página dos jornais de grande circulação estampou na semana passada notícias que bem demonstram o modelo sofismado do Governo Lula. No discurso que fez na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o presidente pediu coerência ao empresariado, que atacou a política de juros e cobrou investimentos. ''Os empresários reivindicam autonomia do Banco Central. Agora querem que eu determine a política de juros'', disse Lula. E falou mais: ''Cobram (os empresários) câmbio flutuante, agora querem que determine o valor da moeda''.
Na verdade, o que os empresários querem - e não só eles, mas toda a sociedade - é uma política de juros equilibrada e coerente com os demais países do mundo. Estamos no terceiro mês em deflação, mas nem isto recomenda ao Banco Central que baixe os juros em um ou dois pontos percentuais, indicando vigorosamente que vivemos um novo momento na economia.
Mas, pasmem, ainda na primeira página dos grandes jornais, a seguinte notícia: ''Tarifa de energia produzida por Itaipu subiu 12,1%, retroativos a 1º de outubro''. A justificativa para o aumento é que a geradora de energia, a binacional Itaipu, consórcio Brasil e Paraguai, vende a energia em dólares americanos, portanto, em queda constante em relação ao real, então se aumenta o valor nominal para corrigir o preço final.
É exatamente isto que presenciamos no Governo Lula, que trata os ocorridos como se não dependesse dele a política praticada, quer seja no campo econômico, quer seja no âmbito do partido que o elegeu, o PT.
A questão que deve ser ponderada é: quando no ano de 2003, no ápice da crise Lula, o dólar alcançou a cotação de R$ 3,90, a energia elétrica baixou correspondentemente? A resposta é não! Observe que este foi justamente o argumento utilizado agora para aumentos nos custos da eletricidade.
Além do fator cambial, o juro alto, que só atrai capital especulativo, é outro grande vilão. Somam-se também outros fatores, como a pesada carga tributária, escassez de crédito, déficit de infra-estrutura logística e a crise política como agravantes.
Quando será a vez do povo brasileiro? Quando alguém vai olhar pelos interesses de quem realmente trabalha e produz neste País? O que temos visto, desde o Governo FHC, é um continuísmo de favorecimento dos amigos do rei.
PAULO MUNIZ é empresário em Londrina
Gestão ambiental e planejamento estratégico
Waldemar de Oliveira Neto
Sistema de Gestão Ambiental é um instrumento com procedimentos semelhantes a qualquer nível gerencial de uma empresa moderna como, por exemplo, gestão financeira, controle de produção, marketing e recursos humanos. Sua particularidade é conferida às questões ambientais da empresa e ao uso racional de matérias-primas, insumos e recursos naturais. Também se preocupa com processos produtivos que causem menores danos à natureza, mediante a redução de resíduos e da degradação ambiental. Sua implantação deverá estar calçada num profundo conhecimento desse procedimento e de suas dificuldades e implicações.
Aspectos ambientais associados a produtos, serviços e atividades são definidos e constituem-se na base do Sistema de Gestão Ambiental. Sobre esses, estão estabelecidos procedimentos documentados. O Sistema de Gestão Ambiental visa proporcionar, a uma organização, a garantia de que seu desempenho atende, e continuará atendendo, aos requisitos legais. A empresa deve assegurar o comprometimento de uma política ambiental e um plano de ação para cumprimento dos objetivos e das metas estabelecidos, realizar avaliações, revisar e aperfeiçoar a política assegurando melhoria contínua.
A busca da implantação de um Sistema de Gestão Ambiental não deverá ser, de forma alguma, a meta principal, mas sim uma consequência do processo de conquista da excelência ambiental. Não adianta ter um Sistema de Gestão Ambiental, se for falho. Empresas que adotarem essa postura cairão na incredibilidade da comunidade e dos órgãos fiscalizadores, o que as levará ao fracasso. A variável ambiental deverá, obrigatoriamente, fazer parte do planejamento estratégico de qualquer empresa.
Um aspecto que se discute muito na área ambiental é o conceito que só empresas que tenham atividades poluidoras deverão se preocupar com Sistema de Gestão Ambiental. Entretanto, empresas que persistirem nesse erro comprometerão o seu futuro, levando ao insucesso de suas atividades. O respeito pelo meio ambiente passa a ser multilateral e compulsório por parte de empresas, clientes e consumidores.
Sistema de Gestão Ambiental é uma atividade importante como qualquer operação industrial e traz um diferencial competitivo para empresa, principalmente o marketing da responsabilidade ambiental, que apresenta uma nova vertente do convencional e uma vantagem competitiva, ou seja, a melhoria da imagem, o aumento da produtividade, e a conquista de novos mercados.
WALDEMAR DE OLIVEIRA NETO é químico industrial, mestre em Agronomia e professor em Londrina





