UEL, 34 anos de reconhecimento

Wilmar Sachetin Marçal
  Nascida em 28 de janeiro de 1970, a Universidade Estadual de Londrina (UEL) completa neste dia 7 de outubro seu 34º aniversário de reconhecimento como universidade. No princípio o grande desafio era consolidar uma instituição de ensino superior na mais promissora região em desenvolvimento do Sul do país. A UEL nasceu entre as perobas, mata fechada, estradas vicinais, muita poeira e dificuldades. Seu campus foi escolhido num sobrevôo realizado pelo então governador Paulo Cruz Pimentel e o ex-prefeito Dalton Fonseca Paranaguá.
  Na época vivíamos grandes culturas agrícolas, a febre do café, a incipiência de pequenos pólos industriais e um comércio pujante e crescente. Muitas pessoas migraram para residir em Londrina e iniciar uma carreira na UEL. A cidade e a UEL acolheram a todos, pois sempre cresceram juntas, com cumplicidade para o progresso e desenvolvimento loco-regional sustentável.
  Com a fundação da universidade novos profissionais se formaram, interagindo com a sociedade através da busca de idéias e ideais, trabalhando de forma absoluta pela cidadania. Nesses 34 anos o crescimento sempre foi judicioso, atendendo a demanda comunitária, o anseio da indústria e do comércio, criando-se novos cursos, gerando novas tecnologias e novos ensaios práticos.
  Uma extensa população vem se beneficiando da UEL, através de seus serviços especializados e profissionalizante, de uma forte e presente extensão universitária, da constante ciência e ensino de primeira qualidade. Apesar das recrudescências, remotas e recentes, a UEL não esmoreceu. Sobreviveu a crises, frutos das inconstâncias e insensibilidade dos governantes, cuja ambição política os tornam míopes para visualizar a importância de uma instituição de ensino superior de padrão classe A.
  Parabéns a toda UEL pelos 34 anos de conquistas e sucessos. Parabéns por sua perseverança na luta e busca pelo ensino público de qualidade. Parabéns pelo seu rico acervo cultural, técnico e científico, formado por seus alunos, servidores e docentes. Parabéns UEL.
WILMAR SACHETIN MARÇAL é diretor do Hospital Veterinário da Universidade Estadul de Londrina


Armas e argumentos

Aguinaldo Pavão
  É preciso reconhecer que há bons argumentos tanto dos que defendem como dos que se opõem ao desarmamento. Os que defendem a não-comercialização de armas de fogo colocam um problema pertinente ao enfatizarem as conseqüências sociais de civis armados. Os defensores da comercialização estão certos quando ressaltam o direito do indivíduo proteger armado a sua família, os seus bens e a sua vida. Há também, por certo, maus argumentos dos dois lados. Há quem afirme que os chamados cidadãos de bem não estão preparados para usar armas. Os defensores desse argumento acreditam que se os indivíduos estivessem realmente conscientes de seus interesses, eles perceberiam o equívoco de possuir armas. Mas essa alegação não procede porque o melhor juiz dos interesses do indivíduo é o próprio indivíduo e não o Estado. Ademais, pode-se conceder a exigência de cursos para o uso de armas de fogo (assim como se exige um curso para se habilitar um motorista).
  Mas os que se colocam contra o desarmamento também usam maus argumentos. Eles alegam que, com o desarmamento, os bandidos, sabendo que todos os cidadãos estão desarmados, agiriam como se estivesse nas portas das casas o cartaz: ‘‘Aqui mora um cidadão desarmado’’. Assim, os cidadãos estariam expostos e indefesos ante a ação criminosa. Seria um caos social, dizem. Ora, é sabido que um número pequeno de brasileiros têm armas (o que certamente determinará a aprovação do desarmamento). Se poucos brasileiros têm armas, o bandido já tem a seu favor um grau pequeno de probabilidade de encontrar o cidadão armado dentro de sua casa. Ademais, a proibição legal não impedirá que pessoas tenham armas em casa. Portanto, o bandido terá ainda de enfrentar a probabilidade, pequena admita-se, de se deparar com um cidadão armado. Não haverá caos algum com a aprovação do desarmamento, a não ser talvez o que já existe na cabeça de pessoas que usam esse argumento.
  Sou favorável ao comércio de armas com restrições ao seu uso. Não considero um direito inalienável do indivíduo que vive no estado civil, e não no estado de natureza, andar armado. Mas acho que o direito de ter uma arma em casa é defensável. Somente seria concedido o direito de alguém comprar armas se ele tivesse passado por diversos testes que atestassem a sua perícia no uso da arma. Parece-me muito mais sensato e mais próximo da idéia moral e politicamente originária da máxima liberdade possível aos indivíduos, que não se proíba o comércio de armas. Se o Estado julga importante o desarmamento, que sejam, então, aproveitados os tributos, ou se pense numa taxa, para financiar campanhas de dissuasão da compra de armas. Muito mais de acordo com o espírito de uma sociedade livre seria que as pessoas voluntariamente entregassem suas armas ou deixassem de comprá-las, não que fossem proibidas de fazê-lo. Também seria mais condizente com uma sociedade livre que não fossemos obrigados a participar de um referendo. Até porque, conforme se pode perceber pela minha argumentação, os termos desse referendo estão errados.
AGUINALDO PAVÃO é professor de Filosofia na Universidade Estadual de Londrina


- Os artigos devem ter, no máximo, 30 linhas. Os artigos publicados não refletem, necessariamente, a opinião do jornal. [email protected].

mockup